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Carros por assinatura – Locadoras ‘turbinam’ vendas de veículos, viram rivais de concessionárias e mudam jeito de ter carro

Além de revender usados, empresas conquistam espaço com aluguéis de longo prazo de veículos zero. Veja o que pensa quem aderiu ao carro por assinatura e como saber se vale a pena.

Começar todo ano com carro novo é um desejo que “cabe” em poucos bolsos. Mas novos jeitos de se ter carro, que não a tradicional compra na concessionária, estão tornando isso mais possível.

São aluguéis por prazos mais longos de veículos zero quilômetro comprados direto — e com desconto — das montadoras pelas locadoras. É o chamado carro por assinatura.

Com mais esse serviço, além de terem se tornado rivais das revendedoras de usados, abrindo lojas para negociar carros que saem da frota, as locadoras agora disputam clientes com as concessionárias.

A força é tão grande que as vendas feitas pelas montadoras direto para empresas, entre elas as locadoras, representam quase metade do total de emplacamentos de carros no ano passado no Brasil, o maior percentual histórico.

Como saber se vale a pena

Se você está pensando em aderir ao carro por assinatura, é importante deixar claro que cada caso exige um cálculo: o quanto você tem para investir em um veículo e a sua necessidade de uso, por exemplo, são itens que devem ser levados em conta.

O primeiro passo é calcular o custo de propriedade, isto é, tudo o que envolve ter um carro em seu nome, para depois comparar com os planos oferecidos pelas locadoras.

Tenha em mãos:

  1. valor do veículo (à vista ou financiado), considerando a versão desejada — para saber, consulte as seções “monte seu carro” nos sites das marcas;
  2. custos com documentação (primeiro licenciamento) e emplacamento, que podem ser obtido nos sites dos Detrans;
  3. valor do IPVA, que pode ser consultado no site das secretarias estaduais da Fazenda;
  4. valor do seguro (peça uma cotação de acordo com seu perfil);
  5. valor das manutenções do veículo, que pode ser conferido no site das fabricantes;
  6. depreciação média do veículo usado.

O G1 calculou o custo de compra, propriedade e depreciação de 3 veículos de categorias diferentes disponíveis nas principais locadoras do país.

Foram considerados valores de tributos do Estado de São Paulo, seguros para um morador da capital paulista, cotados pela Minuto Seguros, manutenções de acordo com os valores divulgados pela fabricantes, depreciação segundo os dados da Agência AutoInforme e financiamento pelo banco Bradesco, com simulações com 30% de entrada, ou sem entrada, e pagamento em 24 meses.

Nos casos em que o valor da entrada pode ser aplicado, foi considerado o rendimento igual à taxa Selic, 4,25% ao ano.

Como a Localiza não possui planos de 2 anos, ela ficou de fora da simulação.

Segundo a professora dos MBA’s da Fundação Getúlio Vargas, Myrian Lund, nos casos em que o pagamento é feito à vista, ou com entrada, é preciso também considerar o retorno que o comprador teria, caso investisse o dinheiro.

Ela também ressalta que, quanto mais longo o financiamento, mais caro fica o veículo ao final do contrato. “Um carro locado pode ser mais próximo de ser vantajoso, principalmente para quem utiliza financiamento”, disse.

Outra questão alertada por Lund é o valor de revenda dos seminovos. “Pode haver variação. Quando se vende na concessionária, o valor é menor do que para particulares”, completou.

Também é preciso considerar questões que não podem ser monetizadas, caso do tempo gasto com as burocracias de emplacamento de um veículo, ou todos os trâmites na hora anunciar e vender o carro.

Como funciona

As principais locadoras do Brasil oferecem carros por assinatura; uma seguradora também tem o serviço (veja mais detalhes ao final da reportagem).

Funciona assim: ao fechar um contrato de pelo menos 30 dias, o cliente paga uma mensalidade e tem direito a um veículo zero quilômetro com seguro, manutenção e documentação inclusos. Há contratos de até 3 anos e meio.

Além de se livrar dos gastos com seguro, manutenção, documentação, emplacamento e tributos, não é preciso se preocupar com depreciação e ter trabalho para vender o veículo depois: basta devolver para a empresa.

O gerente financeiro Thiago Ferreira começou a usar o serviço quando se tornou motorista de aplicativo, outro nicho importante de clientes das locadoras. Mesmo quando parou, continuou alugando.

“Financeiramente, parece ser mais caro, mas, a longo prazo, é mais barato”, afirma Ferreira.

