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Desafio dos sedãs médios de entrada dá ao estreante Jetta Trendline 2.0 a chance de medir forças com os consagrados Corolla GLi 1.8 e Cruze LT 1.8

foto-imagem-sedasO calor do lançamento passou, o pacote de equipamentos é insosso para quem busca conectividade
máxima e a mecânica está longe de ser o que há de mais moderno na indústria. Mas o preço na casa dos R$ 70 000 tem efeito hipnótico sobre quem não pode ou não quer gastar muito. E foi por isso que o anúncio do Jetta na versão 2.0 Trendline (R$ 69 990) serviu de inspiração para o comparativo. A pergunta que queríamos responder: “Esses sedãs baratos valem a pena?”. Para fazer companhia ao VW, convidamos os três modelos mais vendidos em 2014. De cara, só o Corolla GLi 1.8 (também R$ 69 990) confirmou presença. O Civic LXS 1.8 (R$ 73 900) ficou de fora, pois a Honda alegou não ter o carro em sua frota de imprensa. Explicou ainda que a versão tem participação mínima no mix de vendas: apenas 4%. Na GM, o Cruze LT (R$ 78 090) também não figura na frota de imprensa, mas conseguimos uma unidade cedida para fotos pela concessionária paulistana Anhembi. Estes sedãs querem chamar sua atenção mostrando que se desprenderam dos luxos excessivos. Mais do que elegância, um gesto que denota uma questão de etiqueta – de preço.3º VW Jetta Trendline 2.0 8V
A nova versão de entrada tem motor e câmbio obsoletos. O seguro (R$ 5 662) é o mais caro, assim como a cesta de revisões até 60 000 km (R$ 3 887)Apesar de não fazer frente ao todo- poderoso Corolla, o Jetta se defende bem diante do Cruze. Para quem gosta de um carro mais firme, obediente aos comandos rápidos do volante e capaz de contornar curvas longas com extrema competência, o Jetta é a melhor indicação. O problema é a obsolescência do motor e do câmbio, capaz de dar ao sedã um fôlego dissonante da ótima suspensão (com multilink na traseira). De concepção antiga, o 2.0 8V rende somente 120/116 cv. Ou seja, é um motor maior que o dos rivais (Corolla e Cruze são 1.8), mas com potência muito menor: respectivamente, 144/139 cv e 144/140 cv.

No que diz respeito aos números, o Jetta parece pertencer a outra categoria. Com 13,3 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, é bem mais lento que o Cruze (11,7 segundos) e o Corolla (10,1). O VW também saiu de nossa pista de testes com os piores resultados nas provas de retomada de velocidade e consumo de combustível em ambiente rodoviário. Só conseguiu ser melhor (que o Cruze) no consumo urbano (10,4 ante 10 km/l) – mas ambos são piores que o Corolla, com 11 km/l. Na medição de ruído interno, equilíbrio. Apenas o Corolla se destacou positivamente, ao se apresentar muito silencioso na avaliação com o câmbio em Neutro.

Entre os equipamentos do Jetta, destaque para os sensores de estacionamento na dianteira e na traseira. A cabine é espaçosa como a dos concorrentes, mas o porta-malas é, disparado, o melhor: é fácil de acessar, as alças não invadem demais a zona das bagagens, o acabamento permite melhor aproveitamento do espaço e o volume é de excelentes 510 litros.

2º Chevrolet Cruze LT 1.8 16V
Rico em opcionais, tem preço de tabela alto (R$ 78 090). O valor de seguro está dentro do esperado (R$ 2 710), mas as revisões não são baratas (R$ 3 728)

Como o Jetta, o Chevrolet Cruze acabou de passar por uma suave reestilização. Com ela, o modelo 2015 ganhou dianteira com grade bipartida com novos contornos e porção inferior do parachoque redesenhada para abrigar os leds da iluminação diurna, destaque mais perceptível da nova linha.

A versão LT automática tenta justificar o preço mais salgado do comparativo (R$ 78 090) com um rico
pacote de equipamentos. Só o Cruze tem os importantes controles de tração e estabilidade. Arcondicionado com ajuste automático de temperatura, retrovisor interno com escurecimento automático e sensor de chuva são outras amenidades exclusivas. É um pacote de respeito – e uma das maiores virtudes do carro.

