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Com desenho sóbrio, sedã traz sofisticação, desempenho e tecnologia, porém, deveria vir completo de fábrica

A linha de sedãs médios-grandes da Audi preenche os requisitos de etiqueta. A5 e A7 obedecem ao traje esporte fino: elegantes, mas com um toque despojado da carroceria em formato de cupê. O A8 é a tradução do traje de gala, com alto nível de sofisticação, mas corte tradicionalista. Já o A6 fica no meio termo, quase um traje social em estilo e posicionamento de preço.

No exterior, o sedã é considerado um carro executivo. Versões mais simples podem até virar táxi em alguns países, porém, a maioria será vendida para particulares que, digamos, “chegaram lá”. Tabelado em R$ 426.990, o sedã médio-grande chega a custar o dobro do A4 mais barato, mas ainda está muito distante do pedido em um A8.

Em estilo, o A6 está mais para A4 do que para o mais sisudo e presidencial A8. O modelo já apostou na ousadia extrema em sua segunda geração, lançada em 1997. Na época, o carro seguiu um pouco das linhas do quase conceito TT, especialmente no arco do teto arredondado. Não é que esse detalhe de estilo sobreviveu?

Embora não revolucione, o A6 marca presença. A grade hexagonal se expande em vincos que vão até os faróis Matrix de LED, cujos recortes são dentados na parte inferior para dar um jeito mais agressivo do que o do A8. Segundo a Audi, o tamanho enorme da grade ajuda a alargar visualmente o carro, da mesma maneira dos para-lamas crescidos em 2,5 cm à maneira dos antigos Quattro Sport, um toque também replicado pelos novos carros da Audi.

Os para-lamas são tanto um toque de estilo quanto uma necessidade técnica. Se não fossem tão largos, dificilmente conseguiriam encobrir as rodas aro 20 calçadas em pneus 255/40. Assentado no chão, o carro consegue cumprir com sucesso as proporções esperadas de um sedã premium, que sempre deve ser longo, largo e baixo.

A agressividade do perfil é completada ainda pela linha de vidro ascendente e pela pequena área envidraçada. As lanternas também são de LED e têm efeito tridimensional leve. Ao contrário do mais conservador A8, o A6 não tem uma ligação iluminada entre as lanternas, apenas uma peça cromada.

O A6 parece maior, contudo, suas dimensões são praticamente iguais às do antecessor. Não que a quarta geração fosse pequena. São nada menos do que 4,94 metros, 3 cm a mais que uma robusta Fiat Toro e ínfimos 0,6 cm extras em relação ao antecessor. O entre-eixos cresceu 1,2 cm e chegou a 2,92 m de distância.

O A6 tem construção nobre: é feito sobre a plataforma MLB-Evo, do Grupo Volkswagen, que também serve de base para modelos da VW, Porsche, Lamborghini e Bentley. A base é feita para motores longitudinais (a MQB para transversais).

A Audi, por sua vez, fez um rearranjo interno e deu um pouco mais de espaço para os pernas e troncos dos passageiros. Mesmo assim, a capacidade atrás é para apenas duas pessoas — o túnel central é muito elevado, uma vez que tem que abrigar o parrudo cardã do sistema Quattro de tração integral.

Pelo menos os dois ocupantes traseiros dispõem de ar-condicionado digital com controle de temperatura individual e entradas USB. Como não tem um caimento de teto igual ao do A7 Sportback, o A6 tem bom espaço para as cabeças dos que viajam atrás.

A Audi trouxe uma única versão do A6, batizada de Performance. A configuração vem sempre com o motor o V6 3.0 turbo de 340 cv e 51 kgfm de torque — a mesma motorização do A7 Sportback e Q8.

A tração, claro, é integral e a transmissão, automática de duas embreagens e sete marchas — em vez do automático convencional de oito velocidades.

De acordo com a marca, o A6 vai de zero a 100 km/h em 5,1 segundos e a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 250 km/h. É um velho acordo entre os fabricantes alemães.

O sedã também pode ser chamado de híbrido leve. Assim como o Q8, traz  bateria de íons de lítio e um superalternador para gerir o sistema elétrico primário de 48 volts.

Isso permite o A6 rodar entre 55 e 160 km/h com o motor desligado para economizar combustível. A tecnologia também serve para religar o motor a combustão sem que o motorista perceba. Ou seja, cumpre o trabalho de um motor de partida e mais um pouco.

Como anda?

O contato com o A6 foi ligeiro. Uma voltinha pela Aterro do Flamengo, um dos cartões postais do Rio de Janeiro, serviu apenas para constatar a qualidade de rodagem e que o motor V6 tem saúde suficiente para mover os 1.900 kg do sedã.

Muito por causa dos 51 kgfm de torque disponíveis já em sua totalidade a 1.370 giros, que se mantém constante até às 4.500 rpm. O câmbio S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas também faz um excelente trabalho e faz trocas rápidas e nos momentos certos, sem vacilar ou deixar buracos.

O destaque do sedã, no entanto, é a cabine. O bom acabamento com muitas partes revestidas de couro (que pode ser cinza, marrom ou preto). Elementos em preto brilhante e alumínio escovado se juntam ao trio de telas modernas. A primeira é a de 12,3 polegadas do Virtual Cockpit, o painel de instrumento totalmente digital. A tela pode ser reconfigurada e tem três interfaces.

A segunda é a da central multimídia, com 10,1”. Ela é intuitiva, fácil de mexer e de alta resolução. É compatível com Apple Car Play e Android Auto, porém só os smartphones dotados do sistema iOS podem espelhar via wireless -— os aparelhos com Android necessitam de cabo.

