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Por que o valor dos carros só sobe mesmo com as vendas em queda?

alx_automoveis-concessionaria-loja-20110823-0180-original_originalO cenário de faroeste toma conta da maior parte das concessionárias. Recepcionistas olham o Facebook, grilos estridulam, alguns vendedores andam em círculos enquanto outros conversam entre si. O tempo demora a passar e o medo do desemprego ecoa num silêncio angustiante, que só é quebrado quando raros compradores surgem à porta. Na maior parte das vezes, não fazem negócio. “É um ano de tristeza e falta de perspectiva”, lamenta Odorico Damião, gerente comercial de uma concessionária Ford, a Avenida Francisco Morato, na zona sul de São Paulo.

Este cenário ilustra os números negativos que vêm sendo divulgados desde o ano passado sobre o setor automotivo. Caem a demanda, as vendas e a produção. Mas, curiosamente, não os preços. Enquanto as vendas recuaram 20% e a produção caiu 19% no acumulado do ano, os preços subiram 8%, em média, segundo a consultoria Jato Dynamics.

O economista Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, explica o movimento. Um dos argumentos é a recomposição das alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI), que entrou em vigor no início do ano. Em busca de elevar a arrecadação, o governo teve de recuar nas políticas de estímulo ao consumo implementadas nos últimos anos. Como o IPI incide diretamente sobre o preço ao consumidor, o impacto é sentido de imediato. Outro fator importante é o aumento dos custos, diz o economista. “Houve alta nos insumos importados, na energia, no transporte e nos combustíveis. Isso apertou as margens de lucro das empresas e elas decidiram repassar parte disso às revendas”. As montadoras vinham bloqueando os repasses desde 2012 na expectativa de que o mercado voltasse a crescer como nos anos anteriores. Em 2015, os reajustes foram inevitáveis – e coincidiram justamente com o ano em que o setor enfrenta a sua pior crise em mais de uma década.

Na concessionária Peugeot, em Indianópolis, bairro da capital paulista, um automóvel 208 top de linha está 5 mil reais mais caro desde o primeiro trimestre do ano, período em que ocorreram os reajustes no setor. Na Fiat da rua Sena Madureira, na Vila Mariana, a alta dos preços chega a 2.500 reais, dependendo do veículo. O Fiat 500 modelo 2015 passou de 57.500 reais para 59.500 reais – e o preço não cede nem mesmo com a demanda em queda. Na Chevrolet da rua da Consolação, o Onix passou de 33.990 reais para 36.990 reais, enquanto uma pick-up S10 ano 2015 teve reajuste de 5 mil reais (passou de 87 mil para 92 mil reais).

Os preços mais altos, o crédito mais caro e a incerteza do consumidor em relação ao próprio emprego fazem com que um círculo vicioso se forme no setor. Em maio, a unidade da Fiat da Sena Madureira teve uma queda de 50% nas vendas. Um estoque que antes servia para suprir 30 dias de comércio, agora dura pelo menos 50. “A tendência é que as montadoras reduzam a produção ainda mais”, avalia o gerente comercial da concessionária, Cyro Haydt. Na loja, eram vendidos cerca de 100 automóveis por mês no ano passado, quando a economia não estava lá muito aquecida. No final daquele ano, conta Haydt, o volume recuou para 60 carros por mês. Agora, se as vendas chegam a 30, comemora-se. Esses números ajudam a explicar porque durante uma hora de conversa com o gerente, nenhum cliente entrou na loja.

Ainda que as perspectivas de analistas prevejam melhora apenas em 2016, a tendência é de que os preços não cedam. “As concessionárias podem baixar os valores para aumentar a escala das vendas e desovar estoques. Mas, ao cortar preços, reduzem sua margem de lucro”, diz Baggi. Segundo o economista, descontos podem surgir com mais facilidade, desde que os consumidores barganhem. “A bola está do lado do consumidor. O problema é que as famílias têm travado seu consumo devido ao momento econômico difícil”, diz.

Na concessionária Ford da Francisco Morato, na zona Sul de São Paulo, ainda que os preços tenham subido para alguns modelos, houve promoções pontuais para atrair clientes. Mas nem isso melhorou as vendas, que recuaram 30% desde o início do ano. O gerente da loja, Odorico Damião, acredita que a queda se explica, sobretudo, porque os brasileiros não querem fazer novas dívidas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa as montadoras nacionais, Luiz Moan, tem a mesma visão. Ele diz que os consumidores pararam de comprar por desconfiança em relação ao futuro, e não porque o preço subiu ou o crédito está mais caro. Segundo ele, a única forma de reavivar o ímpeto da população e do empresariado é a implementação do ajuste fiscal. “Somente com o ajuste as regras ficarão claras, o planejamento será mais preciso e a atividade será retomada”, afirma.

