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Com preço inicial de R$ 157.490, novo SUV da Peugeot repete a fórmula de sucesso do 3008, mas agora tem espaço para sete passageiros e porta-malas até 780 litros

Data: março 20, 2018
Opiniões
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Era meados de 2009 quando estreou a primeira geração do Peugeot 5008. A base da Citroën C4 Grand Picasso e os contornos de minivan reuniam todos os predicados de carro de família: farto em espaço, até sete bancos individuais, muitos recursos eletrônicos bacanas e, como de costume em modelos franceses, uma cabine bem construída e com materiais de bom gosto. O problema é que esse mercado foi encolhendo. E com as vendas cada vez menores, não havia outro caminho senão transformar o 5008.

Pois foi o que fez a Peugeot. Em vez de encerrar a produção, transformou o modelo em SUV nesta segunda geração, que acaba de chegar às lojas a partir de R$ 157.490. Na ponta do lápis, só 20 centímetros separam o 5008 do 3008, lançado há um ano. A dupla é igualzinha vista de frente. Aliás, até a coluna central, os modelos são literalmente idênticos. Mas dentro da cabine, o cenário muda bastante. É como se o novo 5008 ainda fosse uma minivan, porém, com o desejado casco de utilitário dos tempos modernos.

Espaço e conforto

A segunda fileira tem três bancos individuais e modulares forrados em couro, que podem ser dobrados, deslocados à frente sobre trilhos ou recolhidos para ampliar o bagageiro, que é dos maiores da categoria. São 700 litros em posição normal e até 780 litros com a segunda fila posicionada mais à frente. Há duas mesinhas do tipo aviação e a coluna traseira, mais alta e “quadrada”  em relação ao 3008, deixou o vão das cabeças maior, para manter o bom espaço na terceira fileira, cujos assentos são escamoteáveis.

Naturalmente, o espaço para pernas lá no fundão não é generoso como na segunda fileira. Também não há saídas de ventilação e controles do ar-condicionado para a turma de trás. Mas não dá para reclamar a bordo do 5008. Tal como seu irmão quase gêmeo, o SUV médio-grande é cuidadoso nos detalhes, desde o couro nos bancos com costura pespontada e ótima ergonomia, aos detalhes metálicos e em tecido nos forros das portas e no painel. Não é exagero dizer que sua cabine é uma das mais ricas da classe em acabamento.

Para além do material empregado, o 5008 vai encantar muitos casais que buscam um veículo familiar sofisticado. O i-Cockpit, que a Peugeot lançou no compacto 208 e depois espalhou pela gama, é o ponto alto. O volante ovalado de diâmetro reduzido fica posicionado abaixo do quadro de instrumentos em estilo único, mantendo conta-giros, velocímetro e visor do computador de bordo sempre à vista, em primeiro plano. A telinha exibe o velocímetro digital, o que acabou tornando o Head Up display desnecessário.

O painel é voltado ao motorista e mantém a proposta de se fazer de cockpit, com o console entre os bancos também inclinado à esquerda, quase envolvendo o banco do condutor. Ao centro e no alto fica a tela multimídia de oito polegadas e com ótima sensibilidade ao toque. O equipamento oferece as interfaces Android Auto e Carplay, mas não traz GPS integrado e oferece apenas uma entrada USB no nicho à frente da alavanca do câmbio.

Talvez a Peugeot tenha achado suficiente colocar apenas uma USB porque o 5008 traz o sistema de carregamento sem fio para smartphones, que opera por indução. O problema é que poucos celulares já estão adaptados à tecnologia, e, sem a compatibilidade com o carregamento sem fio, o recurso é inútil. Mas o pecado capital da Peugeot foi ter descartado o sistema de tração integral no projeto. Nem mesmo o Grip Control, que ajusta a tração dianteira para o offroad, está no cardápio.

Há cerca de um ano, participei do lançamento do 3008 no Brasil. Lembro que o SUV fez um sucesso tremendo logo na estreia, principalmente por causa do visual ousado, com os elementos da nova identidade da marca, como a grade côncava cromada e os faróis recortados com LEDs diurnos pontilhados. Pois o 5008 repete o design de sucesso na dianteira, e muda apenas a traseira, que é mais alta. Isso o faz parecer mais utilitário que o irmão — as linhas quadradas dão esse teor.