A terceira e última é inspirada nos Land Rover e fica logo à frente da alavanca do câmbio. Com 8,6 polegadas, o display controla basicamente o ar-condicionado, mas também abriga o “botão” do start/stop.

O volante multifuncional tem ótima pegada e repassa também ótimas respostas das rodas, que ficam ainda melhor no modo de condução Dynamic, o mais esportivo do seletor.

O A6 tem bons equipamentos na lista: destaque para a câmera 360º, assistente de estacionamento, de mudança involuntária de faixa de rodagem e de tráfego na traseira, controle de cruzeiro adaptativo e monitoramento da pressão dos pneus, além do sistema de som premium Bang & Olufsen. Itens básicos como regulagem elétrica do volante não está disponível – sem falar no carregamento de celular por indução.

Alguns itens são opcionais e oneram o preço final em R$ 39 mil: head-up display (R$ 10 mil), visão noturna no painel (R$ 16 mil) e faróis full-LED Matrix HD adaptáveis (R$ 13 mil). O valor chega a R$ 466 mil, uma diferença quase equivalente a um Renault Kwid Zen (R$ 39.590).

Pagar por opcionais em um carro tão caro causa estranheza. Sem falar que o BMW 540i tem desempenho bem afiado (zero a 100 km/h em 5,1 s), tração integral e pacote de itens tão completo quanto, nem mesmo tração integral ele deixa de oferecer, mas sai por R$ 422.950.

A despeito disso, a nova geração do A6 não fica para trás no segmento em termos de tecnologia, estilo, desempenho e equipamentos. Seja quem for dirigir ou, ao menos, sentar nos bancos de trás, o Audi veste muito bem.

FICHA TÉCNICA

Motor
Dianteiro, longitudinal, 6 cil. em V, 3.0, 24V, comando duplo, turbo, injeção direta de gasolina

Potência
340 cv entre 5.000 rpm e 6.400 rpm

Torque
51 kgfm entre 1.370 rpm e 4.500 rpm

Câmbio
Automática de 7 marchas e dupla embreagem, tração integral

Direção
Elétrica

Suspensão
Indep. McPherson (diant.) e Multilink (tras.)

Freios
Discos ventilados (diant. e tras.)

Pneus
255/40 R20

Dimensões
Compr.: 4,94 m
Largura: 1,88 m
Altura: 1,45 m
Entre-eixos: 2,92 m

Tanque
73 litros

Porta-malas
530 litros (fabricante)

Peso
1.900 kg

Central multimídia
10,1 pol., sensível ao toque; Android Auto e Apple CarPlay

Garantia
2 anos

Nova versão de temática noturna combina robustez da mecânica diesel a um visual invocado por R$ 166.690

Parece até uma nova série especial, mas a partir de agora a inédita S10 Midnight passa a fazer parte da gama de versões da linha 2019 da picape média. O modelo traz como novidade a roupagem preta, que justifica o sobrenome “meia noite”. Faróis usam máscaras negras e as gravatas da Chevrolet (na grade e na tampa traseira) são pretas, tal como as rodas aro 18. A pintura evidentemente é preta, da mesma forma que a cabine, onde bancos, portas e teto são revestidos com tecido preto. Para não dizer que tudo é preto, o volante traz a gravata no clássico dourado. Uma herança compartilhada da versão LT, na qual é baseada.

Lançada ao preço de R$ 166.690, a S10 Midnight usa a mecânica turbodiesel, que entrega toda a valentia que se espera de uma picape do seu porte. O motor 2.8 litros entrega 200 cv e um torque pesado de 51 kgfm a 2.000 giros, sempre associado ao câmbio automático sequencial de seis marchas. A tração 4×4 é bastante simples de operar e pode ser ajustada em movimento, pelo seletor giratório no console entre os bancos. Há três modos possíveis, exatamente como nas demais variantes: 4×2 (tração traseira), 4×4 (integral) e 4×4 reduzida (com bloqueio do diferencial, para um fora de estrada mais severo).

O traje noturno se completa dentro e fora com emblemas que trazem o nome Midnight. Mas foi durante o dia que a picape fez sucesso. Notei muitos olhares vindos das calçadas e no meio do trânsito de São Paulo. As rodas aro 18 pintadas em preto “Ouro Negro” — e calçadas com pneus Bridgestone Dueler II 265/60, mais voltados ao asfalto — de longe foram as campeãs de audiência. Quem olhava, imediatamente as contemplava. Não há como negar que a S10 já chama a atenção pelo porte. São 5,36 m de comprimento por 1,87 m de largura e 1,78 m de altura. Mas o visual invocado definitivamente lhe caiu bem.

Se seduz os olhos, talvez a simplicidade da cabine desaponte alguns interessados. Como nasce da versão LT, a S10 Midnight é modesta por dentro. A lista de série traz o trivial para o preço sugerido. Inclui ar-condicionado, volante revestido de couro com comandos do controle de cruzeiro e ajuste vertical, assistente de descida (para uso no offroad), controles de estabilidade e de tração, airbags frontais, travas e vidros elétricos nas quatro portas com acionamento por um toque, concierge OnStar e a central multimídia MyLink2, com tela touch de sete polegadas, uma USB e as interfaces Android Auto e Carplay.

O acabamento segue a linha espartana, feita para durar, com predomínio de plásticos rígidos de texturas sem muito glamour. Ao menos a parte central do painel é macia ao toque, simulando couro com costura, e as saídas de ar que envolvem a tela multimídia trazem moldura estilizada. De resto, a S10 Midnight repete o estilo e as limitações vistas na picape Chevrolet. O aspecto que mais deixa a desejar é a ergonomia. A posição de dirigir bem alta segue o padrão da classe, mas a ausência de ajuste de profundidade do volante dificulta o motorista a encontrar a melhor posição.