Ainda que não tenham sofrido os solavancos do IPI, os carros importados foram impactados pela alta do dólar. Mas a queda nas vendas do setor é menor: de 14% de janeiro a maio, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). Importadoras dos automóveis Jeep, Jaguar e Volvo tiveram alta nas vendas no período. A BMW, que possui a segunda maior participação de mercado entre os importados, viu suas vendas recuarem apenas 2,9% – queda tímida, se comparada ao total do setor. Marcel Visconde, presidente da Abeifa, entoa o coro de Moan, da Anfavea: “Se não tivermos uma clara mensagem de que os ajustes fiscais necessários serão aprovados pelo Congresso, os resultados dos próximos meses seguirão ruins”, diz.

Recorde de vendas de veículos no Brasil em 2012

vendas-de-carros-ultimos-3-anos-tabelaA indústria automobilística nacional fechou 2012 com mais um recorde de vendas, com o total de 3.801.859 veículos emplacados, um crescimento de 4,6% sobre 2011, que tinha o marco de 3.632.842 unidades. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (3) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O mês de dezembro foi “coroado” com 359.339 veículos emplacados, número que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O segmento de motos é contado à parte.

Ao comparar com novembro (311.753 unidades), a alta no emplacamento de veículos em dezembro foi de 15,2%. Em relação ao mesmo período de 2011, que havia fechado com 348.414 unidades comercializadas, o aumento foi de 3,14%.

Para o setor, que temia queda neste ano devido às oscilações econômicas nacionais e mundiais, o resultado é uma prova de que as medidas do governo para preservar o setor deram certo. A principal foi a volta do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), determinada no fim de maio, quando os estoques de carros nos pátios e lojas atingiram altos níveis. A medida acabou prorrogada até julho de 2013.

Antes disso, para que os benefícios não ajudassem empresas ou fábricas fora do país (mais competitivas), o governo barrou a “invasão” de carros “gringos”. Para isso, aumentou o IPI dos importados de fora do México e do Mercosul, o que deu um “tombo” nas vendas das importadoras em 2012, e também estabeleceu limites às compras de carros do México, o que fez alguns modelos escassearem nas lojas bem antes do fim do ano.

Para impulsionar as vendas de caminhões e motocicletas, que enfrentaram um 2012 difícil, o governo criou linhas de crédito no segundo semestre, e esses setores começaram a esboçar reação nos últimos meses.

Automóveis e comerciais leves

Alvo do IPI menor, o segmento que puxou a indústria automobilística para cima foi o de automóveis e comerciais leves, que cresceu 6,1% em 2012 sobre o ano anterior, que teve 3.425.270 carros vendidos. Em 2012, o total chegou a 3.634.421 milhões de unidades, batendo o sexto recorde anual consecutivo.

O resultado superou as expectativas da federação, que tinha anunciado previsão de aumento das vendas de automóveis e comerciais leves entre 4% a 4,8%. “Estamos terminando com número bom, graças ao incentivo da redução do IPI. O resultado foi melhor do que poderíamos esperar”, afirmou o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, ao anunciar os números.

No último mês do ano, as vendas de automóveis e comerciais leves somaram 343.770 unidades, volume 15,7% superior ao vendido em novembro. Com o resultado, dezembro de 2012 foi o segundo melhor para o segmento, atrás somente do de 2010. Na comparação com o mesmo período de 2011, as vendas de automóveis e comerciais leves foram 4,4% maiores.

No entanto, o “efeito IPI” deverá se enfraquecer daqui para frente: a partir deste mês de janeiro, o desconto será reduzido gradualmente até o imposto voltar ao “normal”, em julho. O IPI dos carros 1.0, por exemplo, que estava zerado, agora é de 2% (veja ao lado todas as categorias).

Caminhões e ônibus

As vendas de caminhões em 2012 somaram 167.438, uma de queda de 19,3%. O mau desempenho se deveu às antecipações de vendas em 2011, antes de começar a valer a obrigatoriedade de os caminhões com motores a diesel passarem a utilizar o padrão Euro5, menos poluente, e que, segundo as montadoras, encareceu os veículos. O segmento registrou seguidas baixas nas comparações mensais, mas, no fim do ano, começou a reagir. Em dezembro, foram emplacadas 15.569 unidades, 5,55% a mais do que em novembro.

O segmento de ônibus também registrou baixa na comparação com 2011: foram 29.716 unidades emplacadas, 14,9% menos do que naquele ano. Em dezembro também houve reação: foram vendidos 3.045 ônibus, 39,1% a mais do que em novembro. “Basicamente a redução ocorreu pela antecipação de compra em 2011, devido ao Euro 5. Nos últimos 3 meses houve uma retomada, devido a liberação de crédito pelo governo”, explicou o presidente da entidade.

Gol segue como carro mais vendido

O Volkswagen Gol, que passou por uma reestilização em julho, confirmou sua posição de líder de vendas no mercado brasileiro pelo 26º ano consecutivo. Foram 293.293 unidades comercializadas em 2012, pouco mais de 37,4 mil à frente do segundo colocado, o Fiat Uno, com 255.838. Vale lembrar que a Fenabrave soma das vendas do Gol G4 (Geração 4) e do Novo Gol, assim como faz com o Novo Uno e o Mille.

Em terceiro na lista dos carros mais vendidos no ano ficou o Fiat Palio, com 186.384 unidades, seguido por Volkswagen Fox/ Cross Fox (167.685), Chevrolet Celta (137.617), Fiat Strada (117.455), Ford Fiesta (113.546), Fiat Siena (103.547), Chevrolet Classic/Corsa Sedan (98.551) e Renault Sandero (98.442).