O painel é o único com desenho sinuoso, com a porção central projetada. Mais do que um recurso de estilo, o formato interfere na habitabilidade, proporcionando aos ocupantes da frente a sensação de espaços definidos para cada um – o efeito duplo cockpit, como os designers da marca costumam falar. Na prática, dão ao Cruze uma ótima posição de dirigir.

Quanto à mecânica, tem motor com a mesma cilindrada do Corolla (1.8) e câmbio com igual número
de marchas do Jetta (seis). Na pista, também ficou na zona intermediária, com resultados abaixo do Toyota e acima do VW (veja quadro na pág. 70). Fora do asfalto liso da pista de testes, o Cruze se mostra um pouco mais sensível às ruas esburacadas da vida real. Nesse tipo de ambiente, reclama mais ainda quem viaja atrás.

O porta-malas com 450 litros leva o equivalente a uma mala grande (60 litros) a menos que o do Jetta.

1º Toyota Corolla GLi 1.8 16V
Barato de ter e de manter, sedã anda bem e tem os menores custos de seguro (R$ 2 468) e revisões até 60 000 km (R$ 2 456). Mas poderia ser mais equipado

Os rivais surgem e se reinventam de olho no segmento em que o Corolla é rei, mas o radar ainda não detecta ninguém com atributos suficientes para tirar dele o trono dos sedãs médios de entrada. Aqui, como no ranking de vendas, ele reforça sua supremacia. Sua principal arma é o custo-benefício. Custa o mesmo que o Jetta e bem menos que o Cruze – e anda melhor que os dois.

Verdade que o Toyota é um sedã espartano: a versão considerada para o comparativo é a GLi com bancos de tecido. A com couro, como a que foi cedida para fotos, sai por R$ 75 600 e acrescenta ainda banco traseiro bipartido e com apoio de braço rebatível, som com entradas USB e comandos
no volante e rodas de liga leve.

No campo da segurança, o representante da Toyota tem seus altos e baixos. Sai de série com airbags frontais, laterais e de joelho (para o motorista), mas não oferece controles de estabilidade e tração nem na versão topo de linha Altis, de R$ 99 990.

Ao volante, o Corolla supera a concorrência com folga. Seu motor 1.8 surpreendeu até mesmo a nós, que estamos acostumados ao nosso Corolla XEi 2.0 da frota de Longa Duração. Na pista, o 1.8 mostrou desempenho e consumo muito próximos dos do 2.0. Chegou, curiosamente, a realizar a prova de 0 a 100 km/h com tempo médio ligeiramente melhor: 10,1 segundos, ante 10,3. Todos os números se referem a unidades cedidas para teste pela fábrica e avaliadas com 100% de gasolina.

Com piso plano à frente da posição central do banco traseiro – uma boa sacada copiada do arquirrival Civic -, o Corolla é a melhor opção para quem sempre viaja com a família.


AVALIAÇÃO DO EDITOR

 

MOTOR E CÂMBIO
Os motores de Corolla e Cruze não são a última palavra em tecnologia automotiva. Por exemplo, não têm a injeção direta de combustível do Focus 2.0 nem turbo. Ainda assim, estão anos-luz à frente do ultrapassado 2.0 8V do Jetta.

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DIRIGIBILIDADE
O Jetta carece mesmo de um powertrain (conjunto de motor e câmbio) que não faça o motorista passar raiva nas ultrapassagens e acelerações. Mas, para quem aprecia uma tocada esportiva, a suspensão é a mais bem-calibrada.

COROLLA:
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SEGURANÇA
Controles de estabilidade e tração são exclusividades do Cruze. No Corolla, a exclusividade fica por conta do airbag para o joelho do motorista. O Jetta, assim como o Cruze, oferece bolsas infláveis frontais e laterais.

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SEU BOLSO
Os custos pós-compra do Corolla são imbatíveis. Por R$ 2 468, suas revisões até 60 000 km são 34% mais baratas do que as do Cruze (R$ 3 728) e 37% do que as do Jetta (R$ 3 887). O seguro de um Jetta assusta: R$ 5 662, quase 130% mais que o
do Corolla, por R$ 2 468.

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CONTEÚDO
Eis o único ponto em que o Corolla perde. Para não ultrapassar a barreira dos R$ 70 000, a Toyota apertou o cinto pra valer: é até estranho ver um Corolla com rodas de aço e calotas e banco traseiro com encosto inteiriço por dentro. O Jetta tem rádio e sensor de estacionamento dianteiro e traseiro.

