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Por que o valor dos carros só sobe mesmo com as vendas em queda?

alx_automoveis-concessionaria-loja-20110823-0180-original_originalO cenário de faroeste toma conta da maior parte das concessionárias. Recepcionistas olham o Facebook, grilos estridulam, alguns vendedores andam em círculos enquanto outros conversam entre si. O tempo demora a passar e o medo do desemprego ecoa num silêncio angustiante, que só é quebrado quando raros compradores surgem à porta. Na maior parte das vezes, não fazem negócio. “É um ano de tristeza e falta de perspectiva”, lamenta Odorico Damião, gerente comercial de uma concessionária Ford, a Avenida Francisco Morato, na zona sul de São Paulo.

Este cenário ilustra os números negativos que vêm sendo divulgados desde o ano passado sobre o setor automotivo. Caem a demanda, as vendas e a produção. Mas, curiosamente, não os preços. Enquanto as vendas recuaram 20% e a produção caiu 19% no acumulado do ano, os preços subiram 8%, em média, segundo a consultoria Jato Dynamics.

O economista Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, explica o movimento. Um dos argumentos é a recomposição das alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI), que entrou em vigor no início do ano. Em busca de elevar a arrecadação, o governo teve de recuar nas políticas de estímulo ao consumo implementadas nos últimos anos. Como o IPI incide diretamente sobre o preço ao consumidor, o impacto é sentido de imediato. Outro fator importante é o aumento dos custos, diz o economista. “Houve alta nos insumos importados, na energia, no transporte e nos combustíveis. Isso apertou as margens de lucro das empresas e elas decidiram repassar parte disso às revendas”. As montadoras vinham bloqueando os repasses desde 2012 na expectativa de que o mercado voltasse a crescer como nos anos anteriores. Em 2015, os reajustes foram inevitáveis – e coincidiram justamente com o ano em que o setor enfrenta a sua pior crise em mais de uma década.

Na concessionária Peugeot, em Indianópolis, bairro da capital paulista, um automóvel 208 top de linha está 5 mil reais mais caro desde o primeiro trimestre do ano, período em que ocorreram os reajustes no setor. Na Fiat da rua Sena Madureira, na Vila Mariana, a alta dos preços chega a 2.500 reais, dependendo do veículo. O Fiat 500 modelo 2015 passou de 57.500 reais para 59.500 reais – e o preço não cede nem mesmo com a demanda em queda. Na Chevrolet da rua da Consolação, o Onix passou de 33.990 reais para 36.990 reais, enquanto uma pick-up S10 ano 2015 teve reajuste de 5 mil reais (passou de 87 mil para 92 mil reais).

Os preços mais altos, o crédito mais caro e a incerteza do consumidor em relação ao próprio emprego fazem com que um círculo vicioso se forme no setor. Em maio, a unidade da Fiat da Sena Madureira teve uma queda de 50% nas vendas. Um estoque que antes servia para suprir 30 dias de comércio, agora dura pelo menos 50. “A tendência é que as montadoras reduzam a produção ainda mais”, avalia o gerente comercial da concessionária, Cyro Haydt. Na loja, eram vendidos cerca de 100 automóveis por mês no ano passado, quando a economia não estava lá muito aquecida. No final daquele ano, conta Haydt, o volume recuou para 60 carros por mês. Agora, se as vendas chegam a 30, comemora-se. Esses números ajudam a explicar porque durante uma hora de conversa com o gerente, nenhum cliente entrou na loja.

Ainda que as perspectivas de analistas prevejam melhora apenas em 2016, a tendência é de que os preços não cedam. “As concessionárias podem baixar os valores para aumentar a escala das vendas e desovar estoques. Mas, ao cortar preços, reduzem sua margem de lucro”, diz Baggi. Segundo o economista, descontos podem surgir com mais facilidade, desde que os consumidores barganhem. “A bola está do lado do consumidor. O problema é que as famílias têm travado seu consumo devido ao momento econômico difícil”, diz.

Na concessionária Ford da Francisco Morato, na zona Sul de São Paulo, ainda que os preços tenham subido para alguns modelos, houve promoções pontuais para atrair clientes. Mas nem isso melhorou as vendas, que recuaram 30% desde o início do ano. O gerente da loja, Odorico Damião, acredita que a queda se explica, sobretudo, porque os brasileiros não querem fazer novas dívidas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa as montadoras nacionais, Luiz Moan, tem a mesma visão. Ele diz que os consumidores pararam de comprar por desconfiança em relação ao futuro, e não porque o preço subiu ou o crédito está mais caro. Segundo ele, a única forma de reavivar o ímpeto da população e do empresariado é a implementação do ajuste fiscal. “Somente com o ajuste as regras ficarão claras, o planejamento será mais preciso e a atividade será retomada”, afirma.