Ranking de montadoras

Por outro lado, a Volkswagen não levou a liderança ao considerar o volume total de vendas de automóveis e comerciais leves. O título ficou mais uma vez para a Fiat, que encerrou 2012 com participação de 23,6% (838.160 unidades). A Volkswagen teve fatia de 21,14% (768.338).

A General Motors fechou o ano passado a terceira maior fatia (17,68%) do mercado brasileiro (642.536). A Ford teve participação de 8,9% (323.642). Em expansão, a francesa Renault registrou 6,65% de “market share” (241.556). A japonesa Honda ficou com 3,71% (134.938), seguida de Toyota (3,13%, com 113.728 unidades), Hyundai (2,98%, com 108.351), Nissan (2,88%, com 104.791) e Citroën (2,05%, com 74.590).

Motocicletas

Calculado à parte, o segmento de motocicletas, que tem sofrido com as restrições de liberação de crédito para financiamentos, sofreu forte queda nas vendas em 2012. O ano encerrou com 1.637.481 unidades emplacadas, retração de 15,6% sobre as 1.940.533 de 2011.

Somente em dezembro, a queda chegou a 28,7% em relação ao mesmo mês de 2011. Em relação a novembro de 2012, houve, no entanto, alta de 13,31%, consequência das facilitações de crédito no mercado, especialmente para motocicletas de baixas cilindradas.

“O segmento que mais sofreu foi o de motos, fundalmentalmente por questões de crédito e renda. A expectativa de recuperação é mais pessimista, em 2013, O crédito continuará reestrito”, alerta Meneghetti.

Previsões

Para o presidente da Fenabrave, os três primeiros meses serão fracos. “Mas nossa expectativa é crescer próximo à previsão do PIB previsto para 2013, de cerca de 3%.”

Segundo a Fenabrave, as vendas do setor deverão crescer 2,8%, sendo que automóveis e comerciais leves devem ter alta de 3%; caminhões, 16%; ônibus, 4,1%; e motos, 1,3%.

Carros usados – Com efeito do IPI mais baixo veículo seminovos desvalorizam até 20% mais


Wilson Gonçalves, dono de loja de usados, viu movimento cair 50% em relação a 2011

A desvalorização dos veículos seminovos e usados é apontada pelo setor como a principal sequela causada pelo desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos, que provocou alta nas vendas dos zero quilômetro e ajudou no pequeno crescimento de 0,6% economia brasileira no 3º trimestre, anunciado nesta sexta-feira (30).

Ao cruzar o custo na tabela Fipe de um modelo seminovo com o preço de veículos novos, o consumidor observa que pagaria cerca de R$ 42 mil em um Toyota Corolla XLi 1.8 Flex ano 2009, por exemplo, enquanto o mesmo carro, zero quilômetro, sairia por R$ 62.800. O sedã usado vale praticamente o mesmo de outro modelo da marca, o Toyota Etios 1.5 16V XLS, que é um compacto cujo preço sugerido em R$ 42.790.

O efeito colateral sobre os preços de seminovos e usados, de acordo com os lojistas consultados,  é uma baixa que varia entre 10% e 20% — para comparação, o desconto do IPI chega a 10% nos carros novos — e prejudica concessionários a revendedores multimarcas. “Um monte de lojas fechou, outras passam por dificuldades extremas. O governo usou o desconto do IPI para forçar o crescimento do PIB, mas isso causou um racha no mercado”, afirma o proprietário da Phoenix Multimarcas, Wilson Gonçalves Junior, que tem a loja em São Paulo há 10 anos.

Segundo o empresário, durante este ano o movimento em sua loja caiu 50% em relação às vendas de 2011. “Eu vendia 30 veículos por mês. Hoje a gente vende entre 15 e 18 carros. Em novembro, que normalmente é um mês forte, nós vendemos até agora só 11 unidades”, contabiliza.

Um monte de lojas fechou, outras passam por dificuldades extremas. O governo usou o desconto do IPI para forçar o crescimento do PIB, mas isso causou um racha no mercado”

O mesmo problema foi sentido pelo gerente de vendas da concessionária Fiat Auguri, Maier Polera. Segundo ele, 40% a 50% dos negócios fechados na concessionária são feitos tendo carros seminovos e usados como entrada.

“As pessoas olham muito o desconto para o carro novo. Então, mesmo que o carro que o cliente dá na entrada esteja muito desvalorizado, ele fecha o negócio e compra o novo”, afirma Polera, que ainda tenta desovar os carros que a concessionária comprou como entrada dos negócios de novos.

Sobre o valor que está na tabela Fipe, o economista Alexandre Lignos ressalta que no cálculo do lojista entra ainda o desconto dos impostos e o lucro que terá com a venda do carro, mas sem perder um preço acessível para poder vender. Por isso, os valores oferecidos na troca sempre ficam abaixo da tabela.

De acordo com o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti, dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), neste ano, mais de 4,5 mil lojas de seminovos fecharam as portas nos últimos 90 dias.