Sua altura também dificulta o acesso, mesmo trazendo estribos laterais. Menos mal que há puxadores na parte interna das colunas dianteiras, que facilitam o embarque. Em espaço, a S10 Midnight se vale da cabine dupla, capaz de levar cinco adultos sem aperto. Outro ponto positivo é a boa quantidade de porta-objetos a bordo. Só a entrada USB que fica mal alocada, no baú que serve de apoio de braço entre os bancos. Aliás, já era hora de a GM colocar outra entrada USB na picape. Mas de todos os equipamentos, o que mais fez falta foi a câmera de ré. Mesmo com retrovisores enormes, é difícil manobrar a S10 “às escuras”.

Em movimento, a versão agrada e até surpreende no conforto. O motor 2.8 enche rápido e logo entrega o torque máximo, que empurra a picape com bastante força. Por outro lado, a S10 ganha velocidade gradualmente. Não há uma tocada esportiva, a despeito da estética enfurecida da Midnight. Mas é notável seu poder de tração ao volante. O câmbio automático não é tão dinâmico nas trocas, mas impressiona o baixo nível de vibrações, obtidas com sistema de pêndulos CPA, que estreou no fim de 2017 com a linha 2018. O dispositivo minimiza o escorregamento do câmbio em baixas rotações, e facilita os engates.

Nos testes de pista, a picape registrou bons números. O zero a 100 km/h foi cumprido em 9,8 segundos, e a retomada de 60 km/h a 100 km/h levou 5,6 segundos, bela marca para o utilitário de duas toneladas. Entretanto, nas frenagens a S10 exige espaço. Para estancar totalmente a 100 km/h foram necessários 48,8 metros. Finalmente, do ponto de vista do consumo, o modelo a diesel tem suas vantagens. Em percurso urbano, foi apenas razoável, com 7,6 km/l de média, mas na estrada fez 12,7 km/l, chegando à média mista de 10,1 km/l. Com o tanque de 76 litros, sua autonomia atinge ótimos 767 km.

Vale a compra?

Depende. Em estilo, a versão Midnight talvez seja a S10 que mais se destaca. Não há como negar que a picape ganhou um toque emocional com a temática noturna e as rodas pretas. Por outro lado, os R$ 166.690 anunciados podem parecer salgados diante do pacote de equipamentos. Bancos revestidos de couro deixariam a cabine mais nobre. Mesmo assim, ainda faltam itens elementares, como câmera de ré, airbags laterais e comandos do som no volante (além de ajuste de profundidade da coluna de direção). Já a mecânica cumpre seu papel, entregando robustez para encarar terrenos mais difíceis e ótima autonomia.

TESTE

Aceleração
0-100 km/h: 9,8 segundos
0-400 m: 16,9 segundos
0-1.000 m: 31,4 segundos
Veloc. a 1.000 m: 161,6 km/h
Vel. real a 100 km/h: 97 km/h

Retomada
40-80 km/h (Drive): 4,2 segundos
60-100 km/h (D): 5,6 segundos
80-120 km/h (D): 7,4 segundos

Frenagem
100-0 km/h: 48,8 metros
80-0 km/h: 29,1 metros
60-0 km/h: 15,4 metros

Consumo
Urbano: 7,6 km/l
Rodoviário: 12,7 km/l
Média: 10,1 km/l
Autonomia em estrada: 767,6 km

FICHA TÉCNICA

Motor: Dianteiro, longitudinal, 4 cil. em linha, 2.8, 16V, injeção direta, turbo diesel
Potência: 200 cv a 3.600 rpm
Torque: 51 kgfm a 2.000 rpm
Câmbio: Automático de 6 marchas, tração integral com reduzida
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente com braços articulados (diant.) e feixe de molas (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)
Pneus e rodas: 265/60 R18 (diant. e tras.)

Dimensões
Comprimento: 5,36 m
Largura: 1,87 m
Altura: 1,78 m
Entre-eixos: 3,09 m
Tanque: 76 litros
Capacidade de carga: 1.134 litros
Peso: 2.016 kg
Central multimídia: 7 pol., sensível ao toque, com Android Auto e Carplay
Garantia: 3 anos
Cesta de peças**: R$ 8.717

Revisões
10 mil km: R$ 336
20 mil km: R$ 928
30 mil km: R$ 1.116

Preço sugerido: R$ 166.690

**Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro do ar-condicionado (elemento), filtro de ar do motor (elemento), jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível.

Edição especial do Citroën DS3 está em testes no Brasil

foto-imagem-Citroën-DS3Exclusividade. É isso que a Citroën estuda trazer ao país com o DS3 Faubourg Addict, uma edição limitada que oferece mais requinte em comparação à versão Sport Chic, vendida atualmente por R$ 82.490. Mas, se você bateu os olhos nas fotos desta página e gostou do carro que viu, se acalme. Ele está só sendo testado no Brasil e suas vendas ainda não foram confirmadas. Mesmo assim, já avaliamos o modelo – com exclusividade, como não poderia deixar de ser.

As diferenças entre ela e as customizações padrão do hot hatch começam pela carroceria. O Faubourg Addict é sempre pintado em roxo, combinado com o exclusivo teto em cinza. Nele, há ainda um adesivo que remete ao símbolo da linha DS. A marca de luxo da Citroën também aparece estampada nos retrovisores. Mas, não se trata de outro adesivo. A empresa usa uma técnica que imprime a laser para dar o acabamento final à capa dos espelhos. Notou alguma diferença nas rodas? Apesar de terem as mesmas 17 polegadas, a cor cinza é exclusiva. “É impossível encomendar um DS3 normal com essa roda, ela é reservada para esta versão”, explica Jeremie Martinez, responsável pela linha DS no Brasil.