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VIDA A BORDO
Cada um tem seus destaques positivos. O piso plano traseiro do Corolla premia a família com muito espaço, o ar-condicionado automático do Cruze evita o liga e desliga manual do compressor e o ótimo acesso aos comandos e ajustes do Jetta garantem uma viagem confortável ao motorista.

COROLLA:
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QUALIDADE
A qualidade de montagem de carroceria e elementos da cabine é equivalente nos três modelos. Jetta e Corolla têm discreta vantagem sobre o Cruze na seleção dos materiais, com aparência e toque que denotam um pouco mais de refinamento. No entanto, a pintura do Chevrolet é a mais livre de imperfeições.

COROLLA:
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VEREDICTO

O consumidor de sedã médio costuma ser mais racional que os demais. Confortável, espaçoso, confiável e com bom desempenho, o Corolla está no topo do segmento por entender melhor as expectativas e as possibilidades de seu público. A rede competente e com preços justos é outro ponto forte.

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Edição especial do Citroën DS3 está em testes no Brasil

foto-imagem-Citroën-DS3Exclusividade. É isso que a Citroën estuda trazer ao país com o DS3 Faubourg Addict, uma edição limitada que oferece mais requinte em comparação à versão Sport Chic, vendida atualmente por R$ 82.490. Mas, se você bateu os olhos nas fotos desta página e gostou do carro que viu, se acalme. Ele está só sendo testado no Brasil e suas vendas ainda não foram confirmadas. Mesmo assim, já avaliamos o modelo – com exclusividade, como não poderia deixar de ser.

As diferenças entre ela e as customizações padrão do hot hatch começam pela carroceria. O Faubourg Addict é sempre pintado em roxo, combinado com o exclusivo teto em cinza. Nele, há ainda um adesivo que remete ao símbolo da linha DS. A marca de luxo da Citroën também aparece estampada nos retrovisores. Mas, não se trata de outro adesivo. A empresa usa uma técnica que imprime a laser para dar o acabamento final à capa dos espelhos. Notou alguma diferença nas rodas? Apesar de terem as mesmas 17 polegadas, a cor cinza é exclusiva. “É impossível encomendar um DS3 normal com essa roda, ela é reservada para esta versão”, explica Jeremie Martinez, responsável pela linha DS no Brasil.

É dentro da cabine que o modelo quer mimar os passageiros. Lá, destaque para os bancos de couro. Eles são pintados com outra tecnologia especial, que garante um efeito degradê. A tinta é aplicada diretamente no couro, abaixo da camada que finaliza o acabamento. Há, ainda, costuras que remetem à pulseira de um relógio. O bom estofamento das versões padrão da linha DS foi mantido na Faubourg Addict. O resultado é conforto garantido para os passageiros, especialmente os dianteiros, que são abraçados pelo molde esportivo.

Mas a cabine também abriga os pontos negativos do Faubourg Addict: é no painel central que a exclusividade ficou de lado. Baseada na atual versão topo de linha vendida no Brasil (Sport Chic com pacotes Conforto e Tecnologia – R$ 92.870), a edição especial conta com exatamente os mesmos equipamentos do carro comum. A central multimídia tem GPS e boa funcionalidade, é verdade. Mas, os comandos do ar-condicionado digital e especialmente do rádio, tem design muito simples para um carro que ficaria na faixa dos R$ 100 mil, segundo nossas estimativas. Outra derrapada é a ausência de mais itens de série, como ajustes elétricos para os bancos. A versão avaliada contava com aquecimento dos assentos, mas todos são manuais.

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Desempenho

Sem alterações mecânicas, o desempenho continua o mesmo da versão vendida atualmente. O conjunto de motor 1.6 turbo de 165 cv e 24,5 kgfm com o câmbio manual de seis velocidades levam o hatch a 100 km/h em 7,7 segundos. As retomadas são ligeiras, ajudadas pelo efeito overboost do turbo. Automático, o recurso eleva o torque a 26,5 kgfm aos mesmos1.400 giros, porém só funciona da terceira marcha para cima. É que se o reforço viesse logo em primeira ou segunda marcha, seria um festival de destracionamento das rodas dianteiras. De 40 a 80 km/h, o DS3 precisa de apenas 5,2 s.