“Mas no Brasil são 45 mil lojas. Ou seja, essa foi uma fase de ajuste que a crise de mercado provoca. Muitos dos que fecharam não eram empresários sérios, profissionais”, argumenta Meneghetti.

Crédito mais restrito

O IPI não foi o único vilão do mundo de seminovos e usados. O encalhe desses veículos também é causado pela restrição maior ao crédito e a prática de taxas de juros maiores, já que para os bancos financiadores, o mercado de novos tem mais garantias. “Os bancos não querem arriscar, principalmente agora, com a inadimplência alta por causa de políticas passadas que não foram corretas, como conceder muito crédito. Enquanto o mercado não se normalizar, comprar um usado por meio de crédito continuará muito caro”, ressalta o proprietário da Phoenix Multimarcas.

Recuperação

Embora o IPI tenha prejudicado o mercado de seminovos e usados, o presidente da Fenabrave afirma que a recuperação começou a ser sentida neste mês.

“O veículo usado que estava parado já vem rodando normalmente, em função dos financiamentos, dos veículos usados como entrada na compra de novos e de usados sensíveis ao crédito”, diz Meneghetti, que considera a queda da inadimplência. Fora isso, a perspectiva do fim do desconto no IPI a partir do dia 1º de janeiro também anima o setor.

“Quem pode comprar o novo tem crédito melhor, mas quem tem renda menor não tem acesso, precisa do usado”, diz o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Décio Carbonari.

Já de olho nesse novo fôlego, empresas procuram encontrar alternativas para atrair novos clientes que se interessem pelos seminovos. A Rodobens Seminovos, por exemplo, entrou no mercado em outubro deste ano, com a proposta de oferecer veículos revisados com garantia de 1 ano.

Como o grupo Rodobens possui empresas de leasing, locação, banco de financiamento, consórcio, entre outros negócios, eles conseguem “peneirar” veículos ainda com alta qualidade, sem batidas e em bom estado, o que ajudar a girar o negócio da própria empresa.

“O consórcio e o banco Rodobens, por exemplo, recebem veículos de clientes inadimplentes. Dessa forma, conseguimos revender em condições melhores”, exemplifica o diretor geral da Rodobens Seminovos, Elvio Lupo, que por, enquanto administra hoje 2 pontos de vendas, mas que deverão passar a 25 pontos até o fim de 2013.

Antecipação de compras

Outra consequência do desconto do IPI é a antecipação de compras que o benefício causa, mas que só vai ser refletida no ano que vem. O benefício, inclusive, foi prorrogado duas vezes, o que gerou recordes de vendas de carros no setor. Ele deve acabar em 31 de dezembro próximo, mês em que também é esperado um “boom” de procura por veículos zero quilômetro.

Para o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, e para o presidente da Jac do Brasil, Sergio Habib, janeiro e fevereiro, meses tradicionalmente mais fracos, pesarão negativamente no balanço do primeiro semestre de 2013. Schmall estima alta de 2% nas vendas em 2013, com média de 300 mil carros emplacados ao mês, ao todo, no Brasil.

Preços devem subir em 2013

Habib já é mais pessimista e acredita que o mercado vá ficar estável em relação a 2012. “O mercado pode crescer 1% ou cair 1%. O PIB e a massa salarial vão crescer, mas há outros fatores”, explica. De acordo com o empresário, tais fatores são a queda lenta da inadimplência, abaixo do previsto, e a pressão para o reajuste dos preços.

“O preço dos carros não é ajustado há três anos e há uma grande pressão para isso por causa do aumento do custo. Para ter ideia, 40% do preço do carro está atrelado ao dólar. Se o governo não prorrogar o desconto do IPI, os valores vão aumentar”, analisa Habib.

Thomas Schmall acrescenta outro fator na conta: a obrigatoriedade de freios ABS e airbag. Para picapes com cabine dupla, a regra já valerá no ano que vem; para carros, entra em vigor em 2014.

Crédito mais ‘saudável’

Apesar das consequências, o balanço é positivo para o setor de uma forma geral. No caso dos bancos das montadoras, principais financiadores na compra de carro, com a queda nas taxas de juros, a redução do IPI e, posteriormente, com a prorrogação do benefício, ocorreu o retorno ao mercado de um público com renda maior e com melhores garantias de pagamento. “Como consequências, tivemos um aumento de recursos liberados e uma melhora no nível de adimplência”, ressalta.

Outro movimento observado pela Anef foi o aumento da procura por consórcios. “Parece que o brasileiro se lembrou de que existia o consórcio, especialmente nas classes C e B, por ser mais barato ao exigir somente a taxa de administração e por oferecer prazos mais longos”, destaca Décio Carbonari. Segundo ele, no acumulado dos últimos quatro anos a participação do consórcio nas compras de carros novos subiu de 4% para 8%.

IPI prorrogado – A presidente Dilma Rousseff diz que governo vai deixar até o fim do ano a taxa do IPI reduzido

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira (24) que o governo vai prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, que acabaria no dia 31 de outubro, até o final do ano. A declaração foi feita ao final de seu discurso no Salão Internacional do Autómóvel, no Anhembi, em São Paulo.