É dentro da cabine que o modelo quer mimar os passageiros. Lá, destaque para os bancos de couro. Eles são pintados com outra tecnologia especial, que garante um efeito degradê. A tinta é aplicada diretamente no couro, abaixo da camada que finaliza o acabamento. Há, ainda, costuras que remetem à pulseira de um relógio. O bom estofamento das versões padrão da linha DS foi mantido na Faubourg Addict. O resultado é conforto garantido para os passageiros, especialmente os dianteiros, que são abraçados pelo molde esportivo.

Mas a cabine também abriga os pontos negativos do Faubourg Addict: é no painel central que a exclusividade ficou de lado. Baseada na atual versão topo de linha vendida no Brasil (Sport Chic com pacotes Conforto e Tecnologia – R$ 92.870), a edição especial conta com exatamente os mesmos equipamentos do carro comum. A central multimídia tem GPS e boa funcionalidade, é verdade. Mas, os comandos do ar-condicionado digital e especialmente do rádio, tem design muito simples para um carro que ficaria na faixa dos R$ 100 mil, segundo nossas estimativas. Outra derrapada é a ausência de mais itens de série, como ajustes elétricos para os bancos. A versão avaliada contava com aquecimento dos assentos, mas todos são manuais.

foto-imagem-Citroën-DS3

Desempenho

Sem alterações mecânicas, o desempenho continua o mesmo da versão vendida atualmente. O conjunto de motor 1.6 turbo de 165 cv e 24,5 kgfm com o câmbio manual de seis velocidades levam o hatch a 100 km/h em 7,7 segundos. As retomadas são ligeiras, ajudadas pelo efeito overboost do turbo. Automático, o recurso eleva o torque a 26,5 kgfm aos mesmos1.400 giros, porém só funciona da terceira marcha para cima. É que se o reforço viesse logo em primeira ou segunda marcha, seria um festival de destracionamento das rodas dianteiras. De 40 a 80 km/h, o DS3 precisa de apenas 5,2 s.

Além disso, a entrega de torque em baixas rotações deixa o modelo esperto mesmo na cidade, não precisava dessa força extra em todas situações. Os engates justos e precisos do câmbio contribuem com a pegada esportiva do modelo, além do seu conforto. Já as suspensões são ligeiramente duras, como se espera de um carro com essa pegada. Na hora de desacelerar para um ritmo mais tranquilo, o conjunto de discos ventilados na frente e sólidos atrás estanca com força o DS3, de 80 a 0 km/h são apenas 24,5 m.

Por enquanto o DS3 de luxo ainda não está confirmado no Brasil. Além dele, a Citroën estuda a vinda do DS4 também na versão Faubourg Addict, em um segundo momento. Caso as vindas se confirmem, o carro seria vendido como edição limitada, sob encomenda. Atrair os olhares por onde passa é garantia com qualquer carro da linha, ainda mais com o pacote de customização do Faubourg Addict. Mas não espere reforço tecnológico dentro da cabine…

Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta de gasolina
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 165 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5/26,5 kgfm a 1.400 rpm
Transmissão: manual de seis marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Pneus: 205/45 R17
Dimensões: compr.: 3,948 m, largura: 1,715 m, altura: 1,483 m, entre-eixos: 2,464 m Capacidades: tanque: 50 l, porta-malas: (aferição AE) 283 l
Peso: 1.165 kg

Números de teste

Aceleração: 0-100 km/h: 7,7 s; 0-400 m: 15,7 s
Retomada: 40-80 km/h (3ª marcha): 5,2 s; 60-80 km/h (4ª): 6,5 s; 80-120 km/h (5ª): 8,3 s
Frenagem: 100 km/h: 38,4 m; 80 km/h: 24,6 m; 60 km/h: 13,6 m
Consumo: 10,9 km/l (urb.); 15,2 km/l (rod.)

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Testando óculos google glass em carro camaro conversível no brasil

foto-imagem-dirigimos-usando-o-google-glassO Google Glass ainda nem chegou ao mercado e já divide opiniões. Enquanto uns acreditam que ele pode ajudar motoristas, há quem diga que ele será mais um motivo de distração ao volante. Para esclarecer a polêmica, dirigimos por alguns dias com uma das poucas unidades dos óculos digitais que estão no Brasil para explicar como eles podem ajudar ou atrapalhar no trânsito.

Conectado ao seu celular, o Glass mostra informações como navegação por GPS, alertas de ligações e e-mails direto no seu olho. Uma pequena tela posicionada acima da sua linha de visão se acende sempre que você recebe uma notificação, o que pode representar o fim das telas multimídia dos carros.

Já a pequena câmera embutida na armação dos óculos dá conta de fazer fotos e gravar vídeos (como este que você assiste abaixo) em alta resolução. Diferente de outros aparelhos já popularizados, o Glass promete fazer imagens mais parecidas com as que o próprio motorista enxerga.

foto-imagem-dirigimos-usando-o-google-glass

Longas duração

foto-imagem-a200-golfA 200: 24 660 km

Golf: 3 067 km

O Longa já teve vários carros com rodas grandes e pneus de perfil baixo, mas nunca atravessamos uma onda tão grande de pneus danificados em tão pouco tempo.