Além disso, a entrega de torque em baixas rotações deixa o modelo esperto mesmo na cidade, não precisava dessa força extra em todas situações. Os engates justos e precisos do câmbio contribuem com a pegada esportiva do modelo, além do seu conforto. Já as suspensões são ligeiramente duras, como se espera de um carro com essa pegada. Na hora de desacelerar para um ritmo mais tranquilo, o conjunto de discos ventilados na frente e sólidos atrás estanca com força o DS3, de 80 a 0 km/h são apenas 24,5 m.

Por enquanto o DS3 de luxo ainda não está confirmado no Brasil. Além dele, a Citroën estuda a vinda do DS4 também na versão Faubourg Addict, em um segundo momento. Caso as vindas se confirmem, o carro seria vendido como edição limitada, sob encomenda. Atrair os olhares por onde passa é garantia com qualquer carro da linha, ainda mais com o pacote de customização do Faubourg Addict. Mas não espere reforço tecnológico dentro da cabine…

Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta de gasolina
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 165 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5/26,5 kgfm a 1.400 rpm
Transmissão: manual de seis marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Pneus: 205/45 R17
Dimensões: compr.: 3,948 m, largura: 1,715 m, altura: 1,483 m, entre-eixos: 2,464 m Capacidades: tanque: 50 l, porta-malas: (aferição AE) 283 l
Peso: 1.165 kg

Números de teste

Aceleração: 0-100 km/h: 7,7 s; 0-400 m: 15,7 s
Retomada: 40-80 km/h (3ª marcha): 5,2 s; 60-80 km/h (4ª): 6,5 s; 80-120 km/h (5ª): 8,3 s
Frenagem: 100 km/h: 38,4 m; 80 km/h: 24,6 m; 60 km/h: 13,6 m
Consumo: 10,9 km/l (urb.); 15,2 km/l (rod.)

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VOLKSWAGEN AMAROK HIGHLINE 2015

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A Volkswagen Amarok flerta com os carros de passeio mais caros em várias tecnologias, tais como o câmbio automático de oito marchas e a tração integral permanente. A linha 2015 a deixou ainda mais próxima dos carrões. Além da série especial Dark Label, feita sobre a versão intermediária Trendline, a top de linha Highline passou a trazer faróis bixenônio com luzes diurnas em leds e câmera traseira de estacionamento.  Com lançamento previsto para final de abril, a linha 2015 ainda não tem preço oficial. A Dark Label é baseada sobre a Trendline automática de R$ 134.910 e, em razão dos itens extras, deverá ser vendida por R$ 139 mil. Já a Highline deve manter a base de preço da linha 2014, R$ 152.550.

Como é de costume, a nova linha traz novidades para todas versões. A mais importante é o controle de tração e de estabilidade de série para as versões S, SE e Trendline. O pack inclui assistente de partida em rampa e controle automático de descidas. A Trendline também passa a ter regulagem elétrica dos faróis. Todas passam a contar com engate para reboque como opcional.

Com tiragem de 1.000 unidades, a série especial Dark Label vestiu o preto somente nos detalhes, já que as cores incluem branco sólido, prata  e cinza metálicos e, claro, preto perolizado. O nome da edição é justificado pelo tom fosco dos estribos, retrovisores, maçanetas, rodas (as escuras são opcionais) e lanternas escurecidas. Há também santoantônio com barra de proteção para o vidro traseiro. Por dentro, outros itens de personalização dão uma estampa diferente para a versão. Os tapetes ostentam a inscrição Dark Label e trazem presilhas. O melhor fica por conta dos bancos. Nem tanto pelas bordas em couro sintético e sim pela seção central em Alcantara. É aquele tecido artificial aveludado que costuma equipar esportivos, pois o material não deixa o corpo escorregar como o couro convencional e mantém a suavidade ao toque da camurça original.

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São itens estéticos que costumam ser instalados por grande parte dos compradores de picapes médias e sairiam por mais que os estimados R$ 5 mil de diferença, um chamariz de custo-benefício sempre usado por séries limitadas. O pack de opcionais inclui rodas aro 18 com pneus 255/60, rádio com navegador GPS, bloqueio mecânico do diferencial traseiro, pacote com sensores de chuva e de luminosidade e também pneus de uso misto R17 ou R18.