Ainda que não tenham sofrido os solavancos do IPI, os carros importados foram impactados pela alta do dólar. Mas a queda nas vendas do setor é menor: de 14% de janeiro a maio, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). Importadoras dos automóveis Jeep, Jaguar e Volvo tiveram alta nas vendas no período. A BMW, que possui a segunda maior participação de mercado entre os importados, viu suas vendas recuarem apenas 2,9% – queda tímida, se comparada ao total do setor. Marcel Visconde, presidente da Abeifa, entoa o coro de Moan, da Anfavea: “Se não tivermos uma clara mensagem de que os ajustes fiscais necessários serão aprovados pelo Congresso, os resultados dos próximos meses seguirão ruins”, diz.

Carro blindado – Vendas aumentam – O número de carros blindados no país bateu recorde pelo quarto ano consecutivo

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Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) revela que o número de carros blindados no país bateu recorde pelo quarto ano consecutivo. Em 2013, 10.156 veículos receberam a proteção. O número é 21,13% maior que em 2012, quando 8.384 carros foram blindados. Em 2011 e em 2010 foram blindados, respectivamente, 8.106 e 7.332 carros. A pesquisa contou com a participação de 31 blindadoras associadas à entidade e que representam 70% da produção total de veículos blindados no país.Para o presidente da Abrablin, Laudenir Bracciali, “a sensação de insegurança cada vez maior em todo o país é o fator principal que explica o aumento da procura pelo serviço. Com medo diante da violência urbana, muitos cidadãos, inclusive, substituem o investimento em um modelo de carro mais luxuoso por um modelo um pouco mais simples, mas com a segurança da blindagem”, afirma.Empresários do setor concordam e ressaltam a necessidade de o cidadão buscar alternativas de proteção. “A blindagem automotiva cresceu consideravelmente no país porque tem ocupado o buraco na segurança deixado pela falta de ações efetivas de combate à criminalidade por parte do setor público”, afirma Fábio Rovêdo de Mello, diretor da Concept Blindagens, sediada em São Paulo. “A estabilidade no preço do serviço ao longo dos últimos dez anos também foi mais um fator que impulsionou o setor”, diz o executivo da empresa que blindou cerca de 750 carros em 2013.No ranking divulgado pelo levantamento com os estados que mais blindaram veículos em 2013, São Paulo lidera, com pouco mais de 63,04%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 12,18%. Os outros três estados que compõem o “Top 5” são do Nordeste: Pernambuco (6,37%), Ceará (5,94%) e Bahia (2,84%).

Os quase 10% restantes do universo blindado estão distribuídos por estados de todas as regiões brasileiras: Amazonas, Pará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Distrito Federal, Goiás, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba.

“Essa distribuição ilustra que a insegurança é um sentimento geral, não mais regionalizado, como acontecia há alguns anos”, diz Bracciali.

Perfil de quem blinda

A pesquisa da Abrablin, que também traz o perfil do usuário de blindagem, mostra que cresce a participação das mulheres no setor. O sexo masculino predomina com 57% do total de usuários, mas as mulheres aumentaram sua participação. Em 2013, elas representaram 43%. Em 2012, somavam 42,5% do setor e em 2011, 35%.

“Elas estão assumindo cada vez mais o seu papel de destaque no ambiente profissional e corporativo, o que lhes garante condição financeira para investir em segurança por meio da blindagem ou até receber o blindado como benefício pelo cargo que ocupa”, explica o diretor da Concept. No ano passado, 38% dos carros blindados na empresa foram para o público feminino.

Por faixa etária, os homens que mais recorreram à blindagem automotiva (23%) foram os que tinham de 30 a 39 anos, mesma faixa e porcentagem percebida no público feminino. Em 2012, a faixa etária masculina foi a mesma, mas, entre as mulheres, a blindagem se concentrava mais na faixa entre 40 e 49 anos.

Do universo total dos usuários, 70% é formado por executivos/empresários; 15% artistas/cantores; 8% juízes; e 7% políticos.

Carros comercial leva recorde de vendas em dezembro de 2013

Mês foi o mais próspero do ano, com 335.948 unidades emplacadas; apesar da alta, houve retração de 1,65% no acumulado de 2013

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O mês de dezembro foi o que apresentou melhor desempenho na venda de carros e comerciais leves em 2013, conforme apontam dados divulgados nesta sexta-feira (3), pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Segundo a organização, foram 335.948 veículos emplacados no período. Até então, o melhor mês havia sido julho, totalizando 323.916 unidades de ambos os tipos emplacadas. De acordo com a federação, o dezembro de 2013 foi o terceiro melhor mês 12 desde 2004.

Apesar do recorde, houve retração de 2,27% em comparação a dezembro de 2012, quando 343.739 carros e comerciais leves foram vendidos. No acumulado do ano passado, também foi registrada queda, agora de 1,61% em relação à soma de todos os meses de 2012. Em 2013, totalizaram-se 3.575.935 unidades emplacadas, contra 3.634.456 no ano anterior.

