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Carros por assinatura – Locadoras ‘turbinam’ vendas de veículos, viram rivais de concessionárias e mudam jeito de ter carro

Além de revender usados, empresas conquistam espaço com aluguéis de longo prazo de veículos zero. Veja o que pensa quem aderiu ao carro por assinatura e como saber se vale a pena.

Começar todo ano com carro novo é um desejo que “cabe” em poucos bolsos. Mas novos jeitos de se ter carro, que não a tradicional compra na concessionária, estão tornando isso mais possível.

São aluguéis por prazos mais longos de veículos zero quilômetro comprados direto — e com desconto — das montadoras pelas locadoras. É o chamado carro por assinatura.

Com mais esse serviço, além de terem se tornado rivais das revendedoras de usados, abrindo lojas para negociar carros que saem da frota, as locadoras agora disputam clientes com as concessionárias.

A força é tão grande que as vendas feitas pelas montadoras direto para empresas, entre elas as locadoras, representam quase metade do total de emplacamentos de carros no ano passado no Brasil, o maior percentual histórico.

Como saber se vale a pena

Se você está pensando em aderir ao carro por assinatura, é importante deixar claro que cada caso exige um cálculo: o quanto você tem para investir em um veículo e a sua necessidade de uso, por exemplo, são itens que devem ser levados em conta.

O primeiro passo é calcular o custo de propriedade, isto é, tudo o que envolve ter um carro em seu nome, para depois comparar com os planos oferecidos pelas locadoras.

Tenha em mãos:

  1. valor do veículo (à vista ou financiado), considerando a versão desejada — para saber, consulte as seções “monte seu carro” nos sites das marcas;
  2. custos com documentação (primeiro licenciamento) e emplacamento, que podem ser obtido nos sites dos Detrans;
  3. valor do IPVA, que pode ser consultado no site das secretarias estaduais da Fazenda;
  4. valor do seguro (peça uma cotação de acordo com seu perfil);
  5. valor das manutenções do veículo, que pode ser conferido no site das fabricantes;
  6. depreciação média do veículo usado.

O G1 calculou o custo de compra, propriedade e depreciação de 3 veículos de categorias diferentes disponíveis nas principais locadoras do país.

Foram considerados valores de tributos do Estado de São Paulo, seguros para um morador da capital paulista, cotados pela Minuto Seguros, manutenções de acordo com os valores divulgados pela fabricantes, depreciação segundo os dados da Agência AutoInforme e financiamento pelo banco Bradesco, com simulações com 30% de entrada, ou sem entrada, e pagamento em 24 meses.

Nos casos em que o valor da entrada pode ser aplicado, foi considerado o rendimento igual à taxa Selic, 4,25% ao ano.

Como a Localiza não possui planos de 2 anos, ela ficou de fora da simulação.

Segundo a professora dos MBA’s da Fundação Getúlio Vargas, Myrian Lund, nos casos em que o pagamento é feito à vista, ou com entrada, é preciso também considerar o retorno que o comprador teria, caso investisse o dinheiro.

Ela também ressalta que, quanto mais longo o financiamento, mais caro fica o veículo ao final do contrato. “Um carro locado pode ser mais próximo de ser vantajoso, principalmente para quem utiliza financiamento”, disse.

Outra questão alertada por Lund é o valor de revenda dos seminovos. “Pode haver variação. Quando se vende na concessionária, o valor é menor do que para particulares”, completou.

Também é preciso considerar questões que não podem ser monetizadas, caso do tempo gasto com as burocracias de emplacamento de um veículo, ou todos os trâmites na hora anunciar e vender o carro.

Como funciona

As principais locadoras do Brasil oferecem carros por assinatura; uma seguradora também tem o serviço (veja mais detalhes ao final da reportagem).

Funciona assim: ao fechar um contrato de pelo menos 30 dias, o cliente paga uma mensalidade e tem direito a um veículo zero quilômetro com seguro, manutenção e documentação inclusos. Há contratos de até 3 anos e meio.