Em novidades, contudo, a Highline eleva a aposta. Os novos faróis bixenônio deram uma aura tecnológica, junto com as luzes de rodagem diurnas em leds. Não há limpadores de faróis, pois a potência de luminosidade os dispensa, mas há regulagem interna de altura. Para combinar, a grade dianteira passou a ser pintada em preto brilhante. Também novas, as rodas aro 19 com pneus 255/55 estava presentes na unidade testada. O sistema de entretenimento agora inclui câmera de ré, que trabalha em conjunto com os sensores dianteiro e traseiro.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Faróis bixenônio, rodas aro 19, câmera de ré, faróis de neblina capazes de iluminar esquinas ao virar, tudo remete a um automóvel de luxo. Será um opcional exclusivo da Highline, tal como é em outros mercados. O volante é ajustável em altura e profundidade, embora os bancos devam ajustes elétricos pelo preço. O visual também aproxima a Amarok dos automóveis da VW, tal como as regulagens amplas e milimétricas. Ao começar a rodar, essa impressão só é quebrada por constatações óbvias, como o tamanho do veículo, e pela rodagem mais pesada. Não tem jeito, a construção por longarinas é robusta e inclui o tradicional eixo rígido traseiro, conjunto pesado cujo balanço logo se denuncia nos buracos e imperfeições. É uma característica normal em um veículo feito para levar 1.280 l de volume na caçamba ou 1.126 kg de carga total.

Há um ponto, contudo, que a Amarok está bem distante da categoria: a tração integral permanente 4Motion. Ao dispensar o mecanismo temporário, a picape da VW apresenta uma compostura em curvas como normalmente não se vê no segmento. A carroceria pode se inclinar um bocado e o conjunto continua a exibir seu peso de 2.044 kg, porém o comportamento nas trajetórias é neutro, sem saídas de traseira temíveis sobre piso ruim. Durinha nas manobras, a direção hidráulica compensa em altas velocidades, onde a sensação de centro de volante passa consistência. As manobras são rápidas, no que ajuda a direção com taxa de 14,6:1 – mais rápida que muito sedã médio.

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Na pista, o conjunto do motor 2.0 biturbo de 180 cv a 4.000 giros e 42,8 kgfm de torque a 1.750 rpm não demora muito a reagir, no que ajuda muito o câmbio ZF automático de oito marchas – com trocas sequenciais na alavanca e modo esportivo. Até os 100 km/h, a Amarok Highline leva 11,4 segundos. As retomadas são cumpridas com pressa, de 60 a 100 km/h foram 6,6 s. O conjunto de freios a discos ventilados e tambores foi cumpridor. De 80 a 0 km/h, a VW precisou de apenas 26 metros para estancar.

A caixa se adapta rapidamente no modo automático, passar para o sequencial é quase dispensável. O giro a 120 km/h fica em confortáveis 2.000 rpm. Isso ajuda no conforto acústico e na economia. Foram 9,1 km/l de diesel na cidade e 13,1 km/l na estrada.

No fora de estrada, os elfos da eletrônica tomam conta das coisas para você. O bloqueio eletrônico dianteiro se soma ao mecânico traseiro. O blocante traseiro pode ser acionado por botão para dividir 50/50 a força para as rodas de trás. Outro comando permite configurar o carro para o off-road e atua em parâmetros de motor, freios e controles eletrônicos para dar uma mão. Esse sistema aciona o ABS offroad, capaz de bloquear um pouco as rodas em frenagens sobre a terra. Parece um contrassenso, mas isso cria pequenos montinhos para aumentar o atrito e parar a picape em menor espaço.
O controle de velocidade em descidas também faz parte e pode ter a velocidade regulada pela pressão no acelerador. Só não vale passar dos 30 km/h.

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CUSTO-BENEFÍCIO
O preço da Amarok Highline com todos opcionais ficará em torno de R$ 160 mil, o que inclui extras como as rodas de liga-leve aro 19 com pneus 255/55, rádio com GPS, airbags laterais dianteiros (que adicionam a regulagem lombar manual para os bancos da frente), faróis bixenônio, entre outros. Isso a deixa pouco acima das rivais Ford Ranger e Chevrolet S10 mais caras. Embora não esteja entre as três mais vendidas no geral de picapes médias,  isso se dá porque a VW dispensa os motores flex – ela é a terceira mais vendida no nicho diesel.