No mês passado, relatamos que o A 200 teve o pneu dianteiro direito condenado e que, devido à quilometragem já rodada, o correto seria trocar também o seu vizinho de eixo, o esquerdo. Porém, logo após o fechamento, o esquerdo também apresentou uma bolha. Em seguida, foi a vez de o Golf ganhar um calo no pneu. Com exceção da primeira, as demais bolhas brotaram sem que um grande impacto fosse relatado pelos motoristas. Por esse motivo, convocamos a equipe e pedimos atenção redobrada ao volante.

O par de pneus do Mercedes saiu por 2 945 reais e nos levou a fazer uma viagem até o Paraná: a única autorizada que tinha os itens era a Divesa, em Curitiba. De volta a São Paulo, na revisão dos 24000 km solicitamos a troca dos pneus e uma verificação dos ruídos na dianteira e nos cintos.Após dois dias de serviço, pagamos 1225 reais: 300 pela montagem dos pneus, alinhamento e balanceamento, 336 pelo filtro de cabine e 589 da revisão em si, com troca de óleo e filtro.

No caso do Golf, a própria rede sugeriu uma saída de baixo custo. “Transforme o conjunto danificado em estepe. Só é preciso lembrar de não atingir alta velocidade caso algum dia precise colocar novamente o pneu com bolha para rodar”, disse o consultor da Itavox.

Consumo A 200

No mês (26,4% na cidade) – Gasolina 10 km/l

Desde jul/13 (32,4% na cidade) – Gasolina 10,6 km/l

Consumo Golf

No mês (27,4% na cidade) – Gasolina 10,6 km/l

Desde dez/13 (43,5% na cidade) – Gasolina 10,4 km/l

Troca injusta

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Na última década, o maior rigor das leis antipoluição e a busca por carros mais eficientes encontrou na elevação da calibragem dos pneus um forte aliado. Cada vez mais, os automóveis saem com uma única indicação de calibragem, tanto para vazio como para carregado. Sobre esse estabelecimento de uma calibragem fixa, as fábricas têm um discurso comum: “O carro é projetado contemplando os pneus de calibragem única e por isso não há comprometimento de conforto e segurança em nenhuma das condições”. Na prática, não é bem isso o que acontece.

Nosso 208 se opõe a essa “moda”: a etiqueta que ele traz na coluna central exibe calibragens distintas para três condições: vazio, carregado e para redução de consumo. No caso do hatch, havíamos decidido encarar os 60 000 km com a calibragem “econômica” (36 libras nas quatro rodas). Até que promovemos uma rodada de testes específicos de consumo.

Realizamos os ensaios primeiramente com 29 libras, a calibragem indicada pela Peugeot para o carro vazio. Resultado: 7,5 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada. Após utilizar o mesmo calibrador, mas regulado para inflar os pneus com 36 libras de pressão – a recomendação para redução de consumo –, repetimos os testes. Registramos os mesmos 7,5 km/l na simulação de uso urbano e 11 km/l na de rodoviário. Com base no ganho insignificante em termos de consumo e nos relatos dos editores Paulo Campo Grande e Péricles Malheiros, que destacaram o severo comprometimento do nível de conforto ao rodar com a calibragem de economia com o carro vazio na cidade, decidimos que os pneus do nosso 208 serão tratados à moda antiga, respeitando as recomendações de vazio e carregado.

Consultado, um engenheiro da Pirelli que pediu para não ser identificado disse: “É mesmo esperado que os ganhos se mostrem mais evidentes no consumo rodoviário. A calibragem única facilita a vida no dia a dia, mas ela nunca será tão eficiente quanto a adoção de pressões distintas para condições distintas”.

Consumo

No mês (47% na cidade) – Etanol 9 km/l
Desde ago/13 (52,6% na cidade) – Etanol 8,4 km/l

Diário

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O processo de desenvolvimento de um carro caiu de oito anos, na década de 60, para apenas três

foto-imagem-desenhocarro está de tal forma incorporado à nossa vida que nem nos damos conta da complexidade do seu desenvolvimento. Mas o processo de concepção e validação de um projeto já foi bem mais complicado.

O tempo médio entre o primeiro esboço nas pranchetas até o início da fabricação em série de um modelo totalmente novo chegava a oito anos.A partir da década de 1980, esse período de desenvolvimento passou de oito para seis anos. Isso graças à substituição da calculadora e prancheta por sistemas eletrônicos, como o programa de computação chamado Nastran, desenvolvido pela Nasa, capaz de realizar cálculos estruturais precisos.

A adoção do CAD CAM, programa criado para uso em arquitetura ainda nos anos 50, mas apenas adotado em larga escala pela indústria automobilística na década de 90, propiciou uma verdadeira revolução no design automotivo, aposentando de uma vez os desenhos na prancheta. “Os programas eram extremamentes complexos, mas permitiam reduzir consideravelmente o período de desenvolvimento”, diz Heymann Leite, professor de gestão de projeto automotivo da FEI/FGV. Mas nem só o design foi beneficiado. “A fase que mais levava tempo era a dos testes de resistência e durabilidade, pois era nessa fase que se verificavam todos os erros de projeto”, diz Pedro Manuchakian, ex-vice-presidente de engenharia de produto da GM América do Sul.

Hoje um automóvel pode ser quase inteiramente desenvolvido virtualmente. Programas cada vez mais específicos e realistas são capazes de realizar praticamente todas as etapas de um projeto. Testes reais se tornam necessários apenas para confirmar o que é simulado em ambiente virtual. As simulações matemáticas são a tal ponto confiáveis que as fábricas já vislumbram o dia em que terão de produzir apenas as unidades destinadas a ensaios exigidos por lei, como os de segurança (crash-test) e ambientais (emissões e ruídos).