A Fenabrave afirma ter traçado uma previsão de emplacamentos para carros e comerciais leves em 2013 superior ao resultado alcançado. Segundo a organização, estavam previstas 3.671.916 unidades vendidas, 2,6% a menos do ocorrido. Por outro lado, a entidade previa que seriam vendidos 323.239 unidades em dezembro, número que foi ultrapassado na consolidação do mês.

Segundo Alarico Assumpção Júnior, presidente executivo da Fenabrave, o desempenho é considerado satisfatório dado o cenário econômico do país. Em evento realizado para a imprensa na sede da federação, ele destacou que a limitação de créditos aos consumidores interessados em comprar carros e motos novos, além do alto endividamento das famílias brasileiras contribuíram com os resultados. Por outro lado, a manutenção da redução do IPI para carros e do PSI para ônibus e caminhões, além da retração na inadimplência dos consumidores, evitaram um desempenho inferior. “Para comerciais leves e ônibus, esse foi o melhor ano da história. Para veículos, foi o segundo melhor, atrás apenas de 2012. Sem a redução do IPI, o desempenho teria sido pior”, destaca o executivo.

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Projeções

Se as vendas de automóveis e comerciais leves registraram queda de 1,61% no acumulado de 2013 em comparação com o período anterior, as estimativas para o desempenho do setor no próximo ano são ainda menos agradáveis. “O próximo ano será atípico por conta dos grandes eventos, somados à inflação”, explica Tereza Fernandez, consultora da MB Associados. Estão na lista dos eventos que tem potencial para prejudicar as vendas o carnaval, que será realizado em março neste ano, a Copa do Mundo de Futebol e as eleições presidenciais, em outubro.

Por conta disso, a Fenabrave traçou dois possíveis cenários para o setor em 2014. No melhor deles, as vendas de automóveis e comerciais leves apresentaria resultados similares aos de 2013. Como um todo, as vendas do setor automotivo registrariam aumento de 0,21% ao fim de 2014. A alta seria puxada pelas vendas de ônibus (projeção de alta de 2,8%), caminhões (projeção de alta de 6,4%), já que o setor de motos também deve registrar o mesmo desempenho de 2013.

Já o pior dos cenários aponta para queda de 3,5% nas vendas de carros e comerciais leves. Nesse caso, seriam comercializadas 3.450.800 unidades ao longo dos próximos meses. A queda seria sentida também nas vendas de motos (projeção de queda de 4,5%), enquanto a comercialização de ônibus permaneceria igual à de 2013 e a de caminhões seria a única a registrar alta (projeção de aumento de 2%). Como um todo, o setor registraria queda de 3,6% nas vendas em 2014.

Para se chegar ao pior cenário, os especialistas também levaram em conta as projeções para o PIB do próximo ano (estimado entre 2% e 2,5%), a grande cautela dos empresários em fazer investimentos e as estimativas para a inflação e taxa de juros no próximo ano. “Temos preocupação com a inflação em função de um câmbio elevado, que é repassado aos produtos. Estamos muito preocupados em especial com a volatilidade do câmbio. Essa é a variável mais importante, mas não temos como projetá-la”, explica Tereza. Por outro lado, as expectativas de baixo índice de desemprego, a consequente manutenção do poder de compra do consumidor, e as taxas de juros que não devem subir antes das eleições fazem com que os analistas ainda acreditem na manutenção da venda de automóveis em 2014.

Apesar do baixo desempenho do segundo cenário, a consultora não acreditam que se esteja prevista uma crise no setor. Segundo ela, caso a baixa no desempenho realmente aconteça, será porque a base de comparação é muito alta. “Nos últimos dez anos, as vendas de automóveis cresceram 10% ao ano e isso é insustentável. A projeção é de crescimento de 3% ao ano, o que significa que nossa frota irá dobrar nesse período. Isso é extremamente significante”, pontua Tereza Fernandez.

Quanto aos estoques de veículos sem airbag e ABS nas montadoras, o diretor executivo da Fenabrave explica que ainda não foi oficializado como será o procedimento para que as montadoras vendam estas unidades depois de março, quando a lei prevê que esses carros não podem ser vendidos como veículos novos. A previsão é que haja promoções para a comercialização das últimas unidades sem os itens de segurança.

