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Kia Soul x Honda Fit: Qual carro escolher? Coreano ou japonês

Data: setembro 6, 2010
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Formato caixote do Soul (esq.) esconde interior espaçoso; Fit segue desenho mais tradicional

Kia Soul x Honda Fit: Qual carro escolher? Coreano ou japonês

Olhe para o Kia Soul e tente ficar indiferente. Impossível, né? Goste ou não do estilo dele, você tem que admitir: não existe automóvel made in Korea com tanta personalidade. Em geral, as marcas coreanas aproveitam elementos de design de modelos europeus, japoneses e norte-americanos. Mas dessa vez a Kia foi direto à fonte. Trouxe o alemão Peter Schreyer, autor do primeiro Audi TT, para ser o chefe de design da empresa. Assinado por Schreyer, o Soul representa a nova alma da Kia — com o perdão do trocadilho.

Uma das estrelas do Salão do Automóvel de 2008, o Soul foi apresentado junto com um balde de água fria: preço estimado na faixa dos R$ 70 mil. Agora, ele chega com valores bem mais atraentes: de R$ 51.490 a R$ 64.900, dependendo dos equipamentos e do câmbio (manual ou automático). Com proposta urbana, estilo diferenciado e a esse preço, o Soul invade diretamente a seara do Fit. Por isso, escalamos o Honda para dar boas-vindas ao novo imigrante asiático.

Antes de começar, uma dúvida: como pode o Soul vir do outro lado da Terra, recolher 35% de Imposto de Importação e chegar aqui custando menos que os R$ 51.845 cobrados pelo Fit LX produzido no interior de São Paulo? Detalhe: o Kia traz a mais o CD player com entradas USB e para iPod, além dos comandos do sistema de som no volante. É impressão minha ou a Honda anda lucrando muito com o Fit?

De volta ao comparativo, juntamos o Soul EX manual, de R$ 59.900, com o Fit LXL, de R$ 54.635. Além dos itens comuns aos dois, como ar-condicionado, duplo airbag e freios ABS, o Kia traz faróis de neblina, rodas aro 18, rack no teto e câmera de ré. Isso mesmo, engate a ré e uma parte do retrovisor eletrocrômico mostra o que se passa lá atrás. Boa pedida num carro com as colunas traseiras largas, que comprometem a visão em manobras. Os retrovisores laterais, porém, são tão grandes e eficientes quanto os do Fit.

A visibilidade à frente vai agradar a quem gosta de utilitários esportivos. Um EcoSport parou ao lado do Soul, na medida para perceber que o motorista fica na mesma altura. Por sinal, se depender do sucesso do Kia entre os donos de EcoSport, penso que a Ford deve se preocupar. Mas já adianto que, apesar do visual meio jipinho, o Soul não topa nada fora do asfalto. A altura livre do solo é de apenas 16,5 cm, contra 20 cm do Eco.

A posição de dirigir é elevada, mas não perfeita. O volante só ajusta em altura (também em profundidade no Fit) e o encosto tem regulagem por alavanca, contra a roldana mais precisa do Honda. Melhor no Kia é o ajuste de altura do assento, por catraca — no Fit a gente gira outra roldana. Os bancos do modelo coreano têm estampa alegre (isso porque você ainda não viu o interior do porta-luvas, vermelho…), com o nome do carro estampado. Os plásticos são de boa qualidade em ambos, com textura agradável. E o acesso aos comandos é fácil. Falta no Soul o mostrador de consumo médio do Fit.

Em ambos, somente o vidro do motorista tem comando “um toque”, e só ele fica iluminado à noite. Pior para o dono do Kia, que tem de tatear os comandos para achar o botão de trava das portas, que não trancam automaticamente ao rodar. Se falta um pouco de comodidade, sobra espaço nessa dupla. O Honda é notadamente espaçoso, mas, com entre-eixos (2,55 m contra 2,50 m) e altura superiores (1,61 m ante 1,53 m), o Soul deixa seus passageiros ainda mais folgados, além de oferecer fácil acesso à cabine — praticamente não é preciso baixar o corpo para entrar.


Original também por dentro, o Soul tem comandos do som no volante e entrada para iPod no painel

Não espere do Kia, no entanto, a mesma versatilidade do rival. Ele apenas rebate o encosto traseiro, enquanto o banco de trás do Fit pode assumir diversas configurações. E o porta-malas do Honda também é maior: 345 contra 279 litros (aferidos). Para amenizar, o Soul tem um compartimento para miudezas abaixo do forro. O estepe é fino, de uso temporário.

Hora de matar minha maior curiosidade sobre o Soul: seria ele tão lúdico de andar quanto de ver? O que encontrei foi um carro, no geral, tão agradável de dirigir quanto o Fit. O câmbio tem engates macios, os pedais são leves e a direção elétrica é bastante suave na cidade. Na estrada, achei o peso do volante um pouco artificial. Nesse aspecto, a direção do Honda (também elétrica) tem melhor acerto. Ainda assim, eu escolheria o Soul numa viagem. O motor gira menos em velocidade de cruzeiro — 3.500 rpm a 120 km/h, contra 3.600 rpm e mais barulho no Fit — e tem maior fôlego nas ultrapassagens.

Com volante de Civic e quadro de instrumentos arrojado, o Fit ganha pontos no visual

Aliás, o motor 1.6 16V é um dos destaques do coreano. É o 1.6 mais potente do Brasil, com 124 cv, e ainda mostrou apetite moderado (pena que não seja flex), com 10,6 km/l de gasolina na cidade. Em comum com o Fit, é preciso esticar as marchas do Soul para se obter respostas ágeis — o torque de 15,9 kgfm só aparece a 4.200 rpm –, mas os testes indicaram boa vantagem dele no desempenho. O Kia gastou 11,2 s de 0 a 100 km/h, contra 12,5 s do Fit 1.3 16V (que a Honda chama de 1.4). E a diferença poderia ser maior não fossem as grandes rodas aro 18 (o Fit usa 15!) com largos pneus 225/45, que “amarram” o carro. É uma clara vitória do design sobre a dirigibilidade.

A suspensão é até macia (mais que a do Fit), mas a buraqueira nacional é implacável com um conjunto de rodas desses. Creio que as versões mais baratas, com aros 16, sofrerão menos por aqui. E a marca espera que o Soul ganhe mesmo as ruas brasileiras: a previsão é vender 3 mil unidades ainda este ano. Para quem desconfiar da troca de um japonês por um coreano, a Kia oferece cinco anos de garantia, contra três da concorrente.

O Soul é bem resolvido e mostrou virtudes que vão além do visual bacana. Que sirva de alerta para a Honda, nem que seja para baixar o preço do Fit…

Números de testes e ficha técnica

Fonte Auto Esporte

2 Comentários Comente

  1. larieni says:

    Dificil escolha estou indeciso pelos dois modelos….

  2. FABIANO BARBOSA says:

    eu já descordo de algumas coisas que dizem aii, eu tenho o FIT e ele eh bem mais economico do que fala ai, de 0 a 100 faz no maximo 12!! e olha que as rodas que eu coloquei é 17′ em!!

    mais a briga é boaa, parabens pela reportagem!!

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