Ele escolheu um Jetta e está com o veículo há cerca de 10 meses, também pagando uma mensalidade de R$ 2,2 mil. Pretende trocar por um outro em breve. “O contrato permite que eu troque por um outro, novo”.

Por outro lado, é preciso levar em consideração que alguns serviços são pagos à parte. É o caso de incluir condutores adicionais.

O que diz quem aderiu

Esqueça a imagem de carro branco e popular: nos aluguéis a longo prazo, as locadoras contam até com modelos luxuosos, variedade de versões e de cores, assim como as concessionárias.

Quem abriu mão de ter um carro em seu nome diz que a vantagem está em deixar de arcar com gastos extras, como IPVA e seguro, além da possibilidade de trocar por um novo em um prazo determinado. Ou seja, ter sempre um carro zero nas mãos.

A principal desvantagem, citada por alguns dos entrevistados pelo G1, está no fato de que, desse modo, o automóvel deixa de ser um patrimônio que pode ser vendido em caso de necessidade.

O empresário Thales Cruz, de 26 anos, também optou alugar um Volkswagen Jetta por R$ 2,2 mil mensais depois de ficar descontente com o valor de revenda de seu último carro próprio, um Kia Cerato.

Para saber o que valia mais a pena, ele comparou o valor mensal do aluguel contra o das parcelas, caso comprasse um modelo idêntico financiado, sem dar entrada.

“Acho que estou economizando cerca de 20% com o carro por assinatura. Além disso, não teria como pagar um carro como esse”, diz Cruz.

Ele também considerou a desvalorização sofrida pelo veículo no período de 1 ano e o seguro, que, se fosse feito em um carro particular, ficaria caro para sua faixa de idade.

Para a economista Tijana Jankovi?, o que fez diferença foi a flexibilidade. Ela só usava o transporte por aplicativos, mas quis ter um carro depois de se tornar mãe, em julho. Entre financiar e alugar, ficou com a segunda opção e paga R$ 2,3 mil mensais por um Jeep Renegade.

“Praticamente temos um carro próprio, mas sem a dor de cabeça dos gastos relacionados. Também é conveniente, já que dois meses por ano passamos fora do Brasil. Aí devolvemos o carro, e, quando voltamos, alugamos outra vez”, diz Tijana.

Veja como operam as empresas de aluguel de longo prazo:

Localiza Mensal Flex

  • Onde? 598 lojas em mais de 390 cidades de 6 países.
  • Quanto custa? Os valores variam de região para região, já que o sistema de precificação da Localiza conta com um grande número de variáveis em sua composição. Preços mais baixos têm média de R$ 1.538 por mês, no contrato de 12 meses para um veículo econômico com ar-condicionado.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA, além de carro reserva, se a manutenção levar mais do que 4 horas.
  • Quais carros? Segundo a Localiza, são mais de 300 mil carros de 50 modelos diferentes.
    Quanto pode rodar por mês? 3.000, 4.000 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? Contrato varia de 30 a 365 dias. Pode ser interrompido a qualquer momento.
  • Quem pode? Ter no mínimo 21 anos de idade, 2 anos de habilitação e cartão de crédito com limite suficiente para pagamento antecipado.

Porto Seguro Carro Fácil

  • Onde? Estado de São Paulo e Grande Rio.
  • Quanto custa? A partir de R$ 999, no Plano Controle (válido por 12 meses com franquia de 500 km por mês). E a partir de R$ 1.189 no plano Convencional (de 12 a 24 meses).
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA, além do serviço de leva e traz para revisões do veículo.
  • Quais carros? Mais de 30 modelos, entre eles: HB20, Ka, Kwid, Polo, Virtus, Yaris, Kicks, T-Cross, Hilux, S10, C180 e XC40.
  • Quanto pode rodar por mês? 500 km por mês no controle e 1.000, 1.500, 2.000 ou 2.500 km por mês no convencional.
  • Por quanto tempo? 12, 18 ou 24 meses.
  • Quem pode? Ter no mínimo 25 anos de idade, 2 anos de habilitação e uma garagem para guardar o veículo.

Unidas Livre

  • Onde? Todas as capitais do Brasil, São Paulo e outras cidades.
  • Quanto custa? A partir de R$ 889.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA. Opcionalmente, tem serviço de leva e traz para revisões do veículo e carros blindados.
  • Quais carros? Mais de 70 modelos diferentes.
  • Quanto pode rodar por mês? 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 3.500, 4.000, 4.500 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? 12, 18, 24, 30, 36 ou 42 meses.
  • Quem pode? Ter no mínimo 18 anos, CPF válido, carteira de motorista, enviar comprovante de residência e ter o crédito aprovado.