Sedã Classic, no entanto, continuará a ser produzido

foto-imagem-GMA GM do Brasil anunciou na sexta-feira (16) o fim da produção do sedã Classic em sua unidade em São José dos Campos (SP). A desativação da linha estava prevista para acontecer no fim do ano, mas foi antecipada devido o alto custo das operações o que tornou a manutenção da linha inviável, segundo informou a montadora. Até então, a fábrica do Vale do Paraíba produzia 150 unidades do modelo por dia, em apenas um turno de trabalho. O sedã, no entanto, continuará a ser produzido normalmente nas plantas de São Caetano do Sul (SP) e em Rosário, na Argentina. Em São José dos Campos, continuarão a ser fabricados o utilitário esportivo Trailblazer e a picape S10.
Reação nas vendas
Após ser deixado de lado por vários meses, o Classic voltou a figurar entre os mais vendidos em julho. Com 10.973 unidades emplacadas no período, o veterano conseguiu ultrapassar Fiat Siena e se tornar o sedã compacto mais vendido no mês. A reação do modelo poder ser atribuída à ofensiva da GM nas revendas, que tem promovido insistentes feirões em que o modelo é ofertado com condições especiais. Além disso, a adoção de ABS e airbag na linha 2014 garantiu ao sedã uma pequena sobrevida de pelo menos mais um ano. No acumulado do ano, o Classic é o 10º carro mais vendido, com 54.659 unidades comercializadas.
Novo compacto em São José dos Campos
A Chevrolet está na briga com outras subsidiárias da GM para receber um investimento de R$ 2,5 bilhões para produzir até 2017 um novo modelo no país, na fábrica São José dos Campos.
Conforme Autoesporte já havia informado, trata-se de um compacto inédito que viria com a missão de substituir a dupla Celta e Classic.

Vendas de carros em junho – Veja os 10 carros mais vendidos no mês de junho de 2013

Como apontaram números prévios, pela primeira vez desde novembro, o hatch Hyundai HB20 ficou fora da lista dos carros (automóveis e comerciais leves) mais vendidos em junho. No mês, o modelo ocupou a 11ª posição. Considerando apenas automóveis, ele foi o 10º mais vendido.

O HB20 chegou às lojas em outubro passado e, a partir do mês seguinte, apareceu constantemente no ranking dos mais vendidos, tendo chegado à quarta posição em fevereiro, março e abril, com vendas entre 10 mil e 12,5 mil unidades. Em maio, caiu para a nona colocação, com 9,6 mil emplacamentos.

Outro que constava no ranking anterior e caiu em junho foi o Volkswagen Voyage. Em maio, o sedã ficou em décimo, com 8.349 unidades vendidas. Quem subiu foi Chevrolet Classic e Renault Sandero.

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Vendas de vidros elétrico sem antiesmagamento continua nos carros da Hyundai, Fiat e Honda

MODELO COREANO FOI ENTREGUE SEM O SISTEMA QUE É EXIGIDO DESDE 1992

MODELO COREANO FOI ENTREGUE SEM O SISTEMA QUE É EXIGIDO DESDE 1992

Obrigatório nos veículos novos com vidros elétricos desde 1992, o sistema antiesmagamento ainda não está disponível em todos os carros vendidos no Brasil. A falta do equipamento coloca em risco os ocupantes e pode resultar em acidentes graves. Autoesporte apurou que vários modelos estão sendo vendidos no país sem o sistema, embora a lei preveja punições penais para a prática.

O sistema antiesmagamento garante que o vidro do carro pare de subir ao detectar a presença de algo que impeça o fechamento completo, e volta a abrir a janela automaticamente. Segundo o engenheiro mecânico membro da SAE Brasil, Ricardo Takeo, a função é importante para evitar os riscos oferecidos pelo módulo de fechamento automático dos vidros. “O motor do dispositivo tem torque muito alto e atua com velocidade e força relativamente altas. No caso de uma criança, poderia machucar um dedo, o pescoço ou a cabeça”, alerta. O especialista ainda ressalta que o dispositivo deveria ser oferecido pelas montadoras por questões éticas. “O antiesmagamento deve funcionar em conjunto com módulo de fechamento automático”.

Risco

Quando o eletricista Ricardo Vaz, de 33 anos, comprou sua perua Hyundai i30 CW em uma concessionária de São Bernardo do Campo (SP), o vendedor ofereceu “como cortesia” a instalação de um módulo de fechamento dos vidros pela chave, mas não o alertou que isso faria com que o sistema que evita esmagamentos fosse desativado. “Já tirei o carro da concessionária com o módulo instalado e ninguém me informou sobre a ausência do sistema antiesmagamento”, afirma Vaz.

RICARDO VAZ E SEU HYUNDAI I30 CW SEM SENSOR ANTIESMAGAMENTO (FOTO: SHYLA VAZ)

RICARDO VAZ E SEU HYUNDAI I30 CW SEM SENSOR ANTIESMAGAMENTO (FOTO: SHYLA VAZ)

O carro é utilizado para levar as filhas à escola, e Vaz só percebeu que algo estava errado quando a família levou um grande susto. Sua esposa, Shyla, acionou acidentalmente o botão que fechava os vidros remotamente enquanto uma de suas filhas gêmeas de oito anos estava com parte do corpo para fora do carro. O vidro não parou ao encostar na criança e ela ficou com o pescoço preso. Felizmente, nada de grave aconteceu. “Foi a partir daí que comecei a levar o assunto em frente”, conta.

Quando solicitou que a loja ativasse novamente o mecanismo antiesmagamento, teve uma surpresa ainda maior. “O concessionário se propôs a tentar resolver o problema mediante assinatura de um termo de cancelamento dos quatro anos restantes da garantia”, diz Vaz. A revenda alegava que o procedimento era necessário, já que as características originais do veículo seriam modificadas.

