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Carros comercial leva recorde de vendas em dezembro de 2013

Mês foi o mais próspero do ano, com 335.948 unidades emplacadas; apesar da alta, houve retração de 1,65% no acumulado de 2013

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O mês de dezembro foi o que apresentou melhor desempenho na venda de carros e comerciais leves em 2013, conforme apontam dados divulgados nesta sexta-feira (3), pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Segundo a organização, foram 335.948 veículos emplacados no período. Até então, o melhor mês havia sido julho, totalizando 323.916 unidades de ambos os tipos emplacadas. De acordo com a federação, o dezembro de 2013 foi o terceiro melhor mês 12 desde 2004.

Apesar do recorde, houve retração de 2,27% em comparação a dezembro de 2012, quando 343.739 carros e comerciais leves foram vendidos. No acumulado do ano passado, também foi registrada queda, agora de 1,61% em relação à soma de todos os meses de 2012. Em 2013, totalizaram-se 3.575.935 unidades emplacadas, contra 3.634.456 no ano anterior.

A Fenabrave afirma ter traçado uma previsão de emplacamentos para carros e comerciais leves em 2013 superior ao resultado alcançado. Segundo a organização, estavam previstas 3.671.916 unidades vendidas, 2,6% a menos do ocorrido. Por outro lado, a entidade previa que seriam vendidos 323.239 unidades em dezembro, número que foi ultrapassado na consolidação do mês.

Segundo Alarico Assumpção Júnior, presidente executivo da Fenabrave, o desempenho é considerado satisfatório dado o cenário econômico do país. Em evento realizado para a imprensa na sede da federação, ele destacou que a limitação de créditos aos consumidores interessados em comprar carros e motos novos, além do alto endividamento das famílias brasileiras contribuíram com os resultados. Por outro lado, a manutenção da redução do IPI para carros e do PSI para ônibus e caminhões, além da retração na inadimplência dos consumidores, evitaram um desempenho inferior. “Para comerciais leves e ônibus, esse foi o melhor ano da história. Para veículos, foi o segundo melhor, atrás apenas de 2012. Sem a redução do IPI, o desempenho teria sido pior”, destaca o executivo.

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Projeções

Se as vendas de automóveis e comerciais leves registraram queda de 1,61% no acumulado de 2013 em comparação com o período anterior, as estimativas para o desempenho do setor no próximo ano são ainda menos agradáveis. “O próximo ano será atípico por conta dos grandes eventos, somados à inflação”, explica Tereza Fernandez, consultora da MB Associados. Estão na lista dos eventos que tem potencial para prejudicar as vendas o carnaval, que será realizado em março neste ano, a Copa do Mundo de Futebol e as eleições presidenciais, em outubro.

Por conta disso, a Fenabrave traçou dois possíveis cenários para o setor em 2014. No melhor deles, as vendas de automóveis e comerciais leves apresentaria resultados similares aos de 2013. Como um todo, as vendas do setor automotivo registrariam aumento de 0,21% ao fim de 2014. A alta seria puxada pelas vendas de ônibus (projeção de alta de 2,8%), caminhões (projeção de alta de 6,4%), já que o setor de motos também deve registrar o mesmo desempenho de 2013.

Já o pior dos cenários aponta para queda de 3,5% nas vendas de carros e comerciais leves. Nesse caso, seriam comercializadas 3.450.800 unidades ao longo dos próximos meses. A queda seria sentida também nas vendas de motos (projeção de queda de 4,5%), enquanto a comercialização de ônibus permaneceria igual à de 2013 e a de caminhões seria a única a registrar alta (projeção de aumento de 2%). Como um todo, o setor registraria queda de 3,6% nas vendas em 2014.

Para se chegar ao pior cenário, os especialistas também levaram em conta as projeções para o PIB do próximo ano (estimado entre 2% e 2,5%), a grande cautela dos empresários em fazer investimentos e as estimativas para a inflação e taxa de juros no próximo ano. “Temos preocupação com a inflação em função de um câmbio elevado, que é repassado aos produtos. Estamos muito preocupados em especial com a volatilidade do câmbio. Essa é a variável mais importante, mas não temos como projetá-la”, explica Tereza. Por outro lado, as expectativas de baixo índice de desemprego, a consequente manutenção do poder de compra do consumidor, e as taxas de juros que não devem subir antes das eleições fazem com que os analistas ainda acreditem na manutenção da venda de automóveis em 2014.

Apesar do baixo desempenho do segundo cenário, a consultora não acreditam que se esteja prevista uma crise no setor. Segundo ela, caso a baixa no desempenho realmente aconteça, será porque a base de comparação é muito alta. “Nos últimos dez anos, as vendas de automóveis cresceram 10% ao ano e isso é insustentável. A projeção é de crescimento de 3% ao ano, o que significa que nossa frota irá dobrar nesse período. Isso é extremamente significante”, pontua Tereza Fernandez.