Movida Mensal Flex

  • Onde? Em 188 lojas em todos os estados do país.
  • Quanto custa? A partir de R$ 1.300, sem variação de local.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA.
  • Quais carros? Mais de 120 modelos, considerando versões com motorizações e câmbios. Entre eles: Mobi, Onix, HB20, Argo, Prisma, Renegade, Compass, Strada, Corolla, Passat e Mercedes C 180.
  • Quanto pode rodar por mês? 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 3.500, 4.000, 4.500 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? Contrato varia de 30 a 720 dias. Pode ser interrompido a qualquer momento.
  • Quem pode? Ter no mínimo 18 anos, habilitação e cartão de crédito com limite de R$ 700.

Fonte: G1

 

Por que o valor dos carros só sobe mesmo com as vendas em queda?

alx_automoveis-concessionaria-loja-20110823-0180-original_originalO cenário de faroeste toma conta da maior parte das concessionárias. Recepcionistas olham o Facebook, grilos estridulam, alguns vendedores andam em círculos enquanto outros conversam entre si. O tempo demora a passar e o medo do desemprego ecoa num silêncio angustiante, que só é quebrado quando raros compradores surgem à porta. Na maior parte das vezes, não fazem negócio. “É um ano de tristeza e falta de perspectiva”, lamenta Odorico Damião, gerente comercial de uma concessionária Ford, a Avenida Francisco Morato, na zona sul de São Paulo.

Este cenário ilustra os números negativos que vêm sendo divulgados desde o ano passado sobre o setor automotivo. Caem a demanda, as vendas e a produção. Mas, curiosamente, não os preços. Enquanto as vendas recuaram 20% e a produção caiu 19% no acumulado do ano, os preços subiram 8%, em média, segundo a consultoria Jato Dynamics.

O economista Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, explica o movimento. Um dos argumentos é a recomposição das alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI), que entrou em vigor no início do ano. Em busca de elevar a arrecadação, o governo teve de recuar nas políticas de estímulo ao consumo implementadas nos últimos anos. Como o IPI incide diretamente sobre o preço ao consumidor, o impacto é sentido de imediato. Outro fator importante é o aumento dos custos, diz o economista. “Houve alta nos insumos importados, na energia, no transporte e nos combustíveis. Isso apertou as margens de lucro das empresas e elas decidiram repassar parte disso às revendas”. As montadoras vinham bloqueando os repasses desde 2012 na expectativa de que o mercado voltasse a crescer como nos anos anteriores. Em 2015, os reajustes foram inevitáveis – e coincidiram justamente com o ano em que o setor enfrenta a sua pior crise em mais de uma década.

Na concessionária Peugeot, em Indianópolis, bairro da capital paulista, um automóvel 208 top de linha está 5 mil reais mais caro desde o primeiro trimestre do ano, período em que ocorreram os reajustes no setor. Na Fiat da rua Sena Madureira, na Vila Mariana, a alta dos preços chega a 2.500 reais, dependendo do veículo. O Fiat 500 modelo 2015 passou de 57.500 reais para 59.500 reais – e o preço não cede nem mesmo com a demanda em queda. Na Chevrolet da rua da Consolação, o Onix passou de 33.990 reais para 36.990 reais, enquanto uma pick-up S10 ano 2015 teve reajuste de 5 mil reais (passou de 87 mil para 92 mil reais).

Os preços mais altos, o crédito mais caro e a incerteza do consumidor em relação ao próprio emprego fazem com que um círculo vicioso se forme no setor. Em maio, a unidade da Fiat da Sena Madureira teve uma queda de 50% nas vendas. Um estoque que antes servia para suprir 30 dias de comércio, agora dura pelo menos 50. “A tendência é que as montadoras reduzam a produção ainda mais”, avalia o gerente comercial da concessionária, Cyro Haydt. Na loja, eram vendidos cerca de 100 automóveis por mês no ano passado, quando a economia não estava lá muito aquecida. No final daquele ano, conta Haydt, o volume recuou para 60 carros por mês. Agora, se as vendas chegam a 30, comemora-se. Esses números ajudam a explicar porque durante uma hora de conversa com o gerente, nenhum cliente entrou na loja.