Legislação

O caso fica mais complexo se levarmos em conta que, desde 1992, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) prevê sistema antiesmagamento instalado em todos os vidros elétricos, visando “tornar os veículos automotores compatíveis com a evolução tecnológica de nível internacional”. Segundo o Ministério das Cidades, uma concessionária que desabilite o sistema antiesmagamento estaria atuando contra a lei, assim como um motorista que realize o mesmo procedimento. Além disso, no caso da i30 CW de Ricardo, consta no manual do proprietário uma explicação de como esse sensor funciona, dando a entender que há realmente essa função instalada.

O que diz a Resolução 762/92

4.1 Os acionadores energizados ativados por dispositivos constantes (…) devem estar dotados de mecanismos que causem o
retrocesso do vidro de no mínimo 25 mm, quando este for submetido a uma força de compressão de 100 N no máximo, na região cujo vão de abertura estiver compreendido entre 200 mm e 4 mm da posição do vidro totalmente fechado. A medida da força de compressão deve ser realizada com uma relação força-deslocamento não superior a 10 N/mm.

4.2 Os controles para acionamento de vidros que estejam fora do alcance manual do condutor devem ser concebidos de forma que o condutor possa dispor de meios para que os tornem inoperantes para efeito de fechamento do vidro assim como de meios que lhe permitam abrir estes vidros quando desejar. Esta última condição pressupõe que o controle que esteja fora do alcance manual do condutor não esteja sendo acionando simultaneamente.

Já se passaram mais de dois meses desde que Ricardo fez as primeiras reclamações solicitando a instalação do sistema antiesmagamento novamente, mas a Hyundai ainda não ofereceu alternativa: para instalá-lo, o cliente teria de abrir mão do restante da garantia. Procurada pela reportagem de Autoesporte, a assessoria de imprensa da montadora não enviou uma resposta oficial sobre o caso até a publicação desta reportagem.

Em nota, a assessoria de imprensa da Hyundai CAOA afirma que os modelos vendidos pelo grupo possuem o sistema instalado. “O sistema de inversão automática (antiesmagamento) está presente nas versões dos veículos Hyundai i30, i30 CW, Veloster, Elantra, Sonata, Novo Azera, Genesis, Equus, ix35, Santa Fé e Veracruz. Ressaltamos que o funcionamento deste sistema só se dará quando o acionamento do vidro elétrico for feito com a utilização do recurso de fechamento automático, conforme descrito nas instruções do manual do proprietário”, afirma o comunicado. Segundo a assessoria de imprensa da Hyundai Brasil, os modelos HB20 e HB20X contam com o dispositivo apenas na versão Premium.

A equipe de Autoesporte testou os modelos HB20 Comfort Plus (de produção nacional) e i30 (importado pela CAOA) e nenhum deles possui o sensor antiesmagamento. Além disso, vendedores de acessórios de concessionárias do grupo garantem que nenhum modelo vendido atualmente é equipado com o sistema, apesar da resolução do Contran. O módulo de subida dos vidros é oferecido para a i30 CW na loja consultada por R$ 450, porém a revenda não possui nenhum sensor antiesmagamento para ser instalado.

Fiat também não oferece sistema

Também testamos o Fiat Uno e constatamos o que a assessoria da marca havia adiantado: alguns modelos do catálogo, especialmente os mais simples, têm vidros elétricos sem o sistema de proteção automática, contrariando a lei.

Avaliamos os vidros elétricos de um Honda Fit ano 2007 e constatamos a ausência do sistema de proteção. O site da montadora afirma que o modelo atual possui o sensor apenas no vidro do motorista, porém a assessoria de imprensa não retornou nosso contato para explicar a ausência no modelo anterior.

A Volkswagen afirma que todos os modelos produzidos com sistema de subida automática possuem a proteção antiesmagamento. Em testes, constatamos que os vidros do modelo Fox recuaram ao encostar em um objeto.

HONDA AFIRMA QUE O FIT ATUAL TEM SISTEMA ANTIESMAGAMENTO, MAS TESTAMOS O MODELO 2007 E CONSTATAMOS QUE ELE NÃO EVITARIA ACIDENTES

HONDA AFIRMA QUE O FIT ATUAL TEM SISTEMA ANTIESMAGAMENTO, MAS TESTAMOS O MODELO 2007 E CONSTATAMOS QUE ELE NÃO EVITARIA ACIDENTES

Em nota, o supervisor de serviços da Ford, Reinaldo Nascimbeni, garante que todos os modelos da montadora equipados com vidros elétricos já contam com sistema antiesmagamento original. Os modelos Ka e Fiesta testados pela reportagem tinham o sistema funcionando normalmente.