Quanto aos estoques de veículos sem airbag e ABS nas montadoras, o diretor executivo da Fenabrave explica que ainda não foi oficializado como será o procedimento para que as montadoras vendam estas unidades depois de março, quando a lei prevê que esses carros não podem ser vendidos como veículos novos. A previsão é que haja promoções para a comercialização das últimas unidades sem os itens de segurança.

Carros: Disputa comercial entre Brasil e Argentina deixa veículos parados

A disputa comercial entre o Brasil e a Argentina já deixa sinais dos dois lados da fronteira. Enquanto na alfândega brasileira milhares de veículos aguardam entrada no país vizinho, no lado argentino uma fábrica com 700 funcionários já suspendeu a produção.

Na terça-feira, a maior fábrica de batatas pré-fritas instalada na Argentina, a canadense McCain, confirmou a suspensão de sua produção.

Cerca de 70% das mercadorias da companhia são destinadas ao mercado brasileiro. A decisão da empresa, que tem 700 trabalhadores, foi tomada após a informação de que o Brasil havia suspendido, na semana passada, a importação de gêneros alimentícios argentinos.

O bloqueio brasileiro foi interpretado como uma represália às barreiras do país vizinho aos seus produtos.

A BBC Brasil entrou em contato com a McCain, que disse estar em contato com “as autoridades argentinas para achar uma solução ao problema”.

No setor empresarial, estima-se que cerca de trinta caminhões com mercadorias argentinas estão parados apenas em um dos pontos fronteiriços, na localidade de Santo Tomé, na Província de Corrientes.

Brasil ‘endurece’

As disputas entre os dois países estão, nesta terça-feira, entre as principais notícias do dia na mídia argentina . O jornal Clarín afirmou que o Brasil “endureceu” sua postura e, assim como a Argentina, decidiu aplicar licença prévia para liberar alguns produtos, que podem ficar até 60 dias parados na fronteira.

Em muitos casos, os produtos exportados estão entre as principais atividades de economias regionais da Argentina, como as maçãs produzidas nas províncias de Rio Negro e de Neuquén, na Patagônia. Por isso, analistas temem que a medida afete o ritmo dessas economias.

Antes do bloqueio brasileiro, as autoridades argentinas haviam impedido o desembarque de automóveis importados do Brasil, segundo informou a agência Dyn de notícias.

“São cerca de 30 mil automóveis parados no porto de Zarate, na província de Buenos Aires, esperando autorização do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, para o desembarque”, afirmou-se, na semana passada.

O setor automotivo é o principal na balança comercial bilateral e a lista deste comércio bilateral inclui ainda alimentos, combustíveis e outros.

Disputa intensa

A disputa comercial foi intensificada este ano apesar das reuniões realizadas entre autoridades e empresários dos dois países, como o recente encontro entre Moreno e empresários argentinos e brasileiros, em São Paulo.

Analistas econômicos das consultorias Abeceb.com e Ferreres e Associados ressaltam que as freqüentes barreiras comerciais têm dificultado um fluxo de comércio que poderia ser ainda maior.

Em 1991, o comércio entre Brasil e Argentina era de cerca de US$ 3 bilhões e no ano passado foi de US$ 39 bilhões. Os argentinos, no entanto, reclamavam do constante deficit nesta balança comercial, registrado apesar da desvalorização do peso frente ao real (um real vale cerca de dois pesos).

Em abril deste ano, o comércio bilateral entrou em equilíbrio – meta buscada pelas autoridades argentinas e que teria sido resultado, segundo especialistas, das barreiras comerciais impostas por Buenos Aires.

As disputas entre os dois países na área comercial não são novas. Economistas argentinos ressaltam, no entanto, que elas foram intensificadas este ano já que o governo da presidente Cristina Kirchner tenta reduzir o déficit comercial e a saída de dólares do país.

“Os superávits comercial e fiscal foram os dois pilares da economia argentina desde que Nestor Kirchner (2003-2007) chegou à Presidência. Mas agora por problemas de administração interna, esses pilares estão enfraquecidos. O governo tenta resolver esses problemas com barreiras comerciais e controle de dólares, mas só agrava a questão”, disse o ex-presidente do Banco Central, Martín Redrado, crítico da atual gestão.

Importar e exportar

O argumento do governo argentino é o de que “para importar é preciso exportar”. Com a medida, pretende-se estimular a indústria local. Em muitos casos, porém, falta insumos importados à produção, como afirmou o economista Maurício Claveri, da Abeceb.

O novo ambiente de disputas comerciais ocorre em um momento no qual os industriais argentinos temem que a desvalorização do real, registrada nos últimos dias, afete ainda mais a competitividade dos produtos argentinos.

Ao mesmo tempo, o Brasil é o principal sócio comercial argentino e por isso autoridades, analistas e empresários acompanham atentamente o desempenho da economia brasileira.

Eles interpretam que se a economia brasileira vai bem, mais produtos argentinos poderão ser exportados para o mercado vizinho – principalmente quando as atuais barreiras forem levantadas. O mesmo não ocorrerá, no entanto, se a economia brasileira desacelerar.