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Mau cheiro, acúmulo de resíduos e perda de eficiência são sinais de que o ar-condicionado do seu carro pode estar clamando por uma atenção especial

Data: março 9, 2018
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Você entra no carro e sai para a sua jornada diária, quando de repente começa a sentir um odor vindo dos dutos de ventilação. Ih, sujou! Uma das principais causas do mau cheiro no ar-condicionado é a formação de colônias de bactérias e fungos que se instalam nos evaporadores e dutos, onde há calor e umidade. O acúmulo de folhas e dejetos nos filtros e entradas da ventilação também podem causar odores ruins, explica Leandro Vanni, engenheiro e gerente do Centro de Tecnologia, Treinamento e Inovação do Grupo DPaschoal.

“Muitos motoristas ainda desconhecem que, além dos filtros tradicionais, como o de ar do motor, de óleo e de combustível, os veículos têm o filtro de ar de cabine. Os desavisados retardam sua troca, e o componente fica impregnado de sujeira e até folhas”, afirma Vanni. “Uma dica legal é sempre que possível, antes de desligar o veículo, deixar apenas a ventilação ligada por alguns segundos, para reduzir a umidade nos dutos.”

A solução é similar à dada por Francisco Satkunas, engenheiro mecânico e conselheiro da SAE Brasil – Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade. “Ligar o ar quente por alguns minutos vai fazer a água que estava em algum canto da tubulação evaporar. É um cheiro desagradável, o carro fica parado, há uma condensação, e quando o ar começa a passar pela tubulação, vem o odor.”

Outra prática indicada pelos engenheiros é fazer a higienização do sistema. Joga-se um spray nebulizador que circula dentro dos tubos e elimina os odores. Alguns também possuem efeito bactericida, mas Leandro Vanni ressalta que “é importante procurar por produtos certificados pela Anvisa e com eficiência comprovada na eliminação de fungos, ácaros e bactérias”. Caso contrário, não há garantia de ar limpo na cabine.

Olha o gás

Tão ruim quanto o odor é a sensação de que o ar-condicionado não está resfriando a cabine. Essa perda de eficiência na refrigeração pode ter várias causas. Segundo Leandro Vanni, a mais comum é a perda do gás refrigerante. “Contudo, o problema pode ser ainda mais simples: filtros impregnados de sujeira reduzem a passagem de ar, diminuindo a eficiência.”

Para Satkunas, “a recarga (do gás) só deve ser feita quando necessário, se o motorista sentir que o ar-condicionado não está gelando como antes”. Nesse caso, o engenheiro da SAE Brasil recomenda verificar se não há vazamento. “Há muitas conexões no sistema, e quando há vazão de gás, perde-se rapidamente a eficiência”, pontua.

À prova de bactérias

Um recurso ainda raro nos carros, mas que começa a se difundir, é o ionizador de ar, tecnologia já empregada em hospitais, hotéis e edifícios empresariais.    O sistema utiliza uma lâmpada de raios ultravioleta que funciona como uma espécie de catalisador, eliminando bactérias, gases tóxicos, fungos e vírus. “É uma lâmpada grande, muito usada em hospitais, mas para os carros foi feita uma lâmpada especial”, comenta Satkunas.

O Mitsubishi Pajero Full é um dos poucos modelos no Brasil que oferecem um sistema de purificação do ar da cabine, batizado de AutoPure. A tecnologia foi desenvolvida pela Nasa com o objetivo de limpar o ar e evitar contaminação entre os astronautas, e a empresa brasileira Silux desenvolveu a aplicação do sistema para carros. A promessa é de redução de até 99% dos agentes contaminantes. O sistema também promete neutralizar odores.

“O automóvel é um ponto de encontro, de socialização. Você entra em um táxi e não sabe quem estava ali dentro. É como o manobrista do estacionamento do hospital, ele manobra os carros de quem está doente, então, nunca se sabe na mão de quem passou. O ar viciado é o grande transmissor de doenças. Se todo veículo tivesse isso, seria mais saudável pegar um táxi ou ônibus”, resume o engenheiro da SAE Brasil.

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