Ainda que as perspectivas de analistas prevejam melhora apenas em 2016, a tendência é de que os preços não cedam. “As concessionárias podem baixar os valores para aumentar a escala das vendas e desovar estoques. Mas, ao cortar preços, reduzem sua margem de lucro”, diz Baggi. Segundo o economista, descontos podem surgir com mais facilidade, desde que os consumidores barganhem. “A bola está do lado do consumidor. O problema é que as famílias têm travado seu consumo devido ao momento econômico difícil”, diz.

Na concessionária Ford da Francisco Morato, na zona Sul de São Paulo, ainda que os preços tenham subido para alguns modelos, houve promoções pontuais para atrair clientes. Mas nem isso melhorou as vendas, que recuaram 30% desde o início do ano. O gerente da loja, Odorico Damião, acredita que a queda se explica, sobretudo, porque os brasileiros não querem fazer novas dívidas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa as montadoras nacionais, Luiz Moan, tem a mesma visão. Ele diz que os consumidores pararam de comprar por desconfiança em relação ao futuro, e não porque o preço subiu ou o crédito está mais caro. Segundo ele, a única forma de reavivar o ímpeto da população e do empresariado é a implementação do ajuste fiscal. “Somente com o ajuste as regras ficarão claras, o planejamento será mais preciso e a atividade será retomada”, afirma.

Ainda que não tenham sofrido os solavancos do IPI, os carros importados foram impactados pela alta do dólar. Mas a queda nas vendas do setor é menor: de 14% de janeiro a maio, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). Importadoras dos automóveis Jeep, Jaguar e Volvo tiveram alta nas vendas no período. A BMW, que possui a segunda maior participação de mercado entre os importados, viu suas vendas recuarem apenas 2,9% – queda tímida, se comparada ao total do setor. Marcel Visconde, presidente da Abeifa, entoa o coro de Moan, da Anfavea: “Se não tivermos uma clara mensagem de que os ajustes fiscais necessários serão aprovados pelo Congresso, os resultados dos próximos meses seguirão ruins”, diz.

Fila para receber carro em Porto Alegre – Com vendas em alta, espera chega a 45 dias.

A prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para carros deve gerar recorde de vendas até o fim do ano. Em concessionárias de Porto Alegre, o aumento chega a 40%, em comparação como o ano passado. Mas a entrega pode levar mais de um mês.

Em razão do incentivo do governo, 2012 tem tudo para ser um ano histórico na venda carros zero quilômetro. Segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a produção de carros no Brasil já está no limite da capacidade. E a procura por veículos novos deve aumentar.

“Agora até o final do ano, vamos ter uma ‘superprocura’ por automóvel, primeiro por causa do imposto e também por causa do décimo terceiro salário”, diz o vice-presidente da Fenabrave-RS, Ambrósio Pesce Neto.

Com o mercado aquecido, o resulto é fila de espera nas concessionárias. Em uma revendedora da capital, por exemplo, o cliente fecha o negócio e pode esperar por até 45 dias para receber o carro. Isso, claro, dependendo do modelo. O estoque nunca esteve tão vazio. Normalmente são 300 veículos esperando por um cliente, número que não passa de 70 atualmente.

A preferência do consumidor ainda é o carro popular. Só que ele está cada vez mais exigente. “Hoje, o os veículos 1.0 com direção hidráulica e ar-condicionado são os mais procurados”, afirma o gerente de vendas René Feres. Mas para alguns, o que mais importa na hora de definir a compra é outra questão. “Tem alguns itens que são importantes, como segurança e tudo, mas o preço é o que mais pesa”, diz o consumidor Vicente Puntel.

Redução no IPI dos carros – Momento é bom para comprar, e ruim para vender o veículo

O governo anunciou nesta semana a redução de impostos para carros, o que deixou bem feliz quem estava pensando em comprar um veículo 0KM. De fato, o momento ficou propício para as compras, não apenas por conta do corte de taxas. As empresas estão com muitos veículos em estoque e as vendas têm sido mais fracas, dizem especialistas. “Agora, o comprador pode conseguir um bom preço nos feirões e, assim, minimizar o impacto da prestação do financiamento em seu orçamento,” diz.

Mas antes de bater o martelo, é bom pesquisar, pois nem todas as concessionárias baixaram os preços. “É importante observar os preços e condições de financiamento, pois pode haver um período de tempo para ajuste,” diz Eduardo Coutinho, professor de finanças do Ibmec. Para Fernando Fleury, professor da Business School São Paulo (BSP), as melhores oportunidades podem aparecer daqui a 15 a 30 dias.