 

 

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Realidade virtual 
A combinação de novas possibilidades economizou tempo e recursos. Desde a década de 2000, o ciclo entre concepção e produção passou para 36 meses. Decisiva para isso foi a introdução da tecnologia de realidade virtual, a possibilidade de montar produtos virtualmente antes de fabricá-los de fato. Nascido na indústria cinematográfica, o recurso se popularizou através de videogames como o Wii, da Nintendo, e o Kinect do Xbox, da Microsoft.

No Brasil, as primeiras aplicações de realidade virtual nas empresas surgiram há nove anos. A Embraer, uma das pioneiras na utilização eletrônica, cria maquetes de seus aviões num centro de realidade virtual em São José dos Campos (SP). Em 2002, fazia isso para apenas dois modelos de jato. Nos últimos anos, faz para 12 de seus 18 modelos. Pelo método antigo, o ERJ 145 levou 60 meses para ser concebido. Com o uso da realidade virtual, seu sucessor, o Embraer 170, precisou de apenas 38 meses. Para dar uma ideia da evolução na indústria aeronáutica, a empresa americana Lockheed Martin, fabricante de equipamentos para aviões, tem uma tecnologia que transforma os técnicos em personagens virtuais. Os movimentos reais são detectados por 24 câmeras, que reproduzem avatares que modificam os protótipos virtuais. Os ajustes só são feitos nos aviões depois que todos os testes virtuais forem completados. Segundo a Lockheed, simulações como essa permitiram a economia de 50 milhões de dólares no desenvolvimento dos aviões em 2006.

No caso dos automóveis, os testes de simulação virtual são responsáveis pela otimização do tempo de desenvolvimento pela metade. “A indústria automotiva sempre teve o objetivo de chegar ao desenvolvimento tecnológico aeronáutico. A adoção da simulação virtual era natural”, diz Manuchakian, ressaltando o ganho com a redução de protótipos. “Eles representam a parte mais custosa no desenvolvimento de um carro novo.”

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A redução é de 40% a 50% na frota de experimentação. “O que fazíamos em meses apenas com os testes

fisícos em campo de provas diminuímos para semanas com a simulação virtual”, diz Heymann. “Na General Motors conseguimos diminuir de 50 para 30 os protótipos dos testes de desempenho. Nos de durabilidade, reduzimos de dez para quatro”, afirma Manuchakian.
O Brasil atualmente tem papel importante nesse desenvolvimento. Montadoras como a General Motors e Volkswagen têm centros de simulação virtual e desenvolvem novos modelos desde a concepção até a fabricação.

Na Volkswagen, a realidade virtual teve investimentos de 4,2 milhões de reais. A empresa possui uma fábrica digital, que simula os processos de produção dos carros. Até 2004, quando não havia simulações em 3D, os projetistas levavam uma semana para avaliar a capacidade de estampar as peças de metal. Agora esse prazo caiu para um dia. E eventuais problemas da produção são antecipados na simulação, o que evita compras adicionais de peças ou ferramentas. Segundo cálculos da VW, desde que o processo foi adotado, a economia chegou a 1 milhão de reais. O design também saiu ganhando com a realidade virtual. “São utilizados bonecos virtuais para simular os movimentos de crianças e adultos”, diz Heymann.

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A General Motors, por sua vez, investiu cerca de 100 milhões de dólares em seu centro tecnológico em São Caetano do Sul (SP). “A análise virtual antecipa e otimiza a montagem. Antes isso só era possível em fases avançadas do desenvolvimento”, afirma Manuchakian.

Ainda que cerca de 70% de todos os ensaios realizados pela engenharia experimental e centro de design sejam virtuais, segundo Manuchakian, com 41 anos de GM, a eletrônica na indústria tem espaço para avançar, pois ainda dependemos dos testes físicos para alguns ensaios específicos. “Avançamos pouco no que se refere à sensibilidade de materiais, ou seja, a escolha da textura de revestimentos internos e carroceria só pode ser realizada por meio da construção de protótipos”, diz ele. A calibração do motor também representa ainda um desafio para a simulação virtual. “No início do desenvolvimento do motor, a calibração é eletrônica, mas no fim do desenvolvimento são necessários os testes em campo de provas”, afirma Heymann.

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Com todos os avanços, ainda parece longe no horizonte o dia em que o virtual vai substituir totalmente o real no desenvolvimento de produto: foram necessários 220 protótipos do Cruze, que totalizaram 6,4 milhões de quilômetros em testes de durabilidade e resistência. E os campos de provas nunca estiveram tão ocupados como agora, quando as linhas de produtos são cada vez maiores e se renovam em prazos cada vez menores.

 

 

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TROPICÁLIA

Nas décadas de 70 e 80, todo o processo de desenvolvimento ainda era realizado fora do país e cabia à nossa engenharia apenas tropicalizar os modelos globais. “As alterações mais relevantes aconteciam na suspensão, pois nossos pavimentos são mais irregulares que os americanos e europeus”, diz Manuchakian. Os modelos “aclimatados” também passavam por testes de durabilidade no campo de provas para verificar qual a calibragem ideal para a realidade dos nossos caminhos. Foi o caso, por exemplo, de Ford Escort e Chevrolet Opala. A partir da década de 80, as fábricas começam a se estruturar para o desenvolvimento de carros por aqui. Em 1985, a área para teste de impacto em barreira fixa da General Motors foi inaugurada em Indaiatuba (SP). Houve também o investimento nos campos de provas, que ganharam pavimentos diferenciados para viabilizar os ensaios de durabilidade e resistência.