Ao volante

Nosso primeiro contato foi curto, mas pude acelerar o crossover em ambiente urbano, que será seu habitat. O rodar é leve e firme como no 3008, com respostas diretas do volante e suspensão bem ajustada para encarar pisos rugosos sem transmitir trepidações à cabine. Nas curvas, o utilitário é equilibrado e tem rolagem suave e controlada, permitindo fazer manobras mais arrojadas com segurança e solidez. A ergonomia é agradável, permite várias posições, e o i-Cockpit é impecável nisso.

A mecânica é rigorosamente igual à do 3008, combina o premiado motor 1.6 16V turbo de 165 cv e 24,5 kgfm ao câmbio automático de seis marchas, com paddle-shifts para trocas manuais. Embora veterano, o conjunto entrega ótimo desempenho para o utilitário de 1,6 tonelada. Nos testes de pista de Autoesporte, o 5008, para ir de zero a 100 km/h, precisou de 10,3 segundos, e, para retomar de 60 km/h a 100 km/h, 5,5 segundos, ótimas marcas para um SUV encorpado — são 4,64 metros de comprimento por 1,64 m de altura e os mesmos 1,9 m de largura do 3008.

Números bem próximos aos obtidos pelo irmão, que fez de zero a 100 km/h em 9,4 segundos e levou 4,9 segundos para retomar de 60 km/h a 100 km/h. Quem olhar para o desempenho do Chevrolet Equinox, outro crossover médio-grande que estreou há poucos meses, pode achar que faltou um pouco de pulmão ao 5008. O modelo da gravata dourada, com seu viril 2.0 turbo de até 262 cv e 37 kgfm de torque, cravou 7,4 segundos no zero a 100 km/h e foi de 60 km/h a 100 km/h em rápidos 3,5 segundos.

Por outro lado, quando analisado o desempenho nas frenagens, o cenário é outro. O 3008 é referência, e o 5008 vem na cola, com números razoavelmente superiores aos do Equinox. Na frenagem total a 100 km/h, por exemplo, o 5008 precisou de 40 metros, contra 42 metros do Chevrolet e 37,7 metros do 3008. Já na frenagem completa a 60 km/h, o novo SUV da Peugeot percorreu 14,2 metros, ante 15 metros do Equinox e 13,9 metros do irmão menor. Para um veículo de apelo familiar, é um inegável trunfo. Há ainda os recursos do Griffe Pack, versão mais completa, que traz controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa, entre outros.

Vale a compra?
Sim. Embora seja caro para os padrões da marca, o SUV consegue transmitir o requinte e a sofisticação que se espera a bordo de um modelo que supera os R$ 165 mil. Do ponto de vista mecânico, entrega disposição na dose certa; e do de consumo, é elogiável — fez 9,1 km/l de gasolina na cidade e expressivos 14,8 km/l na estrada — , superando 800 km de autonomia. É um dos poucos da classe que oferece a terceira fileira de bancos, e o porta-malas é colossal. Se os utilitários ditam a moda, o 5008 chega com credenciais valiosas e familiares.

Ficha técnica – Peugeot 5008

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.6, 16V, comando duplo variável, injeção direta, turbo, gasolina
Potência: 165 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5 kgfm a 1.400 rpm
Câmbio: Automático de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás
Pneus: 235/50 R19 (diant. e tras.)
Dimensões: Compr.: 4,64 metros / Largura: 1,90 m / Altura: 1,64 m/ Entre-eixos: 2,84 m
Tanque: 56 litros
Porta-malas: 700 litros (fabricante)
Peso: 1.632 kg
Central multimídia: 8 pol., sensível ao toque
Garantia: 3 anos
Cesta de peças*: R$ 14.615
Revisões: 10 mil km: R$ 482/ 20 mil km: R$ 836 / 30 mil km: R$ 482

TESTES

Aceleração
0–100 km/h: 10,3 s
0–400 m: 17,2 s
0–1.000 m: 31,3 s
Vel. a 1.000 m: 169 km/h
Vel. real a 100 km/h: 97 km/h

Retomada
40–80 km/h (Drive): 4,4 s
60–100 km/h (D): 5,5 s
80–120 km/h (D): 7,0 s

Frenagem
100–0 km/h: 40 m
80–0 km/h: 25,8 m
60–0 km/h: 14,2 m

Consumo
Urbano: 9,1 km/l
Rodoviário: 14,8 km/l
Média: 11,9 km/l
Aut. em estrada: 828 km

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