Além disso, algumas lojas podem ter mantido os preços anteriores, argumentando que antes da redução do IPI os carros estavam em promoção. Por isso, é importante pesquisar preços e taxas, inclusive em concessionárias de uma mesma montadora. “Mesmo na mesma bandeira há concorrência, então vale a pena ir de uma loja para outra, pois a diferença pode ser encontrada,” diz Nelson Beltrame, professor de Varejo na Fundação Instituto de Administração (FIA).

A redução dos preços dos veículos 1.000 cilindradas, em geral, deve acompanhar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que passou de 7% para zero nesta categoria. Mas ninguém deve comprar apenas por conta da redução dos impostos, dizem os especialistas, pois o carro é um bem caro, que compromete o orçamento. “É preciso ter consciência de que a partir do momento em que assumir o endividamento, a compra vai afetar seu futuro,” diz Nagami.

Anísio Castelo Branco, professor de finanças do Senac São Paulo e Presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos (Ibrafin), diz que o comprador é quem deve avaliar se tem ou não condições de tomar um financiamento de veículo, e não as empresas que concedem o empréstimo. “A forma que as financeiras avaliam o crédito não é adequada. Então a pessoa tem olhar detalhadamente seu orçamento doméstico para não se tornar inadimplente.

A redução do Imposto sobre IPI, comenta ele, foi uma forma de o governo melhorar a situação das montadoras, que não conseguiam vender seus veículos, principalmente os fabricados para as classes B e C. “Houve uma febre de financiamento de automóveis no Brasil, os bancos emprestaram muito dinheiro e sem muitas exigências. Mas a família brasileira não está preparada para este crédito, por não ter educação financeira. Mesmo com carros baratos, muitos não têm como assumir novas dividas, pois já estavam endividadas. Assim, as vendas caíram, e as montadoras pressionaram o governo,” explica Castelo Branco.

Para quem tiver certeza de que tem condições para pagar as prestações, o ideal é que tente dar a maior entrada e reduzir o número de parcelas para o menor possível. “Não existe um máximo, mas o melhor é conseguir o número de parcelas que deixa a compra isenta de juros. Pois quanto mais longo o prazo, mais se perde em juros. Muitos oferecem juro zero para 12 ou 24 vezes,” diz Nagami.

Para quem pode esperar, diz ele, há ainda a opção do consórcio. Outra opção é a compra do semi-novo, que na opinião de Beltrame, da FIA, é melhor do que o novo. “O semi-novo de dois meses de uso, por exemplo, é excelente, uma vez que tem pouca rodagem e está bom estado,” afirma.

Quer vender?

Para quem pretende vender o carro usado, o momento é bem ruim. Quando os preços dos novos caem, os usados também perdem valor rapidamente. No caso dos populares, que tiveram a maior redução do IPI, a tendência é de desvalorização ainda maior, comenta Otto Nagami, do Insper. “É justamente destes modelos que a indústria tem mais unidades em estoques e deve praticar as melhores taxas,” afirma.

Essa queda dos usados tem sido impulsionada pelo aumento da renda dos brasileiros, na avaliação de Fernando Fleury, da BSP. “O público comprador de usados teve aumento de renda e passou a se tornar potencial comprador de carro novo. Hoje, famílias que comprariam um carro de terceiros já acreditam ter a possibilidade de financiar o novo. Com isso, cai a demanda pelos usados, o que derruba os preços,” diz.

Na opinião dele, o Brasil caminha na direção de países desenvolvidos no mercado de usados. “Nos EUA e no Japão, por exemplo, o carro usado não tem mercado, de tão barato. O mercado aquecido é somente o dos novos. Não é agora, nem daqui a 10 anos, mas estamos indo nesta direção,” afirma.

Ficar segurando o carro antigo, entretanto, pode não ser a melhor saída. “É preciso avaliar a perda de valor do usado e nova condição de financiamento do novo. Se for um juro mais baixo, pode compensar,” diz Nagami.

Assim, pode ser melhor vender o usado com uma perda e usar o dinheiro para reduzir o valor do financiamento do veículo novo do que manter o carro na garagem na expectativa de que o IPI suba novamente. “Até porque pode acontecer de o governo prorrogar o prazo,” acrescenta Eduardo Coutinho, professor de Finanças do Ibmec. “Não acho que adiante esperar até agosto, pois existe um risco,” afirma.

Beltrame, da FIA, concorda. “Infelizmente quem for vender não é o melhor momento, mas não vejo melhoria no curto prazo, não há tendência de alta do preços,” diz.