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Voando baixo: aceleramos o Renault Mégane RS

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A Renault quer vestir suas roupas mais sedutoras. E não só no exterior, onde as novas palavras de ordem da marca são simplicidade, sensualidade e calor. Também aqui, a “sensualização” deve ficar mais pesada com a chegada do Mégane RS. A importação não foi confirmada oficialmente. Afinal, a sedução passa pelo jogo do “vem mas não vou”, mas fonte ligada ao fabricante dá a vinda como certa. Será o retorno da marca a uma tradição esportiva que remonta aos antigos Alpines feitos por aqui sob licença pela Willys, sem falar nos Gordinis, todos pilotados por nomes como Bird Clemente, Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace.

Para quem curte esportividade, os preços do RS deverão ficar acima de R$ 120 mil.
Quem se dispuser a gastar tanto levará para casa um modelo de tração dianteira dos mais afiados. Para se ter uma ideia, as revistas estrangeiras costumam compará-lo a medalhões do naipe do Audi TT-RS e BMW M135i. Cacife para isso ele tem: em testes no desafiador traçado de 20,8 km do circuito alemão de Nürburgring, o Mégane RS bateu a marca de 8,07 minutos. Ainda que o recorde tenha sido cravado por Laurent Hurgon, piloto oficial da Renault após dezenas de voltas, é um resultado respeitável diante dos rivais bem mais potentes.

Como antecipação é uma forma de aumentar ainda mais a vontade, o primeiro contato que tive com o Mégane RS foi servido à francesa. Primeiro, a entrada apresentada sob a forma de um deslocamento rápido entre São Paulo e Itapirina, pouco mais de 200 km cobertos ao volante de um Fluence GT de 180 cv e 30,6 kgfm de torque.

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Bom aperitivo, já que o Fluence é parente de plataforma do Mégane. Porém, o projeto de origem sul-coreana não chega perto do apetite do esportivo montado em Palencia, Espanha. Para começar, o Mégane RS eleva a potência do 2.0 turbo para 265 cv a 5.500 giros. O torque de 36,7 kgfm é despejado entre 3.000 e 5.000 rpm, mas a 1.900 rotações já conta com 80% dessa força. Opeso é de 1.387 kg – relação peso/potência de 5,4 kg/cv.

Ao olhar para esses números, dá para ver que o lugar desse Mégane é em uma pista. Porém, no lugar de um autódromo, a Renault marcou o primeiro encontro para o aeródromo de Broa. Lá nos esperavam duas unidades do Mégane RS, um convencional preto e outro Cup amarelo. A empresa pensa em trazer ambas. O estilo ainda é sensual, mesmo tendo sido lançado em 2008. Ainda mais na versão apimentada, que acentua o jeito de kit car – aqueles carros recriados para ser debulhados nos ralis. A pista de 1.450 metros não seria o único lugar onde eles seriam colocados à prova. Em frente aos hangares, cones demarcavam uma pista travada para a demonstração das habilidades do esportivo.

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Famoso por seu equilíbrio, o Mégane RS se garante com alguns truques. Para começar, a suspensão dianteira mantém o esquema McPherson, mas separa a estrutura responsável pelo amortecimento (torre do amortecedor e bandeja inferior) da manga de eixo que traciona a roda. Assim, elimina boa parte do esterçamento por torque, aquela fisgada forte para o lado que os carros de tração dianteira dão quando se acelera fundo, saindo do rumo pretendido. Rivais como o Ford Focus RS e o Opel Astra GTC usam a mesma mágica. Atrás, um bem ajustado eixo de torção cumpre o serviço, enquanto grossas barras estabilizadoras, ainda mais parrudas no Cup, seguram a rolagem da carroceria.

Claro que o melhor é conferir isso na prática. Para começar, é hora de escolher o modus operandi. Nada do programa Normal de funcionamento, que limita o poderio a 250 cv e 34,7 kgfm de torque. Basta pressionar o botão à esquerda do volante para acionar o modo Sport. Isso muda o volume do escape e a resposta do acelerador, e deixa o controle de estabilidade mais permissivo. O ESP pode ser desligado no modo mais purista.

Quem ouve o Mégane RS acelerar dificilmente diria se tratar de um quatro cilindros. Com limite de 6.500 giros, o motor nunca se torna estridente. Mantém o tom de barítono até o final, escalada maliciosamente entremeada pelo espocar do escapamento nas mudanças. Basta arrancar forte para ele desembestar, devorando cada metro da pista. A direção elétrica tem respostas prontas (com relação direta de 14,75). Basta jogar que o carro aponta sem derrubar cones, enquanto os freios a discos ventilados, com pinças Brembo, respondem sem perder eficiência mesmo após dezenas de voltas.

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Tudo envolto no habitáculo que parece uma versão aperfeiçoada da cabine daquele Fluence que me levara até ali. Ar-condicionado dual zone, som Arkamys 3D, bancos elétricos com memória, faróis bixenônio e leds diurnos fazem parte do pacote. Não foi possível testar a suspensão sobre piso ruim, porém é certo que o conforto é algo relativo em um carro cujo acesso traseiro é mais voltado a praticantes experimentados de “le parkour”, talvez os únicos que entrem e saiam dali com desenvoltura.

Se ele foi feito mesmo para acelerar, havia ainda o preparado Cup. Nada de ajustes eletrônicos: aqui os engenheiros tiveram mais peso que os programadores. O eixo dianteiro conta com um diferencial de deslizamento limitado (LSD). A sigla já desvirtuou muitos, mas no Mégane serviu para deixá-lo no caminho certo. Com ele, a roda que tem maior tração recebe mais força e as trajetórias ficam ainda mais fechadas. Os pneus Continental 235/35 aro 19 no lugar do jogo Dunlop 225/40 aro 18 do Mégane RS básico também dão uma mão. Por dentro, bancos tipo concha deixam claro que aquele é um ambiente esportivo.