“Queria fazer um anúncio para vocês antes de encerrar: eu hoje vim aqui também anunciar que nós vamos prorrogar a redução do IPI até 31 de dezembro de 2012”, disse.

É a segunda vez que o governo prorroga a redução do benefício neste ano, que foi anunciada inicialmente em maio. Em agosto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a primeira prorrogação da redução do imposto, que, a princípio, venceria no dia 31 daquele mês.

Desde o início da redução do IPI para o setor, houve aumento significativo na venda de carros novos e redução dos estoques das montadoras. Em agosto, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou que as vendas de veículos tiveram o melhor mês da história da indústria automobilística. A marca recorde é de 420.101 unidades e representa aumento de 15,3% sobre julho e de 28,3% em relação a agosto do ano passado, com 327.360.

Um mês após o recorde, contudo, as vendas caíram 31,5% em setembro sobre agosto. O recuo aconteceu justamente porque, no mês anterior, houve uma “corrida” às concessionárias porque o prazo para o desconto no IPI terminaria no dia 31 daquele mês.

Redução do IPI

O corte do IPI depende da potência do motor e do local em que ele é produzido (se nacional ou importado). Para carros novos com motor de mil cilindradas (1.0) e fabricados no Brasil, que são os mais vendidos, a alíquota normal do imposto foi de 7% para 0%. Já para os importados com o mesmo tipo de motor, a alíquota foi de 37% para 30%.

Discurso da Dima

“Nossa indústria automobilística é sofisticada, representada por grandes empresas mundiais. Somos um mercado extremamente atraente”, disse a presidente no seu discurso no Salão do Automóvel.

A presidente também falou em seu discurso sobre o novo regime automotivo, o Inovar Auto, que vigorará entre 2013 e 2017, acrescentando que sentiu grande força por parte dos empreendedores em criar produtos que são atraentes para o mercado. O objetivo do regime é ter carros melhores, mais eficientes, modernos, com menos emissão de carbono e a preços mais baixos.

Desconto no IPI – Carro que gastar menos combustível terá imposto reduzido

Anúncio foi feito durante a apresentação do novo regime automotivo.
Meta é atingir consumo de 17,26 km por litro de gasolina em 2016, diz.

O governo vai reduzir em até dois pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre os carros que atingirem metas de redução de gastos de combustível. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (4) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. As montadoras que investirem em inovação, engenharia de produção e componentes industriais também terão desconto de outros dois pontos percentuais do IPI.

“Estamos dando um incentivo de 4%. É o que o governo pode fazer no momento”, disse o secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, explicando que o benefício é para os fabricantes. Como o mercado é livre no Brasil, isso não significa que a redução do IPI, concedida apenas se as condições do governo forem cumpridas, será necessariamente repassada para o consumidor final.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, é possível reduzir o preços dos carros “ao longo do tempo, na medida em que tiver maior escala de produção”. Ele não soube dizer, porém, em quanto o preço dos automóveis poderia recuar no futuro.

Novo regime automotivo

Essas medidas de incentivo foram apresentadas junto com o novo regime automotivo, o Inovar Auto, que vai vigorar de 2013 a 2017. Pelo novo regime, os veículos que atenderem a uma série de requisitos ficarão isentos da alta de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) anunciado no ano passado. A medida de 2011 exigia das montadoras um nível mínimo de peças e partes fabricadas no Brasil para ficarem livres da tributação extra.

O novo regime tem por objetivo ter carros melhores, mais eficientes, modernos, com menos emissão de carbono, e a preços mais baixos, informou o governo.

Pelo decreto presidencial que regulamenta o novo regime automotivo, a média dos veículos dos beneficiários do regime comercializados a partir de 2017 terá de consumir 12,08% menos combustível do que atualmente. Carros que consumam 15,46% menos, em 2017, terão direito ao abatimento de um ponto percentual no IPI e, caso consigam implementar uma economia de 18,84% naquele ano, o abatimento do IPI sobe para dois pontos percentuais.

“Estamos indo além disso. Vamos oferecer incentivo para as empresas que alcançarem metas de eficiência energética, acordadas com o setor produtivo. Elas poderão ter redução do IPI além dos 30 pontos percentuais. Serão até 2 pontos percentuais a mais, além dos 30 pontos percentuais. O IPI médio é em torno de 10%, 11% atualmente, para as fábricas que estão aqui. Ele pode cai para 8%”, declarou Pimentel.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, a meta do governo é que os fabricantes cheguem, em 2016, o que será medido em 2017, com o consumo de 17,26 quilômetros por litro de gasolina (atualmente, de acordo com o ministro, a média está em 14 quilômetros por litro).

No caso do álcool (etanol), a meta é chegar a 2016 com um consumo de 11,96 quilômetros por litro, contra 9,7 quilômetros atualmente.

“Essa é a meta da Europa em 2015. Vamos exigir a mesma coisa com um ano de diferença. É bastante compatível com o esforço que a indústria está fazendo para se adequar ao padrão internacional. O carro, com esta meta, vai significar uma economia de combustível anual de R$ 1.150. Com etanol, a economia é um pouco menor. É uma economia significativa, de cerca de três quartos (3/4) do IPVA pago na média do país”, afirmou ele.