VALE A COMPRA?
Sim. A linha 2015 tornou a picape mais competitiva e segura. Totalmente equipada, a Amarok continua a ser competitiva em comparação aos modelos rivais top. Se você busca uma picape capaz de passar segurança como um automóvel na maioria das situações e, de quebra, levar carga e enfrentar o offroad de cabeça erguida, a Amarok pode ser o seu carro. Quero dizer, picape.

FIAT MILLE GANHARÁ SÉRIE ESPECIAL DE DESPEDIDA , E VEM COM GRANDES MUDANÇAS

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A jornada do Mille está chegando ao fim. Para marcar a aposentadoria do hatch, a Fiat preparou uma série especial de despedida. Batizada de “Grazie” – “obrigado”, em italiano -, a série terá produção limitada a 2 mil unidades e começa a ser vendida ainda este mês. De acordo com fontes ligadas à marca, o preço ainda não foi definido.

A Fiat quer manter a surpresa e não entrega muito sobre a versão, mas já adianta que o modelo contará com algumas mudanças estéticas e trará itens inéditos, como rodas de liga leve, pedaleira esportiva e o rádio Connect com subwoofer, presente em outros nomes do portfólio como Palio e Grand Siena. O veículo será vendido nas cores verde e prata.

Lançado no início da década de 1990, o Mille ocupa o posto de carro de entrada da marca e é um dos mais baratos à venda no Brasil (parte de R$ 22.540). Ele sai de linha impulsionado pela lei que exige que todos os carros fabricados no país a partir de 2014 saiam de fábrica equipados freios ABS e airbag duplo frontal.

Preparados pela divisão esportiva da marca alemã, RS Q3 e RS7 terão preço inicial de R$ 260 mil e R$ 600 mil, respectivamente

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Dois arrojados modelos da divisão esportiva da Audi começam a ser vendidos no início do ano que vem no Brasil. Em janeiro, chega às lojas o invocado cupê RS7. No mês seguinte, é a vez do apimentado utilitário-esportivo RS Q3.

Tão impressionantes quanto o desempenho dessa dupla serão os preços. De acordo com a fabricante, o RS7 terá tabela inicial de R$ 600 mil, enquanto o RS Q3, disponível em versão única e completa, custará R$ 260 mil.

Apesar das cifras salgadas, a Audi tem planos ambiciosos com as novidades. A estimativa é de emplacar entre 70 e 100 unidades do RS Q3 no ano e até dez modelos do RS7.

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Bonitos e “envenenados”, os carros da divisão RS seduzem os fãs (endinheirados) de velocidade. O SUV, por exemplo, é equipado com motor 2.5 turbo de cinco cilindros e injeção direta de gasolina, capaz de entregar 310 cv e 42,8 kgfm. Segundo a Audi, o utilitário vai de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos. O câmbio é automatizado de sete marchas e dupla embreagem.

O RS7 é ainda mais “estúpido”. Seu motor 4.0 V8 biturbo gera 560 cv e torque máximo de 71,4 kgfm a partir das 1.750 rpm. A velocidade máxima é de 305 km/h e o cupê de quatro portas faz o percurso de 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos, conforme a montadora. Tal como a perua RS6 Avant, já à venda no país, o câmbio do RS7 é automático de oito velocidades.

Além de dez opções de cores para a carroceria, a Audi oferecerá pacotes de personalização para o RS7, que incluem detalhes como retrovisores cobertos de fibra de carbono, faróis de LEDs, tonalidades diferentes para os bancos de couro, entre outros.

 

O processo de desenvolvimento de um carro caiu de oito anos, na década de 60, para apenas três

foto-imagem-desenhocarro está de tal forma incorporado à nossa vida que nem nos damos conta da complexidade do seu desenvolvimento. Mas o processo de concepção e validação de um projeto já foi bem mais complicado.

O tempo médio entre o primeiro esboço nas pranchetas até o início da fabricação em série de um modelo totalmente novo chegava a oito anos.A partir da década de 1980, esse período de desenvolvimento passou de oito para seis anos. Isso graças à substituição da calculadora e prancheta por sistemas eletrônicos, como o programa de computação chamado Nastran, desenvolvido pela Nasa, capaz de realizar cálculos estruturais precisos.