Apesar de os representantes da Chevrolet não terem informado sobre a presença do sistema nos modelos da montadora, constatamos que o recém-lançado Onix funcionu dentro das regras estabelecidas pelo Contran

Denúncia

O Ministério das Cidades alerta que a obrigatoriedade da presença do sensor antiesmagamento deve ser cumprida por todas as montadores e revendas. “Caso alguma fabricante descumpra a regulamentação, deverá ser protocolada denúncia formal ao diretor do Denatran, que abrirá um processo de investigação para eventuais punições administrativas e penais, se for o caso”. (colaborou Renata Viana de Carvalho)

Recorde de vendas de veículos no Brasil em 2012

vendas-de-carros-ultimos-3-anos-tabelaA indústria automobilística nacional fechou 2012 com mais um recorde de vendas, com o total de 3.801.859 veículos emplacados, um crescimento de 4,6% sobre 2011, que tinha o marco de 3.632.842 unidades. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (3) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O mês de dezembro foi “coroado” com 359.339 veículos emplacados, número que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O segmento de motos é contado à parte.

Ao comparar com novembro (311.753 unidades), a alta no emplacamento de veículos em dezembro foi de 15,2%. Em relação ao mesmo período de 2011, que havia fechado com 348.414 unidades comercializadas, o aumento foi de 3,14%.

Para o setor, que temia queda neste ano devido às oscilações econômicas nacionais e mundiais, o resultado é uma prova de que as medidas do governo para preservar o setor deram certo. A principal foi a volta do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), determinada no fim de maio, quando os estoques de carros nos pátios e lojas atingiram altos níveis. A medida acabou prorrogada até julho de 2013.

Antes disso, para que os benefícios não ajudassem empresas ou fábricas fora do país (mais competitivas), o governo barrou a “invasão” de carros “gringos”. Para isso, aumentou o IPI dos importados de fora do México e do Mercosul, o que deu um “tombo” nas vendas das importadoras em 2012, e também estabeleceu limites às compras de carros do México, o que fez alguns modelos escassearem nas lojas bem antes do fim do ano.

Para impulsionar as vendas de caminhões e motocicletas, que enfrentaram um 2012 difícil, o governo criou linhas de crédito no segundo semestre, e esses setores começaram a esboçar reação nos últimos meses.

Automóveis e comerciais leves

Alvo do IPI menor, o segmento que puxou a indústria automobilística para cima foi o de automóveis e comerciais leves, que cresceu 6,1% em 2012 sobre o ano anterior, que teve 3.425.270 carros vendidos. Em 2012, o total chegou a 3.634.421 milhões de unidades, batendo o sexto recorde anual consecutivo.

O resultado superou as expectativas da federação, que tinha anunciado previsão de aumento das vendas de automóveis e comerciais leves entre 4% a 4,8%. “Estamos terminando com número bom, graças ao incentivo da redução do IPI. O resultado foi melhor do que poderíamos esperar”, afirmou o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, ao anunciar os números.

No último mês do ano, as vendas de automóveis e comerciais leves somaram 343.770 unidades, volume 15,7% superior ao vendido em novembro. Com o resultado, dezembro de 2012 foi o segundo melhor para o segmento, atrás somente do de 2010. Na comparação com o mesmo período de 2011, as vendas de automóveis e comerciais leves foram 4,4% maiores.

No entanto, o “efeito IPI” deverá se enfraquecer daqui para frente: a partir deste mês de janeiro, o desconto será reduzido gradualmente até o imposto voltar ao “normal”, em julho. O IPI dos carros 1.0, por exemplo, que estava zerado, agora é de 2% (veja ao lado todas as categorias).

Caminhões e ônibus

As vendas de caminhões em 2012 somaram 167.438, uma de queda de 19,3%. O mau desempenho se deveu às antecipações de vendas em 2011, antes de começar a valer a obrigatoriedade de os caminhões com motores a diesel passarem a utilizar o padrão Euro5, menos poluente, e que, segundo as montadoras, encareceu os veículos. O segmento registrou seguidas baixas nas comparações mensais, mas, no fim do ano, começou a reagir. Em dezembro, foram emplacadas 15.569 unidades, 5,55% a mais do que em novembro.

O segmento de ônibus também registrou baixa na comparação com 2011: foram 29.716 unidades emplacadas, 14,9% menos do que naquele ano. Em dezembro também houve reação: foram vendidos 3.045 ônibus, 39,1% a mais do que em novembro. “Basicamente a redução ocorreu pela antecipação de compra em 2011, devido ao Euro 5. Nos últimos 3 meses houve uma retomada, devido a liberação de crédito pelo governo”, explicou o presidente da entidade.

Gol segue como carro mais vendido

O Volkswagen Gol, que passou por uma reestilização em julho, confirmou sua posição de líder de vendas no mercado brasileiro pelo 26º ano consecutivo. Foram 293.293 unidades comercializadas em 2012, pouco mais de 37,4 mil à frente do segundo colocado, o Fiat Uno, com 255.838. Vale lembrar que a Fenabrave soma das vendas do Gol G4 (Geração 4) e do Novo Gol, assim como faz com o Novo Uno e o Mille.