Segundo avaliação dos fabricantes de veículos, os benefícios do novo regime aos consumidores começam justamente pela eficiência energética, ou seja, pela redução no consumo de combustível – gerando economia para a população.

Mantega

“Estamos lançando o novo regime automotivo, cujo objetivo é dar um impulso forte para a indústria automobilística brasileira. Já temos uma das mais importantes do mundo. Com esse regime, esperamos ocupar um espaço ainda maior nos proximos cinco anos. É um programa que estimula os investimentos da indústria. É uma das que mais investem no Brasil e queremos que continue aumentando investimentos”, declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante o anúncio.

Vendas de carros novos – As vendas de veículos zero-quilômetro bateu recorde em agosto

As vendas de veículos zero-quilômetro atingiram recorde em agosto. Levando em conta a soma de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, o setor comercializou 420 mil unidades no mês, melhor resultado mensal da história no País.

O número expressivo de vendas, 15% maior do que o total vendido em julho e 28% acima do resultado de agosto de 2011, reflete o impulso dado pela medida do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para os carros, que terminaria no dia 31 de agosto.

Com o benefício, que isentou do tributo automóveis 1.0, a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no crédito para pessoa física para 1,5% e as promoções de montadoras e lojistas, as parcelas dos financiamentos diminuíram em torno de 14%, cita o presidente da Fenabrave, Flavio Meneghetti.

Como muita gente correu para aproveitar o que seriam os últimos momentos de preços menores gerados pelo incentivo do governo, faltou até carro (modelos mais populares, por exemplo) para atender a demanda, segundo os representantes dos concessionários. E, com a forte procura, os estoques no segmento, que estavam em 43 dias (tempo necessário para a comercialização desses volumes) no começo do ano, caíram para 15 dias em agosto, afirma o dirigente. “Neste mês, deve voltar para 20 a 23 dias, que é o ideal para se trabalhar”, prevê.

O forte desempenho no mês e também a prorrogação do IPI reduzido para os carros até 31 de outubro levaram a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) a revisar suas projeções para o ano todo.

No mês passado, a entidade projetava retração de 0,5% no volume comercializado em 2012 frente a 2011, agora já estima alta de 4,9% (incluindo os quatro segmentos de veículos) – o que daria 3,84 milhões de unidades vendidas – e, para automóveis e comerciais leves, que ficariam estáveis, agora calcula expansão de 8%.

MOEDA DE TROCA – Os preços mais atrativos dos carros novos, a partir do fim de maio, quando o IPI reduzido entrou em vigor, geraram forte desvalorização dos usados e colaboraram para a quebra de cerca de 7.000 revendas independentes no País.

Meneghetti cita que as concessionárias também foram afetadas, embora em menor medida. Isso porque o usado serve como “moeda de troca” para o consumidor que quer ter um zero-quilômetro. “Existe estoque (de usados) nas concessionárias que é prejuízo a realizar”, observa.

Segmento de caminhões tem reação

As vendas de caminhões deram uma reagida em agosto, com alta de 5,9% frente a julho, mas ainda estão bem aquém dos volumes comercializados no ano passado. O resultado (11.360 unidades) é 30,9% menor que o oitavo mês de 2011 e, no acumulado dos primeiros oito meses, há queda de 20%. O presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, afirma que a melhora da safra de soja e o reaquecimento do transporte de carros colaboraram para a recuperação do segmento.

Ele tem otimismo em relação às novas medidas para a atividade, entre elas, a redução da taxa de juros (de 5,5% para 2,5% ao ano) da linha PSI-Finame do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No entanto, essa nova taxa ainda não está valendo. Isso porque falta a regulamentação do banco para que os agentes financeiros (as instituições que operam as linhas do BNDES) comecem a trabalhar com esses juros menores, o que deve levar, pelo menos, 30 dias para ocorrer.

A Fenabrave discute ainda com o governo fórmula para que o transportador que tem caminhão muito antigo – por exemplo, de 20 anos – consiga trocar seu veículo por outro mais novo, para a renovação da frota. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC também tem proposta com esse objetivo, que incluiria um bônus ao caminhoneiro, em parte subsidiado pelo governo, para possibilitar a compra.

Preços dos carros no Brasil – Automóvel no país custa até 106% mais que lá fora

Na garagem de casa, o carro da família pode ser o mesmo de americanos, europeus, argentinos ou japoneses. Mas o preço certamente é muito diferente. Margem de lucro maior, impostos elevados, altos custos de mão de obra, de logística, de infraestrutura e de matérias-primas, falta de competitividade, forte demanda e um consumidor disposto a pagar um preço alto ajudam a explicar o porquê de o veículo aqui no Brasil chegar a ser vendido por mais do que o dobro que lá fora.

