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Brasileiro vira celebridade mundial fazendo recriação digital de clássicos nacionais. O sucesso foi tanto que um deles até virou carro de verdade

mineiro Robert Ramos é designer gráfico desde os 16 anos. Apaixonado por carros, curtia desenhar automóveis no Photoshop nas horas vagas. O que ele nunca imaginaria é que suas criações um dia conquistariam fama internacional.

Hoje, com 28 anos, esse autodidata de Belo Horizonte (MG) virou uma celebridade no meio – seu Instagram @robertdesign já tem 109.000 seguidores.

Ficou conhecido no mundo devido à qualidade das recriações modernizadas que fez de clássicos nacionais como VW SP2, Karmann-Ghia, Puma, Fusca, Opala e Chevette.

O sucesso nas redes sociais foi tamanho que hoje ele vive do que era hobby: cria projetos virtuais, com seu toque retrô, para que outros possam construí-los em tamanho real. “Nem sempre o cliente segue totalmente o desenho, mas tudo começa ali”, diz.

E foi justamente um de seus fãs que o projetou mundialmente. O americano Jamie Orr é embaixador mundial da VW e roda o mundo promovendo modelos customizados da marca. Jamie se apaixonou por uma Saveiro tunada que viu no perfil de Robert, que deu autorização para que o projeto ganhasse vida.

O carro foi construído no Brasil e Jamie lançou-o no BGT (Bubble Gun Treffen) Brasil de 2018, evento dedicado a carros do grupo VW (inclui Audi e Seat), que é inspirado no GTI-Treffen, tradicional evento em Reifnitz, Áustria.

Jamie levou a Saveiro depois para os Estados Unidos, onde será exposta no Sema Show, que é considerado a maior feira de automóveis personalizados do mundo, que acontece em dezembro. Após isso, há até planos da Saveiro acelerar em Nürburgring.

Há mais de uma dezena de projetos de carros voadores que podem se tornar realidade nos próximos anos; quer dizer, se a legislação permitir

Depois dos carros autônomos, aqueles que levam e trazem passageiros sem a necessidade de um motorista, o universo dos veículos avança na discussão dos chamados “carros voadores”. Sim, eles já existem. No papel, em maquetes, em testes e, não muito distante, no solo e no céu. Há, hoje, mais de uma dezena de projetos em desenvolvimento ou já em testes pelo mundo. Alguns, é bem verdade, parecem pura utopia, dada a falta de cuidados com a segurança. Outros, no entanto, sinalizam que há seriedade e racionalidade por trás dos protótipos.

“Estamos prestes a ver uma nova era de máquinas voadoras elétricas personalizadas”, diz o designer de transportes Paul Priestman, em entrevistas aos veículos internacionais. Ele crê que os aviões de passageiros elétricos são agora uma possibilidade e acrescentou que a ascensão dos drones aponta para novos tipos de aeronaves.

Toda essa conversa de carro voador teve início nos anos 1950, com o primeiro protótipo que se tem notícia, o Flying Jeep da Usaf, a Força Aérea dos Estados Unidos. Ele foi desenvolvido em 1959 pela Avro Aircraft sob contrato da Usaf. Ou seja, como muitas inovações, o carro voador nasceu com a ideia de atender a fins militares e não comerciais.

Apesar do tempo e do investimento em torno do projeto, Juliano Sansão, engenheiro de sistemas que atua no mercado de carros elétricos com desenvolvimento de sistemas embarcados, conta que ele foi abandonado pela mesma razão que hoje os carros voadores ainda são protótipos. “A questão mecânica e de controle já são dominadas. Os computadores e sistemas de propulsão avançaram muito e são acessíveis para qualquer empresa. Porém, torná-los seguros é que é o problema”, explica Sansão.

O maior problema hoje é a confiabilidade e certificação desses veículos voadores. “Imagine que alguns sistemas críticos em uma aeronave comercial chegam a ter uma probabilidade de 10-9, o que é quase impossível de ter uma falha. Esses sistemas são críticos para a segurança de voo e normalmente atingem essa taxa com diversos sistemas funcionando em paralelo ou monitorando um ao outro. Para esse tipo de arquitetura de veículo, essa questão se torna grave, porque a dependência do sistema de controle é imensa”, observa Sansão.

Na prática, isso significa que para uma vida ser colocada nas mãos dessa aeronave, ela tem que ter uma probabilidade de falha beirando o impossível, o que em si é um desafio enorme. É aí que as empresas investem.

Estima-se que, em breve, o EHang 184, um drone supercrescido com quatro hélices e capacidade para um passageiro, capacidade para suportar até 100 kg, voar até 500 metros de altura e autonomia de cerca de 20 minutos, começará a operar em Dubai. “Na análise da maioria dos pesquisadores aeronáuticos, é um risco imenso, justamente por causa da confiabilidade.”

E mesmo se resolverem a questão da confiança técnica, ainda haverá a barreira da legislação. “Como funcionaria um bairro com vários carros voadores? Isso demandaria um controle do espaço aéreo para impedir que um vizinho não se chocasse com o outro”, observa Sansão.

Hoje, cada empresa busca um fim. Enquanto a Urban acredita no uso militar e de resgate de homens em áreas inóspitas a baixa altitude, a eHang e a Aeromobil, protótipo eslovaco “voltado a compradores de risco e entusiastas de voo”, querem uso comercial.

A AeroMobil é considerada uma das mais inteligentes pelos especialistas, uma vez que ela usa o conceito de carro voador com asas. Ao decolar, ele abre asas e o sistema de propulsão impulsiona uma hélice quando está no chão. E o sistema passa a mover a roda como se fosse um carro. Ele desacopla da hélice e acopla no eixo do carro. Ou seja, é praticamente um carro que abre asas.

A fabricante destaca o uso de tecnologias já existentes tanto no universo automotivo quanto da aviação. Como um carro que se encaixa em qualquer espaço de estacionamento padrão, utiliza gasolina regular e pode ser usado no tráfego rodoviário como qualquer outro carro. Pode usar qualquer aeroporto do mundo, mas também pode decolar usando qualquer faixa de grama ou superfície pavimentada de apenas algumas centenas de metros de comprimento.

“Você vê a preocupação deles com a segurança. Até paraquedas balístico eles têm. Já a eHang insiste em uma arquitetura mais próxima de um drone, que é altamente ineficiente e perigosa. Ela quer algo hoje que ainda não é possível”, alerta Sansão.

Ainda há muitas perguntas sem respostas. “Não é tão simples quanto colocar um carro na rua. Está sendo criada uma categoria de transporte onde não se tem habilitação para ela. Quem vai operar e em quais condições? Se tudo estiver congestionado, onde pouso essa máquina? São questões extremamente importantes e delicadas”, questiona Philipe Figueiredo, diretor de vendas de aeronaves da Líder Aviação. O executivo responde que observa tudo com muita atenção para, quem sabe, considerar como opção de transporte aéreo no futuro.

Mas o que esperar efetivamente no médio a longo prazo? “No futuro, com a legislação muito bem acertada e o veículo totalmente autônomo, será possível de fato termos um VTOL (Vertical Take-Off and Landing ou Decolagem e Aterrissagem Vertical) na garagem”, acredita Sansão. O que parecia utopia vai, uma hora, se transformar em realidade. Da mesma maneira que os carros elétricos se beneficiaram da indústria de baterias dos celulares, os veículos voadores irão se beneficiar dos carros autônomos.