Em terceiro na lista dos carros mais vendidos no ano ficou o Fiat Palio, com 186.384 unidades, seguido por Volkswagen Fox/ Cross Fox (167.685), Chevrolet Celta (137.617), Fiat Strada (117.455), Ford Fiesta (113.546), Fiat Siena (103.547), Chevrolet Classic/Corsa Sedan (98.551) e Renault Sandero (98.442).

Ranking de montadoras

Por outro lado, a Volkswagen não levou a liderança ao considerar o volume total de vendas de automóveis e comerciais leves. O título ficou mais uma vez para a Fiat, que encerrou 2012 com participação de 23,6% (838.160 unidades). A Volkswagen teve fatia de 21,14% (768.338).

A General Motors fechou o ano passado a terceira maior fatia (17,68%) do mercado brasileiro (642.536). A Ford teve participação de 8,9% (323.642). Em expansão, a francesa Renault registrou 6,65% de “market share” (241.556). A japonesa Honda ficou com 3,71% (134.938), seguida de Toyota (3,13%, com 113.728 unidades), Hyundai (2,98%, com 108.351), Nissan (2,88%, com 104.791) e Citroën (2,05%, com 74.590).

Motocicletas

Calculado à parte, o segmento de motocicletas, que tem sofrido com as restrições de liberação de crédito para financiamentos, sofreu forte queda nas vendas em 2012. O ano encerrou com 1.637.481 unidades emplacadas, retração de 15,6% sobre as 1.940.533 de 2011.

Somente em dezembro, a queda chegou a 28,7% em relação ao mesmo mês de 2011. Em relação a novembro de 2012, houve, no entanto, alta de 13,31%, consequência das facilitações de crédito no mercado, especialmente para motocicletas de baixas cilindradas.

“O segmento que mais sofreu foi o de motos, fundalmentalmente por questões de crédito e renda. A expectativa de recuperação é mais pessimista, em 2013, O crédito continuará reestrito”, alerta Meneghetti.

Previsões

Para o presidente da Fenabrave, os três primeiros meses serão fracos. “Mas nossa expectativa é crescer próximo à previsão do PIB previsto para 2013, de cerca de 3%.”

Segundo a Fenabrave, as vendas do setor deverão crescer 2,8%, sendo que automóveis e comerciais leves devem ter alta de 3%; caminhões, 16%; ônibus, 4,1%; e motos, 1,3%.

Carro da Toyota não emplacou – Vendas do Etios segue tímida, mas revendas não apelam para promoções

VENDAS DO TOYOTA ETIOS SEGUEM TÍMIDAS, MAS REVENDAS NÃO APELAM PARA PROMOÇÕESv

VENDAS DO TOYOTA ETIOS SEGUEM TÍMIDAS, MAS REVENDAS NÃO APELAM PARA PROMOÇÕES

O Etios é o estreante que, literalmente, menos emplacou no segmento de hatches compactos. Em novembro, o modelo somou apenas 1.322 unidades vendidas, ante 8.077 do Hyundai HB20 e 7.407, do Chevrolet Onix. E a situação não mudou nesses primeiros dias de dezembro. Até ontem (13/12), somente 683 Etios foram vendidos, de acordo com dados da Fenabrave. O número é sete vezes menor que o do Onix. O modelo da Chevrolet somou 4.888 emplacamentos, superando o rival HB em 391 registros (4.497).

Apesar do mau desempenho, nenhuma política de preço mais agressiva foi adotada pela rede de concessionários. Lojas consultadas por Autoesporte em São Paulo, Belo Horizonte e Salvador seguem oferecendo o Etios pelo preço de tabela, que parte de R$ 29.900 e chega a R$ 38.790 na versão 1.3 e fica em R$ 42.790, na 1.5. A estratégia é a mesma para o sedã, que também não tem conseguido bons resultados – 773 foram emplacados em novembro, 403 até 13 de dezembro. Em todas as concessionárias procuradas há versões do Etios para pronta-entrega.

A capacidade produtiva da fábrica da Toyota, em Sorocaba (SP), é de 70 mil unidades por ano, o que indica que cerca de 5.800 Etios (hatch e sedã) saem da linha de montagem por mês. Somadas, as vendas das configurações não absorvem metade desse volume. Consultada por Autoesporte, a Toyota afirma que toda a produção deste ano já está toda comprometida com os clientes e que em 2013 a deve subir para 100 mil unidades/ano. Sobre ações para alavancar as vendas do Etios, ela não se manifestou.

Carros importados mais vendidos em julho 2012 – Kia Sportage lidera a lista pelo segundo mês seguido

A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) divulgou nesta terça-feira (14) o resultado de vendas de veículos importados em julho, reunindo as marcas que não possuem fábrica no Brasil. No mês, os emplacamentos chegaram a 10.739 unidades, queda de 4,1% frente a junho, quando 11.202 veículos foram comercializados. Na comparação com igual período do ano passado, a queda é de 41,5%. Desde dezembro passado, os carros vindos de fora do Mercosul e do México tiveram o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aumentado em 30 pontos percentuais.