A adoção do CAD CAM, programa criado para uso em arquitetura ainda nos anos 50, mas apenas adotado em larga escala pela indústria automobilística na década de 90, propiciou uma verdadeira revolução no design automotivo, aposentando de uma vez os desenhos na prancheta. “Os programas eram extremamentes complexos, mas permitiam reduzir consideravelmente o período de desenvolvimento”, diz Heymann Leite, professor de gestão de projeto automotivo da FEI/FGV. Mas nem só o design foi beneficiado. “A fase que mais levava tempo era a dos testes de resistência e durabilidade, pois era nessa fase que se verificavam todos os erros de projeto”, diz Pedro Manuchakian, ex-vice-presidente de engenharia de produto da GM América do Sul.

Hoje um automóvel pode ser quase inteiramente desenvolvido virtualmente. Programas cada vez mais específicos e realistas são capazes de realizar praticamente todas as etapas de um projeto. Testes reais se tornam necessários apenas para confirmar o que é simulado em ambiente virtual. As simulações matemáticas são a tal ponto confiáveis que as fábricas já vislumbram o dia em que terão de produzir apenas as unidades destinadas a ensaios exigidos por lei, como os de segurança (crash-test) e ambientais (emissões e ruídos).

 

 

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Realidade virtual 
A combinação de novas possibilidades economizou tempo e recursos. Desde a década de 2000, o ciclo entre concepção e produção passou para 36 meses. Decisiva para isso foi a introdução da tecnologia de realidade virtual, a possibilidade de montar produtos virtualmente antes de fabricá-los de fato. Nascido na indústria cinematográfica, o recurso se popularizou através de videogames como o Wii, da Nintendo, e o Kinect do Xbox, da Microsoft.

No Brasil, as primeiras aplicações de realidade virtual nas empresas surgiram há nove anos. A Embraer, uma das pioneiras na utilização eletrônica, cria maquetes de seus aviões num centro de realidade virtual em São José dos Campos (SP). Em 2002, fazia isso para apenas dois modelos de jato. Nos últimos anos, faz para 12 de seus 18 modelos. Pelo método antigo, o ERJ 145 levou 60 meses para ser concebido. Com o uso da realidade virtual, seu sucessor, o Embraer 170, precisou de apenas 38 meses. Para dar uma ideia da evolução na indústria aeronáutica, a empresa americana Lockheed Martin, fabricante de equipamentos para aviões, tem uma tecnologia que transforma os técnicos em personagens virtuais. Os movimentos reais são detectados por 24 câmeras, que reproduzem avatares que modificam os protótipos virtuais. Os ajustes só são feitos nos aviões depois que todos os testes virtuais forem completados. Segundo a Lockheed, simulações como essa permitiram a economia de 50 milhões de dólares no desenvolvimento dos aviões em 2006.

No caso dos automóveis, os testes de simulação virtual são responsáveis pela otimização do tempo de desenvolvimento pela metade. “A indústria automotiva sempre teve o objetivo de chegar ao desenvolvimento tecnológico aeronáutico. A adoção da simulação virtual era natural”, diz Manuchakian, ressaltando o ganho com a redução de protótipos. “Eles representam a parte mais custosa no desenvolvimento de um carro novo.”

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A redução é de 40% a 50% na frota de experimentação. “O que fazíamos em meses apenas com os testes

fisícos em campo de provas diminuímos para semanas com a simulação virtual”, diz Heymann. “Na General Motors conseguimos diminuir de 50 para 30 os protótipos dos testes de desempenho. Nos de durabilidade, reduzimos de dez para quatro”, afirma Manuchakian.
O Brasil atualmente tem papel importante nesse desenvolvimento. Montadoras como a General Motors e Volkswagen têm centros de simulação virtual e desenvolvem novos modelos desde a concepção até a fabricação.

Na Volkswagen, a realidade virtual teve investimentos de 4,2 milhões de reais. A empresa possui uma fábrica digital, que simula os processos de produção dos carros. Até 2004, quando não havia simulações em 3D, os projetistas levavam uma semana para avaliar a capacidade de estampar as peças de metal. Agora esse prazo caiu para um dia. E eventuais problemas da produção são antecipados na simulação, o que evita compras adicionais de peças ou ferramentas. Segundo cálculos da VW, desde que o processo foi adotado, a economia chegou a 1 milhão de reais. O design também saiu ganhando com a realidade virtual. “São utilizados bonecos virtuais para simular os movimentos de crianças e adultos”, diz Heymann.