Além de se livrar dos gastos com seguro, manutenção, documentação, emplacamento e tributos, não é preciso se preocupar com depreciação e ter trabalho para vender o veículo depois: basta devolver para a empresa.

O gerente financeiro Thiago Ferreira começou a usar o serviço quando se tornou motorista de aplicativo, outro nicho importante de clientes das locadoras. Mesmo quando parou, continuou alugando.

“Financeiramente, parece ser mais caro, mas, a longo prazo, é mais barato”, afirma Ferreira.

Ele escolheu um Jetta e está com o veículo há cerca de 10 meses, também pagando uma mensalidade de R$ 2,2 mil. Pretende trocar por um outro em breve. “O contrato permite que eu troque por um outro, novo”.

Por outro lado, é preciso levar em consideração que alguns serviços são pagos à parte. É o caso de incluir condutores adicionais.

O que diz quem aderiu

Esqueça a imagem de carro branco e popular: nos aluguéis a longo prazo, as locadoras contam até com modelos luxuosos, variedade de versões e de cores, assim como as concessionárias.

Quem abriu mão de ter um carro em seu nome diz que a vantagem está em deixar de arcar com gastos extras, como IPVA e seguro, além da possibilidade de trocar por um novo em um prazo determinado. Ou seja, ter sempre um carro zero nas mãos.

A principal desvantagem, citada por alguns dos entrevistados pelo G1, está no fato de que, desse modo, o automóvel deixa de ser um patrimônio que pode ser vendido em caso de necessidade.

O empresário Thales Cruz, de 26 anos, também optou alugar um Volkswagen Jetta por R$ 2,2 mil mensais depois de ficar descontente com o valor de revenda de seu último carro próprio, um Kia Cerato.

Para saber o que valia mais a pena, ele comparou o valor mensal do aluguel contra o das parcelas, caso comprasse um modelo idêntico financiado, sem dar entrada.

“Acho que estou economizando cerca de 20% com o carro por assinatura. Além disso, não teria como pagar um carro como esse”, diz Cruz.

Ele também considerou a desvalorização sofrida pelo veículo no período de 1 ano e o seguro, que, se fosse feito em um carro particular, ficaria caro para sua faixa de idade.

Para a economista Tijana Jankovi?, o que fez diferença foi a flexibilidade. Ela só usava o transporte por aplicativos, mas quis ter um carro depois de se tornar mãe, em julho. Entre financiar e alugar, ficou com a segunda opção e paga R$ 2,3 mil mensais por um Jeep Renegade.

“Praticamente temos um carro próprio, mas sem a dor de cabeça dos gastos relacionados. Também é conveniente, já que dois meses por ano passamos fora do Brasil. Aí devolvemos o carro, e, quando voltamos, alugamos outra vez”, diz Tijana.

Veja como operam as empresas de aluguel de longo prazo:

Localiza Mensal Flex

  • Onde? 598 lojas em mais de 390 cidades de 6 países.
  • Quanto custa? Os valores variam de região para região, já que o sistema de precificação da Localiza conta com um grande número de variáveis em sua composição. Preços mais baixos têm média de R$ 1.538 por mês, no contrato de 12 meses para um veículo econômico com ar-condicionado.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA, além de carro reserva, se a manutenção levar mais do que 4 horas.
  • Quais carros? Segundo a Localiza, são mais de 300 mil carros de 50 modelos diferentes.
    Quanto pode rodar por mês? 3.000, 4.000 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? Contrato varia de 30 a 365 dias. Pode ser interrompido a qualquer momento.
  • Quem pode? Ter no mínimo 21 anos de idade, 2 anos de habilitação e cartão de crédito com limite suficiente para pagamento antecipado.