Levantamento em cinco países — Brasil, EUA, Argentina, França e Japão — mostrou que o carro brasileiro é sempre o mais caro. A diferença chega a 106,03% no Honda Fit vendido na França (onde se chama Honda Jazz). Aqui, sai por R$ 57.480, enquanto lá, pelo equivalente a R$ 27.898,99. A distância também é expressiva no caso do Nissan Frontier vendido nos EUA. Aqui, custa R$ 121.390 — 91,31% a mais que os R$ 63.450,06 dos americanos. Há cerca de duas semanas, a “Forbes” ridicularizou o preços no Brasil, mostrando que um Jeep Grand Cherokee básico custa US$ 89.500 (R$ 179 mil) aqui, enquanto, por esse valor, em Miami, é possível comprar três unidades do modelo, que custa US$ 28 mil.

O setor teve o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido. O incentivo terminaria sexta-feira, mas deve ser prorrogada por dois meses.

Especialistas estimam que a margem de lucro das montadoras no Brasil seja pelo menos o dobro que no exterior, por causa de um quadro de pouca concorrência — ainda que já seja o quarto maior mercado de carros do mundo, incluindo caminhões e ônibus, atrás de China, Estados Unidos e Japão. O diretor-gerente da consultoria IHS Automotive no Brasil, Paulo Cardamone, estima ganho de 10% do preço de um veículo no Brasil, enquanto no mundo seria de 5%. Nos EUA, esse ganho é de 3%:

— Lucro de montadora no Brasil é maior que em qualquer lugar do mundo, pelo menos o dobro. O mercado automobilístico no Brasil é protegido, taxam-se os importados e há concentração forte das vendas nas quatro grandes marcas. Lá fora, as maiores têm cerca de 30% do mercado — afirma ele.

Volkswagen, General Motors, Fiat e Ford — responderam por 81,8% dos 2,825 bilhões de carros vendidos no país em 2011.

— Existe uma demanda grande pelos veículos no Brasil, o que mantém os preços em alta. Se a montadora sabe que há compradores, por que dar desconto? — diz Milad Kalume Neto, gerente de atendimento da consultoria Jato Dynamics do Brasil.

De todo modo, há outros vilões para preços tão elevados. O imposto é, de praxe, apontado como o grande causador. Mas, mesmo descontando as alíquotas, os consumidores nacionais ainda são os que precisariam pagar mais para ter o bem. O preço do Nissan Frontier vendido no Brasil cairia, por exemplo, de R$ 121.390 para R$ 81.209,91, ainda é mais que França e EUA com impostos.

— Não se pode ignorar o custo Brasil, que encarece toda a cadeia produtiva com os problemas de logística e infraestrutura do país, além do custo da mão de obra brasileira — diz José Caporal, consultor da Megadealer, especializada no setor automotivo.

Imposto nos eua é de até 9%

Segundo a Anfavea, a associação das montadoras, os impostos representam cerca de 30% do preço dos veículos, considerando as alíquotas normais do IPI. Nos carros 1.0, os impostos representam 27,1% do preço. Na faixa de veículos entre 1.0 e 2.0, o peso dos impostos é de 30,4% para os que rodam a gasolina e de 29,2% para motores flex e etanol. Acima de 2.0, respondem por 36,4% e 33,1% do preço, respectivamente. Nos EUA, os impostos são de até 9% do preço ao consumidor.

No Brasil, outro fator complicador é o fato de grande parte das compras ser financiada. O consumidor se preocupa mais com o tamanho da parcela que com o preço final do veículo.

— Nosso carro ainda é muito caro, é um absurdo — afirma Adriana Marotti de Mello, professora do Departamento de Administração da FEA/USP.

IPI reduzido – Concessionários lotam no último fim de semana

O último fim de semana com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros foi de concessionárias cheias e muita gente em busca de um veículo novo e mais barato em São José dos Campos. Em algumas revendedoras, já há até falta de veículos.

A Veibrás, concessionária da General Motors (GM), teve movimento intenso nos dois dias em que promoveu um feirão para alavancar as vendas. Na sexta-feira (24) e no sábado (25), foram vendidos 120 veículos, sendo 90 zero quilômetro. “Apostamos em uma mídia forte aproveitando o último fim de semana da redução e deu certo. Foi o nosso melhor fim de semana do mês”, afirma a gerente de vendas Viviane Silveira. De acordo com ela, normalmente são vendidos 40 carros. “Comparando o período de antes, sem IPI, e agora, com a redução, tivemos um aumento nas vendas de 30 a 40%”, afirmou.

Na Veibrás, alguns modelos já estão faltando. Os carros de entrada, como Celta, Prisma e Ágile, ainda tem em estoque. Já veículos como S10, Cruze Sport e Spin estão em falta.

Já a Original Veículos, revenda Volkswagen, também afirmou que as vendas estão superando as expectativas. “Tivemos aumento de 20% neste fim de semana. Não foi nosso melhor, mas as vendas estão melhorando gradativamente conforme se aproxima o fim da redução”, explica Danilo Dalla, gerente da concessionária.

Os modelos de entrada do Fox e Gol G5 estão em falta. No fim de semana, a concessionária vendeu dez veículos, sem a realização de um feirão, apenas com maior divulgação na própria loja.”A gente torce para que o IPI reduzido continue porque com ele temos um aumento de 40% nas vendas”, afirma Dalla.