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Era chegada a hora de levar o RS para brincar na curta reta, onde ele triscou os 200 km/h no final do quilômetro lançado, ainda distante dos 254 km/h de máxima. Segundo a Renault, até os 100 km/h são gastos apenas seis segundos. As marchas são curtas, e a caixa parece mais certeira que no Fluence. O limite de giros chegava cedo e um alerta visual no conta-giros e um bipe e sonoro dava a deixa para as passagens. A superioridade terrestre era do Mégane Cup. Contudo, um Tucano T27 da Esquadrilha da Fumaça dominava o espaço aéreo, entre loops e peripécias. Cada um no seu território de domínio, mas com o mesmo caráter acrobático. E com a missão compartilhada de serem armas de exibição.

Testamos o Sonax Flexi Blade, que promete secar a uso de pano

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Quantas horas você já perdeu secando seu carro, espremendo o pano, enxugando de novo… para no fim ver que a lataria ainda estava meio molhada? A situação pode piorar quando se usa para isso o mesmo pano da lavagem, já que há que a possibilidade de impurezas ficarem grudadas no tecido e riscarem a pintura.

Mas há um novo método que consegue ser mais rápido e prático para enxugar a carroceria sem precisar torcer panos. Produzido pela alemã Sonax, o Flexi Blade é uma espécie de rodo de silicone que promete deixar a lataria sequinha com rapidez e sem esforço. Para comprovar se ele é tudo isso mesmo, fizemos o teste em três diferentes perfis de lataria: um Chevrolet Astra, com vincos e cortes retos, um Chevrolet Corsa, de linhas arredondadas, e um Renault Logan, com estilo intermediário. Comandando a avaliação estava o especialista Erivan Prado Cerqueira, 39 anos, que trabalha no Cesvi Brasil testando produtos automotivos e tem 22 anos de experiência na área de pintura.

O uso é bem simples, mas exige alguns minutos de prática para pegar a manha, a fim de não deixar linhas de água pelo caminho. O segredo é fazer movimentos suaves com a lâmina de silicone. Quanto mais o Flexi Blade é pressionado contra a carroceria, melhor o resultado, mesmo em superfícies irregulares, como uma lateral com frisos ou um para-choque com desníveis. Percebemos que, em veículos que foram recentemente encerados, o produto tem desempenho ligeiramente menor que em uma lataria sem enceramento.

Nos três automóveis, o resultado foi ótimo. O Flexi Blade conseguiu secar a carroceria em pelo menos metade do tempo que seria gasto com um pano comum. “O Flexi Blade realmente funciona e garante conforto ao usuário”, diz Erivan Cerqueira. “Com uma simples aplicação, o produto remove totalmente a água, inclusive em cantos ou vincos mais complexos.” Vendido no Brasil pela loja virtual da Miromi, o Flexi Blade custa 49,90 reais.

O Silêncio do Hyundai HB20

foto-imagem-Hyundai-HB20Uma volta de menos de 30 km foi suficiente para que o diretor de redação Sérgio Berezovsky se impressionasse com a silenciosa cabine do nosso HB20 de Longa Duração. “Em ponto morto, a ausência de ruído e o baixo índice de vibração se destacam”, disse. Assim como defeitos, elogios também servem de ponto de partida para uma apuração mais aprofundada de sua origem.Solicitamos um HB 1.6 à Hyundai e rumamos para o campo de provas, em Limeira (SP) – nosso HB de Longa foi junto. Submetemos ambos ao nosso teste de ruído padrão, com medições em ponto morto, rotação máxima, a 80 km/h (em quarta marcha) e 120 km/h (em quinta). Primeiro a ser medido, o HB de fábrica apontou, respectivamente, 34,5/69/63,3 e 68,4 dBA. Confirmando a boa impressão do diretor de redação de QUATRO RODAS, o HB20 de Longa registrou, na mesma ordem, <34/68,2/62,1 e 67,2 dBA. Ou seja, nosso HB é mais silencioso que o da Hyundai, com um nível de ruído em marcha lenta abaixo do mínimo detectável pelo nosso decibelímetro, 34 dBA. O resultado é surpreendente, pois o modelo cedido pela Hyundai faz parte de uma frota de imprensa, que costuma ser atendida por uma manutenção especialmente caprichada.

A análise também incluiu algumas passagens pela pista de paralelepípedos. Cercada por paredes, ela permite a detecção de ruídos não apenas provenientes da própria cabine, mas especialmente da suspensão. Novamente, o carro de Longa teve vantagem.“O modelo emprestado pela Hyundai apresentou um ruído na suspensão. Era algo muito sutil, como uma pequena folga de bucha de bandeja. Nas passagens com os vidros fechados, para avaliação do ruído interno, os dois HB20 se mostraram bem silenciosos”, disse o editor Péricles Malheiros, responsável pelo teste.

O designer Gabriel Caetano, que fez uma viagem até o Rio de Janeiro (RJ), elogiou a boa dirigibilidade e, assim como a maioria, o baixo nível de ruído.

Consumo

No mês (24,9% na cidade) – Etanol 9,4 km/l

Desde dez/12 (25,6% na cidade) – Etanol 8,5 km/l

Principais Ocorrências

8 597 km – Trepidação da palheta do limpador de para-brisa esquerdo
10 067 km – Pneu com banda de rodagem cortada por linha de pipa com cerol

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