Novo IPI para carros – Confira a tabela de preços novos do veículos vendidos no Brasil

As montadoras já disponibilizam em seus sites e concessionárias as tabelas de preços reajustadas conforme a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciado pelo governo na segunda-feira (21) e publicados no Diário Oficial da União desta terça. Os novos valores valem mesmo para os carros que já estavam em estoque antes da mudança, pois todos foram refaturados. No entanto, quem adquiriu o produto e teve o carro faturado antes do anúncio não poderá aproveitar o benefício da redução do imposto.

Além dos descontos com o novo imposto, muitas montadoras, em acordo com o governo, oferecem reduções de preços ainda maiores. Alguns modelos chegam a ficar com preço 10% menor. A Peugeot, por exemplo, anunciou descontos adicionais de 1,5% para os modelos 307, 308, 3008, RCZ e Partner (passageiro) e de 1% para Hoggar e Partner (furgão). Além disso, ela vai oferecer o modelo de entrada 207 com preços a partir de R$ 29.990. Já a JAC Motors passa a vender seu modelo de entrada J3 por R$ 34.990 — o valor anterior era de R$ 37.900.

Confira abaixo os novos preços das versões de entrada dos modelos mais vendidos no Brasil em abril, de acordo com o ranking da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Mudanças

Pelas novas regras, o IPI para a aquisição de automóveis, as empresas que estão instaladas no Brasil terão seu IPI para carros de até mil cilindradas (1.0) será reduzido de 7% para zero até o fim de agosto deste ano. Para carros importados de fora do Mercosul e México, a alíquota cairá de 37% para 30%.

Para veículos de mil cilindradas (1.0) a duas mil cilindradas (2.0), a alíquota para carros a álcool e “flex” (álcool e gasolina), para empresas instaladas no Brasil, será reduzida de 11% para 5,5%. Para os carros importados, a alíquota será reduzida de 41% para 35,5%. Já para carros a gasolina de mil a duas mil cilindradas, o IPI cairá de 13% para 6,5% para carros produzidos no Brasil e de 43% para 36,5% para veículos de fora do Mercosul e México. No caso dos utilitários, a alíquota será reduzida de 4% para 1% (empresas instaladas no país) e, para carros importados, cairá de 34% para 31%.

Confira tabela abaixo.

Já os carros nacionais e importados acima de duas mil cilindradas não tiveram desconto do IPI, que continua 25% e 55%, respectivamente.
Além da redução de IPI, as montadoras se comprometeram a dar descontos sobre as tabelas em vigor. Segundo o governo, os descontos serão de 2,5% para carros de até mil cilindradas, de 1,5% para automóveis de mil a duas mil cilindradas e de 1% para utilitários e comerciais. O objetivo de todas estas medidas é de reduzir o custo dos carros em aproximadamente 10% nas revendedoras.

Como negociar a compra de um carro

Desconfie das parcelas menores no início do plano de financiamento.
Ideal é dar uma entrada de, pelo menos, 40% do valor do veículo.

Sábado é o dia mais movimentado nas concessionárias de automóveis em todo o país. Os lojistas fazem promoções e oferecem brindes e facilidades no pagamento. Não é nada difícil ficar perdido nas contas. Com a ajuda de um especialista no assunto, o Jornal Hoje orienta o consumidor a não entrar em uma armadilha.

O primeiro alerta do educador financeiro Mauro Calil é não se render aos longos prazos. Isso porque quanto mais estica o prazo do financiamento, mais juros o consumidor paga. “Vamos pegar uma taxa de 1%. O carro de R$ 27.500 em parcelas de 60 meses iria para R$ 49.959”, exemplifica o especialista.

Também desconfie das parcelas menores no início do plano de financiamento. Elas podem significar juros maiores nas demais prestações. E se a compra for feita a prazo, o ideal é dar uma entrada de, pelo menos, 40% do valor do veículo. O restante deve ser financiado em no máximo 24 meses.

“Financie só o carro, não financie o seguro, não financie o licenciamento e não financie o emplacamento, porque isso vai aumentar a conta dos juros”, ressalta Calil.

O ideal mesmo, de acordo com o educador financeiro, é pagar o carro à vista. Mesmo que isso signifique vender o carro antigo, juntar as economias e o dinheiro das férias. “Esse é o melhor negócio que existe, porque ele não vai pagar juros. Ele vai andar de carro e vai pagar pelo carro, ponto final”, afirma Calil.

Fonte: G1