Porto Seguro Carro Fácil

  • Onde? Estado de São Paulo e Grande Rio.
  • Quanto custa? A partir de R$ 999, no Plano Controle (válido por 12 meses com franquia de 500 km por mês). E a partir de R$ 1.189 no plano Convencional (de 12 a 24 meses).
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA, além do serviço de leva e traz para revisões do veículo.
  • Quais carros? Mais de 30 modelos, entre eles: HB20, Ka, Kwid, Polo, Virtus, Yaris, Kicks, T-Cross, Hilux, S10, C180 e XC40.
  • Quanto pode rodar por mês? 500 km por mês no controle e 1.000, 1.500, 2.000 ou 2.500 km por mês no convencional.
  • Por quanto tempo? 12, 18 ou 24 meses.
  • Quem pode? Ter no mínimo 25 anos de idade, 2 anos de habilitação e uma garagem para guardar o veículo.

Unidas Livre

  • Onde? Todas as capitais do Brasil, São Paulo e outras cidades.
  • Quanto custa? A partir de R$ 889.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA. Opcionalmente, tem serviço de leva e traz para revisões do veículo e carros blindados.
  • Quais carros? Mais de 70 modelos diferentes.
  • Quanto pode rodar por mês? 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 3.500, 4.000, 4.500 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? 12, 18, 24, 30, 36 ou 42 meses.
  • Quem pode? Ter no mínimo 18 anos, CPF válido, carteira de motorista, enviar comprovante de residência e ter o crédito aprovado.

Movida Mensal Flex

  • Onde? Em 188 lojas em todos os estados do país.
  • Quanto custa? A partir de R$ 1.300, sem variação de local.
  • O que oferece? Seguro, manutenções preventivas, documentação, licenciamento e IPVA.
  • Quais carros? Mais de 120 modelos, considerando versões com motorizações e câmbios. Entre eles: Mobi, Onix, HB20, Argo, Prisma, Renegade, Compass, Strada, Corolla, Passat e Mercedes C 180.
  • Quanto pode rodar por mês? 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 3.500, 4.000, 4.500 ou 5.000 km por mês.
  • Por quanto tempo? Contrato varia de 30 a 720 dias. Pode ser interrompido a qualquer momento.
  • Quem pode? Ter no mínimo 18 anos, habilitação e cartão de crédito com limite de R$ 700.

Fonte: G1

 

Alugar um carro vale a pena

Saiba a resposta com comparativo de tarifas e o relato de quem já usou esse serviço

Quando o assunto é aluguel, os imóveis são os primeiros produtos imaginados pelos brasileiros. No entanto, a gama de bens disponíveis para locação vai muito além de casas ou apartamentos. Os carros são um exemplo. O setor de aluguel de veículos cresce a cada ano e, aos poucos, se estabelece na cultura nacional.

Segundo dados da ABLA (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis), essa expansão está ocorrendo desde o início da década passada. Em 2008, data do último anuário, o faturamento chegou a quase R$ 4 bilhões. Desse total, 55% correspondem à terceirização de frotas e 45% foram proporcionados pelo “rent a car” – aluguel diário para turismo de lazer ou negócio.

O relato de quem já usou o serviço

Antônio Carlos Pinho, arquiteto, já usufruiu desse serviço em diversas ocasiões. “Algumas vezes foram a trabalho para fazer o trajeto de Vitória a Aracruz ou percursos em Salvador e no Rio de Janeiro. Outras foram para passear nas férias, geralmente, percorrendo as praias do nordeste”, conta.

Os meses de alta temporada turística, segundo João Claudio Bourg, presidente executivo da ABLA, são os períodos de maior demanda do “rent a car”. “Fato curioso é que o brasileiro que costuma viajar à Flórida, nos Estados Unidos, já se acostumou com a presença do carro alugado nos pacotes turísticos, mas, muitas vezes, ignora que existem esses mesmos benefícios no Brasil. Em um país de dimensões continentais como o nosso, as distâncias podem ser vencidas com mais conforto e agilidade a bordo de um veículo alugado”, completa.

Essa flexibilidade que um automóvel locado oferece é uma das principais vantagens apontadas por Antônio Carlos. “Ter um carro à disposição em um local onde você não poderia estar com seu próprio veículo permite percorrer grandes trajetos e fazer seu próprio horário”, afirma. Ele ainda acrescenta que, embora na época das férias haja menos possibilidades de escolha, sempre existem carros disponíveis. Segundo o arquiteto, os veículos populares são os que têm melhor custo benefício. “Geralmente, ainda consigo um bom desconto apresentando a carteira do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura)”, informa.