A Abeiva é formada por Aston Martin, Audi, Bentley, BMW, Changan, Chery, Chrysler, Dodge, Effa Changhe, Effa Hafei, Ferrari, Hafei Motor, Haima, Jac Motors, Jaguar, Jeep, Jinbei Automobile, Kia Motors, Lamborghini, Land Rover, Lifan, Maserati, Mazda, Mini, Porsche, Rolls Royce, SsangYong, Suzuki e Volvo.

VEÍCULOS IMPORTADOS MAIS VENDIDOS EM JULHO PELA ABEIVA

Carros baratos – Quadrilha usava site de venda para oferecer veículos com menor preço

Quadrilha usava sites de venda para oferecer carros mais baratos
Um dos integrantes foi preso por estelionato em São Paulo. Um modelo de veículo, que chega a custar R$ 34 mil, era oferecido por R$ 10 mil a menos.

Oferecendo, na internet, carros zero quilômetro a preços bem abaixo do mercado, uma quadrilha enganou vítimas em todo o Brasil. A polícia, em São Paulo, desmontou o esquema e prendeu nesta quarta-feira (25) um dos estelionatários.

A quadrilha usa sites de venda para oferecer carros com preços abaixo do mercado. Um modelo, que chega a custar R$ 34 mil na concessionária, é oferecido por R$ 10 mil a menos.

Para mostrar como é o golpe, o produtor do Jornal da Globo ligou para o telefone do anúncio. Uma mulher se apresenta como Cristiane e diz ser médica. Ela fala que tem uma dívida trabalhista para receber de um hospital. Mas em vez de dinheiro, o pagamento será feito com o carro, que ela quer revender.

Produtor: E como é que funciona, eu pago para o hospital, pago para você, pago para quem?

Golpista: Não, aí é para mim. Porque quem está vendendo o veículo sou eu.

Produtor: Então é o hospital que vai comprar o carro?

Golpista: Isso, só que vai sair quitado no seu nome. Como eu quero passar o veículo para frente, eles vão pagar o carro pra concessionária só que vai sair no seu nome, ao invés de sair no meu.

A golpista explica por que o carro está sendo vendido tão barato.

Golpista: O hospital me deve o valor cheio do carro. Eu estou pedindo um pouco mais abaixo, que é 24 e meio, mas eu estou pedindo um valor um pouco abaixo para poder vender mais rápido e também se eu retirar ele já perde um pouco do valor.

Para tentar convencer as vítimas, a mulher usa o nome de um hospital de Osasco, na Grande São Paulo. Ela passa um telefone de um suposto integrante da diretoria, que vai dar sequência na negociação. Na realidade o diretor é um segundo golpista.

Golpista: O médico tem a opção de retirar o veículo para ele, ou ele pode estar vendendo para um terceiro, tá?

E pede para o nosso produtor ir à uma concessionária escolher o carro.

Golpista: Fez esse processo a gente vai fazer o pagamento pra concessionária, no mesmo dia que for pago a concessionária, nesse mesmo dia você paga automaticamente a doutora.

O produtor foi à uma revenda de São Paulo, encomendou um carro e avisou os golpistas. Eles então enviaram para a concessionária um comprovante de pagamento falsificado no valor total do veículo. O vendedor confirma a compra, porque ainda não sabe que o depósito não foi feito.

Produtor: O hospital já te pagou o carro, então?

Vendedor da concessionária: Já está pago, já está pago, já tenho o comprovante aqui de pagamento, já tem a autenticação no boleto.

O nosso produtor recebe então uma ligação da quadrilha, que informa um número de conta para ele depositar o dinheiro da compra do carro.

Golpista: Estou te ligando para passar os dados da conta, pode ser? A conta é do meu marido, tá? Kleber da Silva Siqueira.

Várias pessoas caíram no golpe e pelo menos 27 registraram boletim de ocorrência. O nosso produtor não depositou o dinheiro e começou a ser ameaçado.

Produtor: Acho que eu vou deixar pra lá isso daí…

Golpista: Vou ligar pra doutora agora, com o maior prazer. Ela vai está indo na delegacia abrir um boletim de ocorrência contra a sua pessoa. Como você acorda para trabalhar, a gente também acorda para trabalhar.

No hospital citado pelos golpistas, não existe nenhum doutor Ribeiro nem doutora Cristiane e nesta quarta-feira (25), Kleber da Silva Siqueira foi detido para averiguação ao sair de um banco.

Ele vai responder por estelionato. A polícia procura agora o resto da quadrilha. Kleber estava sacando dinheiro depositado por uma mulher, que pediu para não ser identificada. Ela conta que pagou mais de R$ 20 mil por um carro, que nunca iria receber. “Eu vi a nota da concessionária, os meus dados, o boleto autenticado. Aí eu efetuei o depósito. É muito ruim isso, eu não quero para ninguém isso.”