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A General Motors, por sua vez, investiu cerca de 100 milhões de dólares em seu centro tecnológico em São Caetano do Sul (SP). “A análise virtual antecipa e otimiza a montagem. Antes isso só era possível em fases avançadas do desenvolvimento”, afirma Manuchakian.

Ainda que cerca de 70% de todos os ensaios realizados pela engenharia experimental e centro de design sejam virtuais, segundo Manuchakian, com 41 anos de GM, a eletrônica na indústria tem espaço para avançar, pois ainda dependemos dos testes físicos para alguns ensaios específicos. “Avançamos pouco no que se refere à sensibilidade de materiais, ou seja, a escolha da textura de revestimentos internos e carroceria só pode ser realizada por meio da construção de protótipos”, diz ele. A calibração do motor também representa ainda um desafio para a simulação virtual. “No início do desenvolvimento do motor, a calibração é eletrônica, mas no fim do desenvolvimento são necessários os testes em campo de provas”, afirma Heymann.

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Com todos os avanços, ainda parece longe no horizonte o dia em que o virtual vai substituir totalmente o real no desenvolvimento de produto: foram necessários 220 protótipos do Cruze, que totalizaram 6,4 milhões de quilômetros em testes de durabilidade e resistência. E os campos de provas nunca estiveram tão ocupados como agora, quando as linhas de produtos são cada vez maiores e se renovam em prazos cada vez menores.

 

 

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TROPICÁLIA

Nas décadas de 70 e 80, todo o processo de desenvolvimento ainda era realizado fora do país e cabia à nossa engenharia apenas tropicalizar os modelos globais. “As alterações mais relevantes aconteciam na suspensão, pois nossos pavimentos são mais irregulares que os americanos e europeus”, diz Manuchakian. Os modelos “aclimatados” também passavam por testes de durabilidade no campo de provas para verificar qual a calibragem ideal para a realidade dos nossos caminhos. Foi o caso, por exemplo, de Ford Escort e Chevrolet Opala. A partir da década de 80, as fábricas começam a se estruturar para o desenvolvimento de carros por aqui. Em 1985, a área para teste de impacto em barreira fixa da General Motors foi inaugurada em Indaiatuba (SP). Houve também o investimento nos campos de provas, que ganharam pavimentos diferenciados para viabilizar os ensaios de durabilidade e resistência.

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Teste de segurança – Carros modelos Veloster e Freemont têm 5 estrelas na avalliação do EuroNCAP

Fiat Freemont recebe 5 estrelas do EuroNCAP

A última rodada de testes do EuroNCAP, tradicional órgão europeu que avalia o nível de segurança dos lançamentos da indústria automotiva, concedeu nota máxima a 12 novos carros, sendo que metade tem ligação com o Brasil. Recém-lançado no mercado nacional, o Fiat Freemont oferece, segundo a entidade, 83% de proteção a adultos, 82% a crianças, 50% a pedestres e atinge 71% dos requisitos em segurança assistida. Também recente no país, o Hyundai Veloster tem índices de 96%, 89%, 49% e 71%.

Outros modelos que conseguiram nota máxima nas provas do EuroNCAP foram o Audi Q3 – crossover que chega ao Brasil no 1º trimestre de 2012, por cerca de R$ 140.000 – e as novas gerações de BMW Série 1, Ford Ranger e Mercedes-Benz Classe M, que também desembarcam por aqui no início do próximo ano. No caso da Ranger, trata-se da primeira picape na história da EuroNCAP a conquistar 5 estrelas.

A entidade divulga, de tempos em tempos, rodadas de testes com os últimos lançamentos da indústria automotiva. Em outubro do ano passado, foi apresentada em São Paulo a 1ª edição do LatinNCAP, criado pela Proteste para classificar as novidades comercializadas na América Latina. Na ocasião, o pior resultado ficou com o Peugeot 207, que recebeu apenas duas estrelas. O outros carros avaliados foram VW Gol, Fiat Palio, Chevrolet Meriva – que receberam três estrelas – e Toyota Corolla, com quatro estrelas.

Hyundai Veloster tem nota máxima em segurança