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Por que os carros são tão caros no Brasil? Venda direta é uma das causas do alto preço dos veículos

Data: dezembro 27, 2012
Opiniões
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– Descontos da fábrica para as locadoras chegam a 35% – Revendedores dizem que, se quiser, o governo pode saber por que o carro no Brasil é o mais caro do mundo.

Os revendedores de veículos ficaram preocupados com o pedido de extinção da lei Renato Ferrari (6729), que regula a venda de carros no Brasil, feito pelo subprocurador geral de República,Antonio Fonseca, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em dezembro. Antonio Fonseca creditou a essa lei a responsabilidade pelo alto preço do carro fabricado no Brasil, tema da discussão da audiência convocada pela senadora Ana Amélia (PP-RS), que já anunciou nova rodada de discussões para o primeiro semestre de 2013. Paulo Engler, diretor superintendente daFenabrave – afederação que reúne as associações de revendedores de todo o País – disse que o revendedor também gostaria que o preço do carro fosse mais baixo; ele defendeu a exclusividade dos negócios que a legislação reserva à rede oficial (que o subprocurador classificou de oligopólio), argumentando que, entre outras coisas, a concessionária é responsável pelo atendimento pós venda, o que uma rede não oficial estaria desobrigada. “Dos cinco ou seis mil itens de um carro, apenas mil têm alto giro, mas as concessionárias são obrigadas a ter em estoque todos eles, mantendo um capital empatado, o que custa dinheiro”, disse Paulo Engler, explicando que uma oficina que não tivesse obrigação de fazer o atendimento não se preocuparia em manter o estoque de peças e treinamento de pessoal. Isso exige maior responsabilidade e investimento por parte da rede oficial. E é uma deturpação da mesma lei Renato Ferrari a maior pedra no sapado das concessionárias em relação às montadoras: a chamada venda direta, que, segundo os revendedores, contribui para o aumento do Lucro Brasil. A venda direta foi instituída para que a montadora pudesse atender, em caráter excepcional, alguns nichos de mercado, como governo, prefeituras, representações diplomáticas, mas se transformou num grande negócio, pois as fábricas vendem diretamente grande quantidade de carros para as locadoras de veículos e outros frotistas, eliminando a intermediação das concessionárias, que ganham uma pequena porcentagem da venda para fazer a entrega técnica dos veículos. “As vendas diretas servem hoje para desova dos erros de produção e para fazer a guerra de share”, resumiu o superintendente da Fenabrave, lembrando que cerca de 30% das vendas são feitas diretamente da fábrica para as locadoras, com preços bem abaixo do mercado. De fato, o preço praticado pelas montadoras nas vendas para as locadoras são prova suficiente da grande margem de lucro existente no setor. Em alguns casos o desconto no preço do carro para as locadoras chega a 35%. Essa situação criou um mercado paralelo, com altos lucros para os frotistas em prejuízo da rede de revendas e do consumidor. Muitas locadoras se transformaram em grandes revendedores: após seis meses de uso, o carro pode ser legalmente vendido pela locadora ao consumidor final e assim, esses frotistas renovam constantemente a frota, obtendo altos lucros na revenda e tornando-se o melhor comprador da montadora. “Se a fábrica pode dar um desconto desse tamanho – raciocina Paulo Engler – pode distribuir essa margem para todo o mercado: a montadora não perderia faturamento, o governo não perderia receita e o consumidor teria um carro mais barato”. Disposta a colaborar com a discussão sobre os altos preços dos carros no Brasil, a Fenabrave diz que está disponível para dar a sua contribuição na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. “Nós não temos condições de saber se o preço praticado é justo. Mas o governo tem, pois ele pode ter acesso à formação dos custos de produção”, É só querer”, desafiou o dirigente.

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