Tarifas Brasil: cidade de São Paulo Tarifas Europa: Frankfurt, Alemanha
Econômico (Gol, Palio, Celta com ar condicionado): R$ 106 a diária ou R$ 633 a semana Econômico (Polo, Fiesta): uma semana – US$ 299 com franquia e US$ 362 sem franquia
Intermediário (Siena Premium ou Polo Sedan com ar-condicionado): R$ 144,10 a diária ou R$ 865 a semana Intermediário (Ford Mondeo, Peugeot 407 ou Vectra): uma semana – US$ 370 com franquia e US$ 416 sem franquia
Luxo (Corolla, Vectra, Bora com ar): R$ 195 a diária ou R$ 1.234,20 a semana Luxo (BMW Série 5, Mercedes-Benz Classe E, Audi A6): com franquia, US$ 725 e, sem franquia, US$ 854 a semana
O que inclui: proteção parcial contra roubo, furto, colisão e danos, quilometragem livre, impostos e taxas. O que inclui: proteção, taxa de aeroporto, quilometragem livre e proteção a terceiros.’

Apesar de incentivar o uso de carros alugados, nem todas as experiências de Antônio foram tão agradáveis. Durante uma viagem a João Pessoa, ele teve o vidro do motorista quebrado. “Tinha deixado uma toalha sobre o painel para protegê-lo do sol e pensaram que poderia ter algo de valor sob ela”, conta. Sempre que aluga um carro, o arquiteto opta pelo seguro total, mas como, nesse caso, o valor do dano não ultrapassou a franquia, ele acabou bancando a despesa.

Para evitar prejuízos, outra estratégia adotada pela maioria das locadoras é alugar automóveis somente para maiores de 21 anos habilitados há mais de dois anos. Com essa idade, o condutor já tem responsabilidade civil e responde legalmente em caso de acidente. Segundo o presidente da ABLA, outra prática comum entre as empresas do setor é adotar o cartão de crédito como forma de pagamento. “Essa opção agiliza a aprovação do cadastro e a efetivação do aluguel”, afirma João Claudio.

Um caso em que a locação é uma necessidade
No Brasil, a média de renovação das frotas é de 16 meses. O mercado de aluguel de carros é o principal cliente corporativo das montadoras no país. Segundo dados da ABLA, em 2008, elas adquiriram mais de 11% da produção nacional de automóveis.

Enquanto no Brasil o crescimento das locadoras acompanha um bom momento da indústria automobilística, em Cuba, país que vive sob um regime econômico e político bem diferente, a situação é oposta e inusitada. Lá o serviço de aluguel de carros desponta como uma solução improvisada diante da insuficiência da oferta de automóveis.

José Gabriel Navarro, estudante, conta que durante os dezessete dias que esteve em Havana percebeu que o sistema de locação de carros compreendia todo tipo de veículo. “Como pouquíssimas pessoas lá conseguem carros pelas vias legais, há um mercado informal, no qual algumas pessoas alugam seus automóveis antigos. O consumidor é, em geral, um nativo sem muito dinheiro que recorre a esse serviço por pouco tempo, já que os guardas, em Havana, multam e exigem documentos a todo instante”, afirma. O estudante acrescenta que esses automóveis antigos fazem parte do imaginário cubano. “Em Habana Vieja (Centro Velho) há quem alugue esses carros apenas para as pessoas tirarem fotos”, afirma.

No entanto, nem só de modelos antigos vive o mercado cubano de locação de carros. Há empresas – pertencentes ao governo – que oferecem modelos modernos e caros aos turistas. “Fiquei no bairro de Miramar, marcado pela presença de estrangeiros, e lá é incrível a quantidade de BMWs contrastando com os carros velhos da população”, lembra Gabriel.

Fonte: AutoEsporte