Na Itavema Fiat dois veículos também estão com fila de espera: Siena 1.6 e Novo Palio. No fim de semana, a concessionária vendeu 13 carros a mais do que o normal. “Cresceram não só as vendas, mas também o movimento de pessoas na loja. Sinto que o que o cliente precisava pesquisar, já pesquisou. Eles vêm para fechar negócio”, diz Marco Aurélio da Silva, gerente de vendas. Na loja, foram vendidos 23 carros neste fim de semana, enquanto o normal é dez carros.

Para o economista Guaraci Lima de Moraes, o momento para quem precisa de um carro é bom, mas mesmo assim é necessário aproveitar com cautela. “Não trocar de carro de maneira precipitada, apenas por conta da redução do imposto. É preciso de planejamento, programar a compra para não ter uma dívida que pode prejudicar o orçamento da família”, explica.

Fim do IPI

Representantes do Ministério da Fazenda devem se reunir nesta semana com fabricantes de veículos beneficiados pela redução do IPI para avaliar o repasse do corte do tributo aos consumidores, segundo apurou o G1. As informações colhidas nesses encontros vão servir de subsídio para o governo decidir se haverá ou não prorrogação da medida.

Na sexta-feira (24), o Ministério da Fazenda informou que ainda não há definição de uma possível prorrogação do benefício para esses setores. A redução do IPI foi anunciada em maio. De lá para cá, houve aumento significativo na venda de carros novos e redução dos estoques das montadoras, que já se preparam para elevar a produção em suas fábricas.

Há duas semanas, o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que o setor não espera a renovação do corte do IPI para carros. Na avaliação dele, o setor conseguirá manter em alta a venda de veículos mesmo sem o benefício.

IPI de carros – Ministério da Fazenda deve discutir na próxima semana imposto dos veículos e linha branca

Representantes do Ministério da Fazenda devem se reunir na próxima semana com fabricantes de veículos e eletrodomésticos da linha branca, beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para avaliar o repasse do corte do tributo aos consumidores. As informações colhidas nesses encontros vão servir de subsídio para o governo decidir se haverá ou não prorrogação da medida.

A redução da alíquota de IPI vence na próxima semana e há pressão de empresários e entidades para que a prazo de validade seja estendido. Nesta sexta-feira (24), o Ministério da Fazenda informou que ainda não há definição uma possível prorrogação do benefício para esses setores.

Fontes ouvidas pelo G1 informaram, porém, que representantes do setor automotivo e da linha branca devem comparecer para reuniões no Ministério da Fazenda na próxima terça e quarta-feira. Somente após ouvi-los e avaliar o impacto da corte do imposto para os consumidores é que o governo pretende definir se haverá ou não prorrogação.

Alíquotas

Para a linha branca, houve redução da alíquota de IPI para máquinas de lavar (de 20% pra 10%), geladeiras (15% para 5%), tanquinhos (10% para 0) e fogões (4% para 0). No caso dos automóveis, o corte foi definido de acordo com a potência do motor e local de fabricação (se nacional ou importado). No caso de carros nacionais de até mil cilindradas (mais vendidos), a alíquota caiu de 7% para 0.

A redução do IPI foi uma das medidas adotadas pelo governo federal para tentar alavancar a venda de produtos que sofreram queda na demanda no começo do ano por conta do agravamento da crise internacional e, com isso, evitar desemprego nesses setores.

No caso dos veículos, a redução do IPI foi anunciada em maio. De lá para cá, houve aumento significativo na venda de carros novos e redução dos estoques das montadoras, que já se preparam para elevar a produção em suas fábricas.

Na semana passada, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que o setor não espera a renovação do corte do IPI para carros. Na avaliação dele, o setor conseguirá manter em alta a venda de veículos mesmo sem o benefício.

Já o setor da linha branca pensa diferente e já pediu ao governo a prorrogação do corte no IPI. Também na semana passada, o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, disse que a medida é importante para manter as vendas do setor.

Trocar carro – Especialista alertam sobre encargos gerados

Com as taxas de juros e o IPI reduzidos, o momento é favorável para quem pretende trocar de carro. Mas os especialistas alertam: por trás dos preços atrativos, ainda há uma série de encargos que vêm com o veículo.

A redução dos impostos acelerou a venda de automóveis: 11,5% a mais em maio em realção a abril. Os modelos nacionais de até mil cilindradas ficaram isentos do IPI, enquanto a alíquota dos veículos flex de até duas mil cilindradas caiu de 11% para 5% e dos carros a gasolina, de 13% para 6,5%.

Em uma concessionária de Sorocaba (SP), a redução das taxas fez a procura aumentar pelo menos 60%, segundo a gerência. Com todas as facilidades, porém, os especialistas aconselham a estudar detalhadamente todos os gastos que a compra de um automóvel envolve antes de fechar negócio.

De acordo com um consultor financeiro, a troca de um carro 1.0 por um modelo 1.6 gera uma diferença anual de cerca de R$ 3 mil, levando em conta a depreciação do bem, impostos, combustível, manutenção e seguro. Para ele, a melhor solução ainda é dar preferência ao pagamento à vista.